Pergunte pro Neto

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Neto responde a perguntas inéditas feitas por leitores do aQui

Aproveitando o aniversário de Volta Redonda, quando todas as atenções estão voltadas para o Palácio 17 de Julho, o aQui resolveu pedir a colaboração de alguns leitores para uma ‘entrevista exclusiva’ com o prefeito Antônio Francisco Neto. Uma brincadeira a sério, diríamos, que ganhou o nome de ‘Pergunte pro Neto’. A única condição imposta pelo aQui foi a de que não fossem perguntas envolvendo as eleições de outubro ou de foro pessoal.   

Alguns leitores não quiseram participar, alegando motivos de foro íntimo ou profissional. Mas vários aceitaram. Neto também. Leia abaixo o que eles perguntaram e as respostas dadas por Neto, a quem agradecemos por entender o espírito da reportagem, como democrata que é.

Marize Maria Martins, aposentada:
“Existe algum projeto de recuperação do córrego da Rua 41-C, com a limpeza, desassoreamento, revitalização e ações estruturais de conservação das margens, para evitar que, anualmente, os moradores sofram com as enchentes causadas pelas chuvas?”
Neto: “O Córrego foi desassoreado dentro do projeto ‘Limpa Rio’, que desenvolvemos junto com o Governo do Estado. A revitalização das margens está nos planos, sim, da mesma maneira que estamos fazendo no Jardim dos Inocentes. Vale ressaltar que os problemas das enchentes são muito graves, mas passam por mudanças climáticas e muito também pelo crescimento populacional. Não é de fácil solução, afeta todo o Brasil e é caro de resolver. Mas tudo que está ao nosso alcance está sendo feito para evitar que as enchentes aconteçam. Uma vez que as cheias cheguem, temos de trabalhar para minimizar os impactos à população. Podem ter certeza de que estamos trabalhando muito nisso.”

Rônel Mascarenhas e Silva, médico gastroenterologista:
“Prefeito, já estamos em tempo de pensar Volta Redonda sem a CSN?”
Neto: “Eu acho que não é hora de pensar Volta Redonda sem a CSN. É hora de pensar Volta Redonda com uma relação cada vez melhor com a CSN. Sempre digo que queremos uma empresa produzindo cada vez mais e poluindo cada vez menos. E temos visto que isso é possível.
A dependência econômica da cidade em relação à CSN, seja na geração de empregos ou na arrecadação de impostos, ainda é uma realidade. É verdade que hoje Volta Redonda está mais diversificada, tem novas atividades econômicas e mais alternativas do que tinha décadas atrás, mas simplesmente abrir mão da importância da CSN para o município não seria uma postura responsável de quem administra a cidade.
Isso não significa fechar os olhos para os problemas. Nunca deixaremos de cobrar investimentos ambientais, melhorias e o cumprimento da legislação. Sempre que for preciso, vamos dialogar, cobrar e, se necessário, defender os interesses da população nos órgãos competentes e na Justiça.
Agora, eu também percebo que a grande maioria da população quer uma convivência equilibrada entre a cidade e a empresa. Esse também é o meu entendimento. Buscar o diálogo será sempre a nossa primeira opção, sem abrir mão da firmeza quando os interesses de Volta Redonda precisarem ser defendidos.”

Sérgio Mamma, DJ, radialista e empresário:
“Mesmo tendo números muito satisfatórios em vários aspectos, como segurança, saúde e educação, Volta Redonda não figura entre as melhores cidades do ranking IPS 2026 de qualidade de vida em nosso estado. Você concorda com essa pesquisa?”
Neto: “Eu respeito toda pesquisa séria. Mas, para mim, a pesquisa mais importante continua sendo a opinião de quem mora em Volta Redonda. Eu faço uma pergunta simples: quantos moradores daqui trocariam Volta Redonda por algumas das cidades que aparecem à nossa frente nesse ranking? Eu sinceramente acho que a grande maioria tem orgulho de viver aqui e quer continuar vivendo aqui. Isso, para mim, diz muito sobre a qualidade de vida da nossa cidade.
Também é importante lembrar que existem outros levantamentos, igualmente sérios, que apontam Volta Redonda entre as cidades mais bem-avaliadas do estado e do Brasil. Recentemente fomos eleitos a terceira cidade mais sustentável do estado do Rio de Janeiro pelo Ranking Cidades Sustentáveis da Bright Cities. O Retornômetro, da Assertif, colocou Volta Redonda como a terceira cidade brasileira, entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, que melhor transforma os impostos pagos pela população em qualidade de vida. A Firjan classificou nossa gestão com nível de excelência na gestão fiscal. O Ranking de Competitividade dos Municípios, do CLP, nos coloca entre os melhores do estado, com destaque para educação, saneamento e outros indicadores. Além disso, somos reconhecidos pela transparência da gestão e temos resultados concretos na saúde, na segurança e na educação.
Então eu não diria que discordo dessa pesquisa específica. Eu apenas observo que há diversos outros estudos, utilizando metodologias diferentes, que mostram uma realidade muito positiva de Volta Redonda. No fim das contas, o nosso compromisso continua sendo o mesmo: trabalhar todos os dias para melhorar a vida das pessoas. E esse reconhecimento, vindo da população e de diversas instituições, mostra que estamos no caminho certo.”

