quarta-feira, maio 25, 2022

Jogo aberto

Munir Francisco deixa governo para se dedicar à pré-campanha para a Assembleia Legislativa

O primeiro sábado de abril, dia 2, foi o primeiro em que Munir Francisco acordou sem ter a obrigação de fazer alguma coisa para o governo do prefeito Neto, que é seu irmão. Poderia até dedicar algumas horas à família, o que foi uma tarefa incomum desde que assumiu a pasta da Ação Social em janeiro de 2021. Seu sossego, entretanto, durou pouco. Logo o telefone tocou. Do outro lado estava Neto, convocando-o para dar início à sua pré-campanha como candidato à Assembleia Legislativa do Estado do Rio. Munir, óbvio, se despediu dos filhos, deu um beijo na esposa e foi à luta.
Em entrevista exclusiva ao aQui, Munir jogou aberto, falou de tudo, explicou os motivos para tentar, pela segunda vez, se eleger deputado estadual. Abortou a tese de que estaria testando seu nome como sucessor do irmão, o prefeito Antônio Francisco Neto, e prometeu apoiar a candidatura de Cláudio Castro, candidato à reeleição pelo PL, mesmo tendo se filiado ao PSD – que terá como candidato o ex-presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz -, legenda que é comandada pelo prefeito carioca Eduardo Paes, do DEM.
Munir não fugiu de nenhuma pergunta elaborada pelo aQui e respondida por ele via e-mail. Falou até sobre o fato de três ex-vereadores estarem no governo do Neto, o que poderia indicar que só foram aproveitados para ajudarem na sua campanha. “Nada disso”, disparou.
Veja abaixo a entrevista exclusiva de Munir:

aQui: Por que trocar o certo, que era comandar a poderosa pasta da Ação Social, pelo duvidoso, de se eleger deputado estadual?
Munir Francisco: Tenho certeza que Volta Redonda só tem a ganhar com a eleição de um deputado estadual que seja alinhado com as ideias do prefeito Neto, com o desejo de ver a cidade reconstruída e vivendo seus melhores dias de novo. Tenho convicção que o povo de Volta Redonda só tem a ganhar com a eleição de uma pessoa com esse perfil.
O momento exige isso e deixamos na Smac uma equipe extremamente competente, capaz de manter o trabalho de reconstrução da rede social e ir além. Veja só: em apenas um ano reabrimos 33 Cras, nossos centros de convivência, ampliamos a capacidade do Abrigo Seu Nadim, reabrimos uma fábrica de fraldas e inauguramos a segunda (que faz também absorventes femininos), os Centros Dia do Idoso, do Idoso com Alzheimer e da Pessoa com Deficiência. Mas temos de ir além e é o que desejo poder ajudar onde eu estiver.
aQui: Por que tentar de novo, e o que muda na sua campanha em relação às eleições de 2018?
Munir: Nós tentamos em 2018 frear o processo de deterioração dos serviços públicos em Volta Redonda. Estava na cara que a coisa não ia bem e não estava dando certo. Tivemos uma boa votação, mas foi uma eleição pesada e com a máquina trabalhando contra. A máquina trabalhou muito contra quem desejava e poderia realmente ajudar a cidade. Deu no que deu.
Agora, com o Neto na prefeitura, o processo de reconstrução da cidade está sendo colocado em prática, mas é óbvio que precisamos ajudar. Por exemplo, o governo vai construir o Hospital da Criança e precisa muito de um representante alinhado para conseguir o necessário para manutenção desse serviço.
aQui: O senhor, caso seja eleito, irá cumprir o mandato na Alerj ou vai reassumir a secretaria de Ação Comunitária, abrindo assim a vaga para um suplente da legenda?
Munir: Ainda estamos em uma fase de pré-campanha e isso tem de ficar claro. Mas se um dia for eleito vou cumprir o que a população me permitiu.
aQui: Por que deixou o PTB para se filiar ao PSD, legenda comandada pelo Eduardo Paes (DEM), que vai apoiar Rodrigo Neves (PDT), ex-prefeito de Niterói, como adversário do governador Claudio Castro?
Munir: Na verdade, o possível candidato do PSD é o Felipe Santa Cruz. Mas tanto eu quanto o Neto já avisamos a todos que nosso desejo é apoiar a reeleição do governador Claudio Castro. Isso até mesmo por uma questão de gratidão, pois sem o governador, Volta Redonda teria ainda mais dificuldades para se reerguer.

