Novo comandante da PM quer tirar territórios das mãos dos traficantes

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Mateus Gusmão
Como novo coman- dante do Batalhão do Aço (28o BPM), o tenente- coronel Moisés Pinheiro Sardemberg – respon- sável pelo policiamento em Volta Redonda, Barra Mansa, Pinheiral e Rio Claro – acompanha as notícias das três cidades em tempo real pelo seu computador, com diver- sos sites – inclusive o do aQui – abertos, para não perder nada. “É impor- tante estar atualizado com o que está acontecendo na região”, justificou, anun- ciando que aproveita o noticiário para também tomar suas decisões para enfrentar a criminalidade.
Uma delas, conforme disse em entrevista exclu- siva ao aQui, é tirar os territórios das mãos do tráfico de drogas, aumen- tar as abordagens de sus- peitos, entre outras. Natu- ral do Rio de Janeiro, Sar- demberg mora em Volta Redonda há 12 anos, des- de que foi transferido pa- ra o 5o Comando de Poli- ciamento de Área, sendo responsável pelo setor de planejamento de opera- ções. Antes de assu-mir a nova função, o oficial comandava o 2o BPM, em Botafogo, na capital.
“Minha nomeação para o Batalhão de Aço foi uma definição do co- mando-geral da Polícia Militar. Cabe a nós cum- prir essa determinação. Mas acredito que o fato de morar aqui (em Volta Redonda) colaborou para isso”, destacou, ressaltan- doqueno28oBPMa maioria dos policiais é da região. “Isso é bom, porque o policial conhece a cidade, conversa com as pessoas, fica sabendo dos problemas. Esse é o bô-
nus de se ter agentes que são da cidade”, destacou. A avaliação de Sar- demberg é de que a Polícia Militar, através do 28o BPM, presta um serviço de excelência. “Todas as forças de segurança traba-lham juntas em prol do mesmo objetivo, como Ordem Pública, Polícia Civil, Guarda Municipal… Essa engrenagem funcio-na”, disse, salientando que a Polícia Militar é uma peça dessa engrenagem. “Nos- sa função é prender e diminuir o número de
crimes”, disparou.
O principal desafio
do novo comandante, se- gundo sua própria avalia- ção, é combater o tráfico de drogas. “Esse é um mal que movimenta ou- tros crimes, como roubo e furtos. E os homicídios na região, em sua maioria, são ligados ao tráfico de drogas, seja por vingança, disputa de ponto ou dí- vidas”, pontuou. “Meu objetivo é o enfrenta- mento ao tráfico de dro- gas. Nós queremos redu- zir o domínio e a influên- cia de traficantes sobre os territórios das cidades. Temos que diminuir esse territorialismo, que é quando um marginal se acha dono de um local, ordenando até quem pode ou não entrar”, completou.
“Isso não pode acon- tecer. Em uma reunião recente em Barra Mansa, no Conselho de Seguran- ça, um representante do Saae-BM disse que estava havendo dificuldades em realizar serviços de cobrança em algumas áreas”, sublinhou, citando como exemplo desses territórios a serem dispu- tados com o tráfico o Pa- dre Josimo, Morro da Conquista, prédios do ‘Minha Casa, Minha Vida’ do Roma, Vila Brasília, Vila Delgado, em Barra Mansa, entre outros.
O tenente-coronel Sardemberg destacou ain- da que a população tem um papel funda-mental no combate ao tráfico de drogas, sendo necessária a participação de todos através de denúncias. “Nós temos o nosso Dis- que-denúncia, onde, de forma anônima, a popu- lação pode nos passar in- formações importantes. Meu gabinete também sempre estará aberto para a população vir trazer informações e demandas. Hoje mesmo eu recebi
uma carta aqui de um morador nos pedindo ajuda”, completou, mos- trando a carta (ver foto).
Outro desafio de Sardemberg será aumen- tar a percepção de segu- rança dos moradores do Sul Fluminense. “Uma pessoa pode estar em uma praia aberta, sem qualquer muro em volta, e se sentir segura. E também pode estar em um local fechado e estar insegura. Trabalhar com esse sentimento, essa percepção de segurança, é difícil. Mas nós vamos buscar isso. O que tenho pedido aqui é para que possamos aumentar, por exemplo, o número de abordagens. Estamos cobrando isso”, destacou.
Ele vai além. Diz que a PM faz dois tipos de abordagem: a de proxi- midade, na qual o policial conversa com o morador, pergunta se está tudo bem e pede informações. E a abordagem por suspeição, quando o policial encontra uma pessoa com atitude suspeita. “Isso visa fazer com que a popu- lação também veja o aumento das abordagens. Nós devemos entregar abordagem, prisão e redução de crime”, afirmou, ressaltando que os policiais do Batalhão de Aço terão metas a serem cumpridas de abordagens, que serão confrontadas com a mancha criminal para avaliação dos agentes.
Essas abordagens, diz o comandante, também estão sendo feitas diariamente com a população em situação de rua. “Nós visamos tirar as armas brancas, como facas, canivetes e até chave de fenda. Me responda para qual motivo uma pessoa em situação de rua teria esses materiais, senão para ameaçar as pessoas?”, indagou.
Questionado sobre a possibilidade de a cidade do aço estar enfrentando grupos de milicianos (paramilitares) atuando em territórios locais, ele diz que não. E nem vê num futuro próximo essa chance. “Esse mal, não temos. A milícia já está atuando em parcerias com facções criminosas ligadas ao tráfico. A gente vê isso na capital, por exemplo. Mas aqui na nossa área de atuação não temos isso. Mas continua- remos vigilantes sobre esse assunto para que essa ameaça não chegue por aqui”, concluiu.