Roberto Marinho
Os fãs e assessores do ainda deputado estadual Jari de Oliveira (PSB) precisam se acalmar. Eles lotaram de comentários a matéria do aQui postada no Facebook – “Decisão da Justiça Federal foi o que obrigou Dnit a instalar quebra-molas na Rodovia do Contorno” -, que saiu originalmente na edição de 21 de março, afirmando que o jornal estaria “desmerecendo” o trabalho do parlamentar na instalação dos redutores de velocidade na Rodovia do Contorno (que ganhou várias capas em edições anteriores). A preocupação deles, bem clara, aliás, foi desmerecer o trabalho da Justiça Federal e o do aQui.
Eles estão errados. Em primeiro lugar, a ação civil pública que originou a decisão da Justiça Federal obrigando o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) a instalar os equipamentos foi aberta em 13 de janeiro, a pedido da prefeitura de Volta Redonda, sendo encampada pelo Ministério Público Federal (MPF). Ou seja, nada a ver com Jari.
Nessa data, exatamente, todas as partes do processo – prefeitura de Volta Redonda, MPF e Dnit – foram comunicadas do processo e tomaram ciência do seu inteiro teor. Detalhe: isso ocorreu 13 dias antes da primeira visita que os técnicos do Dnit fizeram, em 26 de janeiro, à Rodovia do Contorno, quando, coincidência ou não, estavam acompanhados pelo deputado estadual. A foto dos três, inclusive, foi capa do aQui e nem o parlamentar chiou da publicação.
Tem mais. O Dnit já sabia desde 2018, quando Jari era apenas um vereador, que era responsável pela manutenção ou qualquer obra que fosse feita na rodovia, como comprovam documentos do governo do Estado aos quais o aQui teve acesso. Portanto, quando a série de acidentes no trecho da Contorno, em frente ao Jardim Mariana, começou a ocorrer, o Dnit já sabia que seria de sua responsabilidade tomar uma atitude, qualquer que fosse ela, para diminuir o problema. Com ou sem pressão política.
O engraçado é que o processo (20220002664/2022 PRM-VTR-RJ -0000227/2022) corre em segredo de justiça, e por isso a reportagem do aQui não conseguiu saber exatamente quando saiu a sentença da Justiça Federal determinando ao Dnit a instalação dos redutores, como medida de emergência, conforme processo iniciado pela prefeitura de Volta Redonda. O que se sabe é que os quebra-molas foram instalados no dia 4 de março (com direito a nova capa do aQui). E que, finalmente, no dia 14 de março, o Dnit comunicou à Justiça Federal que havia cumprido a sentença referente ao processo iniciado pela prefeitura de Volta Redonda.
Pena que a divulgação da sentença e o cumprimento dela por parte do Dnit só foram tornados públicos no dia 17 de março, conforme release da assessoria de imprensa da Justiça Federal. Se Jari queria realmente “ser o pai da criança”, não deveria desmerecer o próprio Dnit, a Justiça Federal, o Ministério Público Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Militar, a prefeitura de Volta Redonda e a secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana, e ainda os moradores do Jardim Mariana que, com medo dos acidentes, pressionaram as autoridades para tomar uma atitude. Todos estes envolvidos se reuniram diversas vezes, desde o final de 2021, buscando uma solução para o problema. Aliás, não há registro de Jari participando desses encontros. Feio é querer se vangloriar sozinho de um trabalho que foi um esforço coletivo. Fica a dica.
Em tempo, Jari sempre teve bom espaço no aQui para divulgar seus feitos (ver página 2 desta edição)

