Nada certo

Obras da Rua 33 estão sendo realizadas por trechos; quando serão concluídas, ninguém sabe

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A Rua 33, na Vila, que ostenta o título de ter o m2 mais caro de Volta Redonda, está sendo palco de uma nova polêmica envolvendo as obras (inacabadas) de sua revitalização. Tudo começou em 2021, quando o prefeito Neto anunciou o início de um projeto de R$ 3,5 milhões que modificaria totalmente a via. Até o piso das calçadas – que eram de pedras portuguesas, como o calçadão de Ipanema – seria trocado. O sonho durou pouco. A em- presa contratada a preço de banana pediu reajuste. Neto não deu, e a Irmãos Vasconcelos Ltda escafedeu-se. As pedras, caras, por sinal, ficaram espalhadas, soltas, colocando em risco a saúde dos pedestres, especialmente dos idosos.
Sem ter como substituir rapidamente a empresa que largou tudo pelo chão, incluindo dezenas de buracos que abriu, a prefeitura de Volta Redonda foi deixando a situação ‘fluir’ até que, pressionado por vários acidentes e por lojistas preocupados com o faturamento de Natal, Neto decidiu entregar ao Saae-VR e à secretaria de Infraestrutura (em outubro de 2022) a tarefa de cimentar – isso mesmo, concretar – as calçadas dos dois lados da Rua 33. Valor da obra: R$ 18 milhões. “Será uma solução paliativa”, disseram.
E foram além: “É importante ressaltar que o cimento é provisório. Vamos retirar todas as pedras portuguesas da Rua 33 e levar para o Volta Grande, para a fábrica de concreto. E vamos cimentar, porque não é justo a população andar em calçadas com pedras soltas, buracos, com a situação piorando em dias de chuva”, justificaram as duas pastas, acrescentando que a obra de revitalização deveria ser retomada no início de 2023, após as festas natalinas.
Foi um erro. O serviço da prefeitura ficou ruim, algumas partes não foram cimentadas e tudo piorou quando uma nova empresa, sem qualquer aviso oficial, começou a quebrar o que o Saae e a Secretaria de Infraestrutura tinham feito – a concretagem das calçadas. Começou pelo trecho próximo à Praça da ETPC. O trecho até hoje, quase dois meses depois, não está
pronto. Para justificar o quebra-quebra, a prefeitura anunciou que a revitalização da 33 iria acabar com os fios suspensos dos postes ao longo da via. Fios da Light, de telefonia, internet etc. E ainda seria feita a troca total da rede de água e esgoto.
Oficialmente, as novas obras começaram pela interdição da 33 no trecho entre as ruas 60 e 26, no sentido Praça da ETPC/ Praça Brasil. “Após toda a estrutura que abrirmos para a passagem dos cabos, vamos começar a colocar os pisos intertravados (argh!) nas calçadas até a Rua 26. E vamos seguir este ritmo de trabalho, fazendo por trechos. Retirar as pedras portuguesas (que já tinham sido arrancadas na sua maioria, grifo nosso), abrir as valas para a passagem dos cabos e finalizar. Vamos entregar todos prontos; começar as obras nos trechos, finalizar, para depois passar para o próximo”, detalhou a secretária de Infra- estrutura, Poliana Moreira. Só não disse quanto tempo isso vai levar.
Procurada pela reportagem, a prefeitura pelo menos foi sincera. Não sabe dizer quando as obras serão concluídas (veja box com posição do Palácio 17 de Julho a respeito).

Reações
O sofrimento de Neto com os atrasos nas
obrasdaRua33sónãoé maior do que o dos moradores e lojistas que estão há mais de dois anos tendo que conviver com tantos problemas. Existem casas e lojas onde ninguém consegue, por exemplo, estacionar ou tirar o carro da garagem. Diariamente, por exemplo, quem vai a uma das centenas de clínicas existentes na região tem de andar pela própria rua, pois as calçadas estão intransitáveis. E assim vão ficar, trecho a trecho, devendo piorar quando o serviço começar a ser executado da Rua 26 em direção à Praça Brasil.
A ideia do governo Neto é melhorar um dos maiores centros comerciais e de serviços de Volta Redonda, que atraem milhares de pessoas de toda a região. “Será repagi- nado”, promete. Tem mais. Que a área da rua 33 – uma das primeiras a ser criada quando da constru- ção da cidade do aço e que hoje reúne centenas de estabelecimentos de diver- sos setores, com destaque para a área gastronômica e de serviços de saúde – se torne mais acessível às pes- soas com mobilidade re- duzida, como cadeirantes, idosos ou pessoas com deficiência visual.
Os pontos de ônibus, diz release da prefeitura, também serão modernizados. Haverá plantio de novas mudas de árvores, “na maioria arbustos com floração” e, novidade, a implantação de paraciclos – estrutura que permite apoiar e trancar a bicicleta de forma segura e, principal, tudo iluminado com lâmpadas de LED para “promover uma maior segurança”. Que assim seja!

Veja abaixo as respostas da secretaria de Comunicação da prefeitura de Volta Redonda a respeito dos problemas e soluções para as obras da Rua 33:

‘Vai melhorar’

aQui: Quando as obras do primeiro trecho – até a Rua 26 – serão concluídas? E do trecho da 26 até a Praça Brasil? E vice-versa: da Praça Brasil até a Rua 26 e da 26 até a ETPC?
Secom: Os prazos são discutidos de acordo com diversos fatores, como clima (não parou de chover e já estamos no meio de abril), interferências não previstas (é uma obra complexa). Os pagamentos são feitos de acordo com cada medição. A obra será feita por quadrantes, para diminuir o impacto para a população.
Como já foi feita a troca da rede de abastecimento de água, que estava desgastada e podendo causar problemas até de saúde, é o momento ideal para que a Rua 33 seja revitalizada e modernizada.
aQui: Por que as obras não são feitas à noite?
Secom: Isso encarece muito o valor final da obra e causa transtornos aos moradores, além de reduzir o tempo hábil para o trabalho. O barulho das máquinas e dos trabalhadores, no período noturno, seria muito sentido por quem mora nas imediações da 33.
aQui: Não poderiam trabalhar aos domingos?
Secom: O trabalho aos domingos encarece a obra.
aQui: O canteiro de obras da empresa contratada tem tudo para acabar com boa parte do piso da Praça da ETPC, pois a prefeitura está permitindo o trânsito e o estacionamento de veículos leves e pesados, como betoneiras carregadas. Quem vai assumir o ônus desse prejuízo?
Secom: A praça da ETPC será revitalizada.
aQui: A prefeitura já está respondendo a algum processo de lucros cessantes por parte de lojistas da 33?
Secom: A obra é justamente para modernizar e permitir maior acesso de todos a Via 33. Assim como foi na Amaral Peixoto, a obra não é fácil de ser executada, mas depois de pronta terá seu valor reconhecido.