Por Mateus Gusmão
A tarefa, no momento, é indigesta. Derrotar Neto nas urnas em 2024, quando
o atual prefeito tentará chegar ao sexto mandato à frente do Palácio 17 de Julho. Mas o empresário Mauro Campos Pereira, o Maurinho, dono de uma das maiores construtoras da cidade do aço e ainda do Portal da Saudade, não se assusta nem com cara feia. Tanto que, em entrevista exclusiva ao aQui, ele fez questão de afastar boatos de que estaria prestes a desistir da pré-candidatura pelo PL, legenda que é comandada por Jair Bolsonaro. “Nossa pré-candidatura segue de pé e muito de pé”, disparou.
Na entrevista, Maurinho ainda falou da possibilidade de o governador Cláudio Castro, que é do seu partido, apoiar Neto, em vez de sua candidatura. Disse até que vai conversar com o governador no momento certo. Mas não se assusta caso o apoio de Castro seja mesmo para Neto. “Os votos dele (Cláudio) em Volta Redonda foram dados pelo Bolsonaro”, ironizou Mauro Campos, confiando na força dos eleitores de direita. O empresário ainda falou sobre sua relação com vereadores, a composição com outras legendas e o que espera de um vice-prefeito.
Confira a entrevista completa ao aQui:
aQui: O senhor segue como pré-candidato a prefeito de Volta Redonda?
Mauro Campos Pereira: Realmente, nossa pré- candidatura segue de pé, e muito de pé. A nossa avaliação é superpositiva. Estamos tendo uma receptividade muito grande. Há uma necessidadede mudança. Mas uma mudança efetiva, por alguém que tenha experiência internacional, experiência em vários segmentos como líder sindical patronal, tesoureiro da federação nacional de indústria. É uma mudança com outra visão. E não só uma visão focada na política e na politiqueira. E isso que a população tem nos mostrado nas ruas e acima até do que nós esperávamos.
aQui: O partido já fez alguma pesquisa de intenção de voto na cidade? Como foi? Mauro: O partido está fazendo uma pesquisa que já deve estar rodando na cidade. Nós fechamos o questionário na semana passada com a regional do partido. E nós do PL em Volta Redonda também vamos fazer uma, um pouco mais ampla, com mais perguntas, analisando mais o cenário.
aQui: O senhor se sente seguro de que terá apoio das lideranças do PL para sua candidatura? Mauro: Eu acredito que sim. Nós chegamos ao PL pelas mãos do senador Carlos Portinho, do deputado estadual Anderson Moraes e, é claro, do presidente do partido no Rio, o deputado federal Altineu Cortes. Também de outras autoridades. Eu acredito que esse apoio se mantenha. Temos feitos um bom trabalho. Agora temos o PL Volta Redonda fortalecido, coisa que não tínhamos na cidade. Nós ressurgimos o partido, todo mundo sabe que a legenda tem atuado na cidade. Lançamos o PL Mulher, para ter mulheres candidatas e mulher eleita como vereadora. Portanto eu não vejo porque eu ter qualquer insegurança. Temos apoio do presidente Bolsonaro, do presidente do PL nacional, o Valdemar da Costa Neto. Então não tenho motivo para ter insegurança.
aQui: Segundo o Diário do Vale, o governador Cláudio Castro teria dito que vai apoiar a reeleição do prefeito Neto. Como o governador é do seu partido, ainda espera contar com seu apoio no pleito do ano que vem? Mauro: Eu li essa matéria. Eu acho que o governador, que faz parte do nosso partido, tem uma grande amizade com o Neto. Mas acho que há um desconhecimento do que se passa na região. Ele (governador) só foi nos lugares que foram preparados para recebê- lo. Ele não foi na Rua 33, na construção da nova ponte do Aero, não viu a troca de calçadas que já estão com muito buraco. Então ele não sabe. Acho que tem que se respeitar a opinião pessoal, ele é um homem sério, lutando muito pelo estado. Eu até vi nessa matéria dizendo que ele teve 80 mil votos em Volta Redonda por conta do Neto. Eu queria até lembrar para o governador que ele teve muito próximo da votação do Bolsonaro (o ex-presidente teve 91 mil votos) por conta do Bolsonaro. Muito dos votos foram por conta do nosso líder maior que é o Bolsonaro. O governador é um homem sensato, correto. E vamos sentar na hora certa para conversar. Mas já ouvi de algumas pessoas que ele pode apoiar o Neto e deixar a equipe, como secretários, a vontade para caminhar com quem quiser.
aQui: O senhor esteve presente ao evento do governo do Estado no Comercial e ao almoço com a CSN? Qual foi o motivo da sua presença?