aQui: O senhor conhece o Rodrigo Neves, do PDT, que terá apoio do Paes? O que acha dele? Vai fazer campanha para ele em Volta Redonda e região? Quais seriam os planos dele para a cidade do aço?
Munir: Já respondido acima.

aQui: O Neto vai gastar sola de sapato ao seu lado para fortalecer sua pré-candidatura?
Munir: O Neto está com uma carga muito pesada para reconstruir Volta Redonda. As pessoas não têm dimensão de como as coisas estão difíceis. O que ele fez no primeiro ano foi surreal, ao conseguir colocar e manter os salários dos servidores em dia. Agora, as obras de mobilidade urbana que foram traçadas no primeiro ano já estão deslanchando. Acredito que em breve comecem também obras na UPA do Santo Agostinho e Hospital do Retiro, entre outras. Em breve a população vai ter uma cidade nova, literalmente. Diante de tudo que ele vem fazendo, o tempo que ele puder dispensar para ajudar na campanha será muito bem vindo.

aQui: O senhor já teria algum projeto voltado exclusivamente para a Terceira Idade para apresentar na Alerj, caso seja eleito? E em termos de Ação Social, o que poderia apresentar?
Munir: Temos muita coisa boa para discutir em nível estadual. O maior projeto no momento, no entanto, seria garantir que todos os projetos já desenvolvidos atinjam novamente a plenitude. Esse um dos nossos sonhos.

aQui: Volta Redonda já teve alguns deputados estaduais, depois perdeu espaço e hoje não tem nenhum parlamentar. Qual é a importância de ter alguém lá na Alerj?
Munir: Ter alguém na Alerj pode ser benéfico demais para a cidade, principalmente a meu ver se for alguém disposto a ajudar o governo. Alguém que não coloque projetos pessoais e o carreirismo político na frente da missão mais importante para o momento: ajudar na reconstrução de Volta Redonda.

aQui: Como analisa o quadro político local pensando em 2024? Seu nome pode estar sendo preparado para suceder Neto?
Munir: Não há como pensar nisso agora.

aQui: O senhor contratou alguns ex-vereadores (Fernando Martins, Genilson Sukinho e Marquinhos Motorista) para trabalhar na Smac. Essa contratação teve algo a ver com as eleições deste ano?
Munir: O Fernando Martins está no Banco da Cidadania desde o início do mandato atual do Neto, com uma equipe muito capaz e dando muitos resultados. Acho que o Sukinho e o Marquinhos não estão na Smac, mas são pessoas que vêm das comunidades e ajudam muito a população.

aQui: O senhor concorda que o governador Cláudio Castro só olhou para o Sul Fluminense, em especial para Volta Redonda, cidade em que ainda não esteve desde que foi empossado, por conta das eleições deste ano?
Munir: Ele olhou para Volta Redonda desde o primeiro dia que assumimos. Pessoa sem igual no carinho e atenção dada ao nosso povo. Basta olhar os recursos que estão sendo liberados, as obras aprovadas.

aQui: Acha que se ele, Cláudio Castro, perder, os projetos para Volta Redonda serão abandonados? Já conversou sobre isso com Rodrigo Neves, seu candidato?
Munir: Os projetos já estão em andamento, não vejo razão para essa preocupação. Mas acho igualmente importante que o Cláudio Castro tenha chance de fazer um segundo governo.

aQui: O que o Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, já fez por Volta Redonda? E pelo seu grupo?
Munir: Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, é um amigo de longa data do Neto, que é prefeito de Volta Redonda.

Artigo anteriorDesnecessário
Artigo seguinte“Massa de manobra”
ARTIGOS RELACIONADOS

Crime animal

Pela via legal

Mistério a sete chaves

LEIA MAIS

Lazer

Mudo e com a mão no bolso

Seja bem vindo!
Enviar via WhatsApp