Momento em que oficial de justiça reconduziu Edimar Miguel (de costas) à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense
Por Pollyanna Xavier
Na próxima quinta, 25, Edimar Miguel e os diretores do G5 vão se enfrentar, frente a frente, na 3a Vara do Trabalho de Volta Redonda. É que neste dia o juiz Thiago Rabelo da Costa vai decidir, em audiência marcada por ele, quem vai ser o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos pelos próximos meses: se Edimar Miguel ou Odair Mariano. A disputa pelo poder se arrasta há mais de um ano e teve seu ponto forte nos dias 29 de fevereiro e 16 de abril. Na primeira data, o então líder sindical foi retirado da presidência sob acusação, feita pelo G5, de má gestão. Já na segunda, por determinação judicial, ele voltou à presidência, numa verdadeira guerra pelo poder.
O retorno de Edimar foi garantido pela desembargadora Márcia Regina Leal Campos, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que acolheu um mandado de segurança ajuizado por Edimar alegando ter sido vítima de golpe aplicado por seus diretores. Na terça, 16, com a decisão em mãos e acompanhado por um oficial de justiça, Edimar retomou sua cadeira de presidente. Em vídeos, apoiadores de Edimar entraram no Sindicato aos gritos de “o peão voltou” e “ladrões”, em clara demonstração de provocação.
Edimar, vejam só, reassumiu o Sindicato demitindo funcionários, alguns que teriam apoiado o G5. Ainda não se sabe se o (agora) presidente vai revogar a demissão do advogado Tarcísio Xavier, seu assessor jurídico, demitido em fevereiro, e ainda de outros dois advogados ligados à CTB (a central sindical que apoia Edimar, mas à qual ele não é filiado), que também foram dispensados em fevereiro. Segundo apurado, esses dois advogados teriam defendido o líder sindical nos recursos ajuizados no TRT.
Apesar de reassumir desfazendo boa parte das decisões do G5, Edimar não poderá cancelar o acordo coletivo dos trabalhadores da CSN. As negociações, segundo especialistas consultados pelo aQui, foram legítimas e conduzidas por Odair Mariano – presidente reconhecido pela Justiça do Trabalho naquele momento. “Se o Edimar tentar cancelar, será derrotado pelos trabalhadores. O que ele fez por eles? O cartão-alimentação dobrou de valor no ano passado, porque a Federação (dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas) negociou com a CSN, e não ele. A volta da PPR ano que vem foi negociada pelo Odair. Injetamos cerca de R$ 200 milhões na economia agora em abril, no mês do aniversário da CSN, coisa que não acontecia há anos. O que ele fez para os trabalhadores da CSN? Nada!”, avaliou Leandro Vaz, diretor jurídico do Sindicato, um dos integrantes do G5.
De acordo com Leandro, independentemente do resultado da adiência do dia 25, o ACT da CSN e demais acordos negociados com outras empresas da base permanecem inalterados. Edimar não poderá mudar nenhum deles. E, se tentar fazê-lo, será mais como demonstração de poder do que em defesa dos interesses dos trabalhadores. Afinal, os acordos não foram decididos pelo G5, e sim pelos próprios metalúrgicos, que aprovaram, no voto, as propostas das empresas. Tem mais. A maioria já gastou o dinheiro do abono recebido, entre outras.