Mauro: Eu sou um grande empresário do Sul Fluminense. Eu fui convidado pelo governo do Estado para participar tanto no Clube Comercial quanto do almoço com a CSN. Eu entendi que era uma iniciativa do governo do Estado, que é do meu partido. Até me surpreendeu não ter sido citado como presidente do PL em Volta Redonda. Acho até que foi indelicado isso, mas nem sempre o cerimonial acerta. O motivo da minha presença foi esse.
aQui: Recentemente, o senhor usou as redes sociais para elogiar a atuação do vereador Raone, que é de esquerda. E também já esteve em eventos com o Hálison Vitorino. Isso não pode acabar confundindo seu eleitor?
Mauro: Eu acho que o Raone faz um trabalho importante. A nossa educação está ruim a cada ano. Eu acho que o Raone, o Rodrigo Furtado e o Walmir Vitor são de oposição, mas não são inimigos. Quem paga o salário deles são os munícipes. Então é necessário fazer essa fiscalização e tem que ser elogiado quando fazem. Acho que o pior é quem se omite. Não me parece que nada o desabone, como não desabona o Hálison que também esteve em eventos conosco, principalmente conservadores. O Raone tem uma tendência de esquerda, mas não quer dizer nada nessa questão de buscar apoio e de fiscalizar. O presidente da Câmara, Paulo Conrado, tem feito um bom trabalho, fez um evento agora recente contra o aborto. O que é bom é bom , o que é ruim é ruim. Independente de ideologia. Meu partido é Volta Redonda, o Rio e o Brasil.
aQui: Como avalia a atuação da Câmara de Volta Redonda?
Mauro: As pessoas criticam muito a Câmara. Mas o maior problema da Câmara é a submissão. E essa submissão não foi instalada pelos vereadores e sim pelo prefeito. Ele que coloca os vereadores em uma situação que é a seguinte: quem está comigo tem tudo e quem não está comigo não tem nada e é massacrado. Eu acho que isso acabou por fazer com que a Câmara se tornasse secundária. Nós temos bons vereadores na Câmara, parlamentares preparados. Mas como diz o ditado antigo, o uso do cachimbo deixa a boca torta. A Câmara ficou subjugada. A Câmara tem o papel de fiscalizar e legislar.
aQui: Falando em Câmara, como está a montagem da nominata de candidatos pelo PL?
Mauro: Nós estamos tentando manter ela o mais firme possível. No início, até por conta da nossa inexperiência nesse tema, nós começamos a acertar com algumas personalidades e o prefeito ia e contratava essa pessoa, dava alguns cargos. Então estamos mantendo isso em sigilo. Temos vários nomes. Mas isso só vai se definir mesmo na janela partidária em março. Está na hora de não ficar expondo, divulgando. Nosso partido será pautado pela lisura.
aQui: O senhor já está buscando um candidato a vice-prefeito? Quem seria?
Mauro: Essa questão será tratada lá na frente. Especular o vice é fechar janelas. Na pouca experiência que tenho, mas usando muito a inteligência, entendo que escolher um vice agora é fechar portas e alianças. O vice tem que ser alguém competente, com vitalidade, novo, com força de trabalho e, principalmente, pensando que na falta do prefeito o vice terá que assumir. E não só pensar em quem vai trazer só voto. Isso também é claro que também depende dos partidos que vão caminhar com a gente. Partidos que vão comungar com uma ideia de cidade progressista, gerando emprego, com saúde, educação, respeitando a terceira idade, com projetos sociais duradouros. Ninguém come calçada, vive de asfalto e passa a vida em cima de um viaduto. A gente precisa de uma nova visão, um novo horizonte para Volta Redonda.

