Mistério continua

Vereador pede que prefeitura divulgue contrato que teria firmado com a Unimed-VR

Mateus Gusmão

Desde o dia 8 de maio, conforme matéria veiculada pelo aQui (edição 1.250), os leitores e o vereador Jari estão à espera de um posicionamento oficial do Palácio 17 de Julho, da Unimed-VR, ou de ambos, de preferência, acerca do convênio que as duas entidades teriam feito para a realização de testes de antígeno e a teleconsulta, destinados a pacientes infectados com a Covid-19. “O convênio ainda está sendo preparado”, disparou Jari, mostrando sua insatisfação com o andor da carruagem. “Você não pode iniciar um projeto público para depois estabelecer as regras dele”, acrescentou.
Foi por essas e outras que Jari, que é presidente da Comissão de Saúde do Poder Legislativo, apresentou, e a Câmara aprovou por unanimidade, um pedido de informações à prefeitura de Volta Redonda solicitando detalhes do convênio. O requerimento foi feito na sessão de terça, 18, e o prefeito Neto, por lei, tem prazo de 20 dias para responder à Casa de Leis. “Até agora, oficialmente, não recebemos nada”, comentou Jari.
No requerimento aprovado pelos vereadores, Jari fez quatro pedidos: quer cópias do processo e do contrato do convênio firmado entre a prefeitura e a Unimed-VR; o valor do contrato; cópia dos processos de medição de cumprimento das metas firmadas no contrato; e cópia da nota de empenho a favor da cooperativa dos médicos. Segundo o parlamentar, o mistério sobre o convênio tem que ser do conhecimento da população. “Não pode ser um cheque em branco”, pontuou.
Jari foi além. “Fiscalizar é uma função minha como vereador e, agora, também como presidente da Comissão Permanente de Saúde. É importante que possamos saber os detalhes”, disse Jari, ressaltando que, ao que parece, o convênio com a Unimed foi uma boa iniciativa, tendo em vista que foi criada mais uma forma de testagem contra a Covid-19, com resultado mais rápido. “Mas a gente precisa tomar ciência dos detalhes que não foram divulgados. A população precisa ter acesso a essas informações”, reiterou Jari.
O vereador lembrou ainda que, recentemente, também solicitou à prefeitura de Volta Redonda a cópia de outro processo: o assinado pelo ex-prefeito Samuca Silva com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que seria para o uso da Nitazoxanida em um tratamento precoce da Covid-19. O parlamentar lembrou que o aQui revelou, posteriormente e com exclusividade, que o convênio, mantido em segredo até o último dia do governo Samuca, seria para telemedicina – que não saiu do papel –, a um custo da ordem de R$ 500 mil. “Eu ainda não recebi a cópia deste convênio, mas a prefeitura deve me mandar em breve. Por isso, eu digo que é importante sempre a população ter acesso a detalhes desse tipo de convênio. Quando eu receber o documento, vamos dar publicidade a isso e esclarecer as dúvidas”, prometeu.
Para quem não sabe, Jari é afilhado político do ex-vice-prefeito Carlos Roberto Paiva, aliado de Neto. Em seu terceiro mandato na Câmara, ele chegou a fazer parte da base de Neto, mas tem se postado de forma independente com o atual governo, assim como fez durante a gestão Samuca. Segundo ele, isso não representa uma ruptura com Neto. Só que, recentemente, Jari votou contra três propostas do prefeito: a criação da taxa de iluminação pública; a do aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos; e contra a criação de uma nova secretaria municipal, a da Pessoa com Deficiência.
“Hoje estou me posicionando de forma independente. Mas quero contribuir com o prefeito Neto e com a cidade. Vou sempre votar favorável caso ache importante. Votei contra porque não acho que, em momento de pandemia, seja hora de onerar mais o servidor e a população”, disse Jari, despistando de responder se será candidato novamente a deputado estadual em 2022. “Não é hora de pensar nisso”, concluiu. Para quem sabe ler…

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