Márcia Fernandes, gerente institucional do Instituto Dagaz:
“O senhor vai realmente se aposentar?”
Neto: “Aposentar da política, não. Tenho muita vontade de trabalhar, experiência e, principalmente, amor por Volta Redonda, para simplesmente vestir um pijama e ficar em casa. O que eu espero é que, ao fim deste mandato, a cidade tenha uma liderança preparada para dar continuidade a tudo o que construímos. Não podemos voltar ao tempo de hospitais fechados, servidores com salários atrasados, obras paradas, projetos de segurança abandonados e uma rede de assistência social enfraquecida. Se eu enxergar que Volta Redonda continuará bem-cuidada, vou ficar feliz em contribuir de outras formas, sem necessariamente disputar uma eleição. Acho que a nossa população amadureceu muito e sabe diferenciar quem tem compromisso com a cidade de quem aparece apenas com discursos e promessas.

Guto Haasis, empresário:
“Quais os projetos, na área de fomento econômico, o prefeito pensa para os próximos anos, visando o crescimento da economia local?”
Neto: “Desenvolvimento econômico não acontece por acaso. Primeiro, a cidade precisa oferecer segurança, infraestrutura, água, mobilidade e qualidade de vida. É isso que estamos fazendo. Ao mesmo tempo, temos um desafio importante: ampliar a oferta de áreas para novos empreendimentos. A prefeitura trabalha para viabilizar a aquisição da antiga área da Votorantim, que pode se transformar em um grande condomínio industrial, atraindo empresas e gerando empregos. Também percebemos que Volta Redonda voltou a despertar o interesse de grandes investidores. Os investimentos que vemos no Park Sul, no Sider Shopping e em diversos outros empreendimentos mostram que a iniciativa privada voltou a acreditar na nossa cidade. Esse é um caminho sem volta.”

Edmilson Alvarenga, empresário e presidente do SindiReal:
“Entre todas as obras, projetos e programas realizados ao longo da sua gestão, e aqueles que ainda pretende entregar até o fim do mandato, qual o senhor considera mais importante para a cidade? E por quê?”
Neto: É difícil escolher apenas uma, porque cada investimento atende a uma necessidade diferente da população. Mas, olhando para o futuro de Volta Redonda, a nova Estação de Tratamento de Água talvez seja o projeto mais estratégico, porque garante segurança hídrica para as próximas décadas e cria condições para a cidade continuar crescendo. Ao mesmo tempo, temos a ampliação dos hospitais São João Batista e Munir Rafful, que fortalecem a nossa saúde, e investimentos históricos na segurança pública, como o Batalhão de Ações com Cães, o Batalhão de Policiamento Ambiental, o futuro Regimento de Polícia Montada e o Grupamento de Policiamento Aéreo. O mais importante é saber que essas entregas fazem parte de um mesmo projeto: preparar Volta Redonda para os próximos 20 ou 30 anos.

Paulo Ramos de Oliveira, aposentado:
“É verdade que existe um programa de habitação popular aprovado para o município, com previsão de construir duas mil moradias? E quais serão os benefícios do projeto para a cidade e para a população?”
Neto: “É verdade. Estamos trabalhando para viabilizar a construção de pelo menos duas mil novas moradias populares em Volta Redonda. Esse é um dos maiores programas habitacionais da nossa história recente. O benefício mais importante é dar dignidade às famílias que sonham com a casa própria. Mas os reflexos vão muito além disso. A construção civil movimenta a economia, gera milhares de empregos diretos e indiretos, aquece o comércio e aumenta a circulação de renda na cidade. Além disso, esse projeto dialoga diretamente com o espírito da Campanha da Fraternidade deste ano, que nos convida a olhar com mais atenção para o direito à moradia e para a dignidade das famílias. Quando investimos em habitação, estamos investindo também em desenvolvimento econômico, inclusão social e qualidade de vida.”