Mulheres têm três vezes mais dificuldade em arrumar emprego durante a pandemia

As consequências trazidas pela pandemia da Covid-19, como o necessário isolamento, distanciamento social e, principalmente, redução exponencial de postos de trabalho, acarretaram em aumento das dificuldades já experimentadas pela classe trabalhadora feminina.
De acordo com o IBGE, 8,5 milhões de mulheres deixaram seus empregos no terceiro trimestre de 2020, na comparação com o mesmo período do ano anterior. João Santana, advogado e especialista em direito do trabalho, ressalta que esse número equivale a mais da metade da população feminina com 14 anos ou mais. Para o advogado ‘’mulheres experimentam uma tripla dificuldade perante a pandemia, ao passo que além de enfrentar as dificuldades em lhe dar com o vírus e o saturado mercado de trabalho, acaba recaindo sobre elas o cuidado com a casa e filhos, o que acaba dificultando ainda mais a inserção no mercado de trabalho ’’, comenta.
“O CAGED aponta que de abril a dezembro de 2020, as mulheres tiveram 94,9 mil colocações eliminadas, enquanto que o saldo de vagas ficou positivo para homens em 168 mil. No Brasil, 51,4% da população é composta por mulheres, sendo que apenas 13,6% dos cargos de liderança são ocupados por estas nas 500 maiores empresas brasileiras, conforme estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Instituto Ethos”, ressalta João Ubirajara.
O advogado avalia que o mercado de trabalho precisa evoluir, e necessita de mais medidas efetivas e alterações legislativas para que haja conformidade. ‘’Inúmeras organizações, superando as parcas medidas governamentais nesse sentido, já possuem destaque na implantação de políticas de igualdade de gênero, o que vem diminuindo a disparidade entre os gêneros. Medidas como as desenvolvidas por empresas pioneiras no projeto Movimento Mulher 360 (MM 360), aderem políticas efetivas de incentivo ao crescimento profissional da mulher, proporcionando, por exemplo, uma maior licença maternidade, aumento do valor do auxílio-creche, além da criação de projetos e programas sociais que estimulam o trabalho feminino nas comunidades. ’’, interpõe.
Para João Santana ‘’ainda há muito a se fazer, mas as políticas de incentivo ao trabalho e crescimento profissional das mulheres implantadas por grandes organizações apontam para uma mudança de cultura, pelo menos organizacional, sendo algo a se comemorar, cabendo destacar que com o maior número de mulheres no mercado de trabalho, os resultados apontam para benefícios, inclusive econômicos (ganho de US$ 850 bilhões (R$ 2,5 trilhões) nos próximos 8 anos, ou um crescimento de 30% do PIB nacional) ’’, finaliza.
Advocacia Castro Neves Dal Mas – um dos escritórios mais tradicionais do país. Fundado em 1937, com sede em São Paulo e outras 4 unidades, conta com 189 associados nas mais diversas especialidades. O grupo é reconhecido e premiado pelos serviços do direito do trabalho, auxiliando grandes corporações.

Deixe uma resposta