quarta-feira, maio 25, 2022
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“Massa de manobra”

Trabalhadores dizem não à direção da empresa

Os trabalhadores da CSN rejeitaram, por 6040 votos, a proposta da empresa para a renovação do acordo coletivo 2022. A votação aconteceu ontem, sexta, 8, na Praça Juarez Antunes, e previa um reajuste de 8,1% para quem ganha até R$ 3 mil e 5% para quem recebe acima deste valor. Como os percentuais estão abaixo do INPC (10,8%), o Sindicato dos Metalúrgicos sugeriu que os trabalhadores rejeitassem a proposta no voto. Já a oposição queria que os operários boicotassem a votação. A estratégia não deu certo. Pelo apurado, apenas 39 votaram a favor da proposta da CSN, e outros seis anularam o voto ou votaram em branco.
A proposta da CSN previa também um abono de 76% do target correspondente a 1,9 salários para cargos operacionais e R$ 400 por mês no cartão-alimentação, com crédito extra de R$ 800 em duas parcelas de R$ 400 – uma agora e outra em dezembro. Com a rejeição, o Sindicato dos Metalúrgicos vai iniciar uma nova rodada de negociações com a empresa. “Queremos 12%. Em fevereiro, o INPC estava em 10,8% e a gente acredita que até o final de abril esteja em 11,5 ou 12%”, especulou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Silvio Campos, em entrevista na quinta, 7.
Silvio também revelou que esteve em São Paulo na terça, 5, para uma reunião com a CSN sobre o Acordo Coletivo de Trabalho. Foi neste encontro que a empresa ofereceu a proposta recusada pelos operários. “Não rejeitamos na mesa, porque o dono da empresa estava na negociação (Steinbruch) e disse que queria ver se os funcionários iriam mesmo rejeitar a proposta. Então decidimos levar para mostrar pra ele que os trabalhadores não querem isto”, contou Silvio.
O que ele não esperava era que, enquanto negociava em São Paulo, um grupo de operários cruzava os braços na UPV em protesto contra o Sindicato tentando forçar a CSN a negociar diretamente com a categoria. Nos dois dias seguintes, já com o grupo sendo comandado pela oposição sindical, novos protestos aconteceram, com um número maior de trabalhadores mobilizados. Falavam em greve, queriam aumento de 30% e ainda o pagamento da PLR.
Para Silvio, os operários foram manipulados. “Eles querem ganhar o Sindicato, então estão usando os trabalhadores para isso, porque não querem assumir. Se assumirem, pode dar um problema para eles e terão que arcar com a responsabilidade, mas toda orientação parte da oposição”, contou, acrescentando que o movimento teve a adesão de cerca de 800 metalúrgicos – o que representa 8% em um universo de 10 mil funcionários. “Eu só acho que esses 800 estão se deixando manipular, eles deviam estar aqui, lutando aqui. Mas estão sendo usados como massa de manobra por aqueles que querem a liderança sindical”, desabafou. “Entendemos que a oposição é saudável porque estamos num processo democrático, mas ela é saudável quando aparece, quando dão as caras. Eles estão usando trabalhadores que não têm estabilidade. Os caras não são cipistas. Podem ser demitidos a qualquer hora”, alertou Silvio.

Telegram
Segundo informações, o grupo que promoveu as primeiras manifestações e que se intitulava independente usou o aplicativo Telegram para mobilizar os trabalhadores. Fizeram isto em protesto por condições seguras de trabalho (citaram o alto índice de acidentes na UPV, com mortes ou invalidez de acidentados) e também porque se sentiram motivados a reivindicar direitos, depois que uma greve foi deflagrada na CSN Congonhas.

Versão da CSN
Na quinta, 7, a CSN divulgou um Chama (boletim interno) comunicando que “segue aberta a negociação com os seus empregados, por meio de seus representantes legais, para reuniões que envolvam os interesses dos trabalhadores”. No mesmo dia, confirmou a reunião em São Paulo com a direção do Sindicato e lembrou que a data-base para negociação do ACT é 1° de maio, portanto, estaria dentro do prazo legal. E frisa que a empresa só pode negociar com o Sindicato dos Metalúrgicos e que não reconhece a legitimidade dos movimentos paralelos que estão acontecendo dentro e fora da UPV.

Votação
A votação da proposta da CSN começou ontem, sexta, 8, exatamente às 6h06min, quando um operário, usando roupas normais e não o uniforme de trabalho, se apresentou para votar. Em questão de minutos, cumpriu o seu dever e ao sair foi chamado de pelego por sindicalistas da oposição. Aliás, o clima estava pesado e era nítida a impressão de que um grupo de cerca de 80 funcionários estava pronto para impedir a votação. Um deles, abusado, se postou em frente ao presidente do Sindicato, Silvio Campos, e o confrontou em voz alta. “Você viu as manifestações?”, indagou, referindo-se aos protestos da classe na noite anterior. “Quantos peões estavam lá”, insistiu. Como não obteve respostas, saiu falando em voz alta. “Você não sabe contar, né. Você é um pelego”, acusou. Silvio, por sua vez, não perdeu a calma. Fez bem!

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