Mui amigos

Debate de candidatos na Aciap tem clima ‘animado’, e poucas propostas concretas

Por Roberto Marinho

A Associação Comercial de Volta Redonda promoveu na noite de quinta, 5, um debate entre os 12 candidatos à prefeitura do município. O evento, transmitido nas redes sociais, teve um clima muito mais “animado” que o debate da Band do dia 14 de outubro, com quase todos os candidatos atirando contra o atual prefeito, Samuca Silva (PSC), e contra o ex-prefeito Neto (Democratas). Bem organizado e conduzido pela jornalista Aline Ribeiro, a transmissão, de cerca de três horas, não atraiu tanta atenção dos voltarredondenses, afinal gerou uma média de público em torno de 250 pessoas para um público alvo de mais de 220 mil eleitores.

Hermiton Moura (Republicanos) apareceu na apresentação do primeiro bloco com um adesivo de campanha colado no peito – ele usava uma camiseta com o rosto do presidente Jair Bolsonaro -, contrariando as regras do debate, e foi repreendido por Aline Ribeiro. Hermiton também foi responsável por um dos momentos bizarros ao perguntar à candidata do Psol, Juliana Carvalho, “qual modelo de governo ela implantaria em Volta Redonda, se o da Coreia do Norte ou da Venezuela?”, citando o fato do Psol ser “de esquerda”. Com elegância, a professora de História disse que “modelos de governo não podem ser transportados de um lugar para outro, com diferenças culturais, econômicas e geográficas”.

Outro momento bizarro do debate foi quando o vice de Dayse Penna – do Pros, e que está com a Covid-19 –, Ademar Esposti, disse que se Samuca fosse seu filho, ele o deitaria no colo para lhe dar “umas palmadas no bumbum por ter deixado a saúde de Volta Redonda como está”. Meio bravo, meio constrangido, Samuca respondeu que foi criado de forma diferente, sem palmadas, e que uma boa conversa bastava. Mas a galera dos memes não perdoou e em minutos diversas imagens de Esposti “castigando” Samuca pipocaram nos aplicativos de mensagens.

Momento fight
Samuca e Neto, tidos como favoritos, apanharam dos demais can-didatos por quase tudo: o primeiro, principalmente, por causa da confusão com as OSs (Organizações Sociais) que passaram a administrar os hospitais municipais. O segundo, por tudo que fez ou deixou de fazer em seus quatro mandatos, além de sua ligação com o ex-governador Sérgio Cabral, hoje preso. O momento tão esperado de um embate direto entre Samuca e Neto, ou de qualquer um deles com Baltazar, que corre por fora, não aconteceu por causa da estrutura do debate, que usava sorteios para definir quem interagia com quem.

O momento mais “quente” do debate foi quando, nas considerações finais, Baltazar repetiu diversas vezes que Neto estaria inelegível, afirmando que os eleitores que votas-sem no candidato do DEM estariam “desperdiçando o voto”. Neto deu o troco, garantindo que estava no páreo como todos os outros, e que não havia acusações de roubo contra ele, ao contrário de Baltazar, que foi envolvido no escândalo da ‘Máfia das Ambulâncias’. Samuca pegou carona na ambulância de Neto e também alfinetou Baltazar sobre o assunto.
Fora isso, os candidatos apresentaram poucas propostas concretas de governo, preferindo afirmar que iriam priorizar a reconstrução da saúde e a geração de empregos, sem explicar muito bem como. Assuntos como educação, saneamento, meio ambiente e cultura passaram batido. Quem resolveu assistir o debate para conhecer melhor as propostas dos candidatos a governar Volta Redonda e definir seu voto ficou no escuro. Mas, pelo menos, conseguiu dar uma renovada no repertório de memes.

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