Foto: Luiz Vieira
AF-2, ao fundo, deveria ser o AF-4
Por Pollyanna Xavier
Há duas semanas, o aQui publicou em sua seção de Grampos que o Alto- Forno 2 da CSN (AF-2) tinha passado por uma manutenção preventiva e já estaria em plena operação. Os detalhes desta manutenção, como valores investidos, troca de peças, aumento da capacidade instalada, abertura (ou não) de postos de trabalho, dentre outras coisas, a empresa não informou. O que pouca gente sabe, e que foi surpresa até para o aQui, que sempre buscou reportar fatos históricos da UPV e da cidade do aço, é que o AF-2 na verdade é o AF-4. O equipamento de número 2 foi completamente demolido em 1983, e no seu lugar a CSN ergueu um novo forno, muito mais potente e moderno para a época.
Quem conta essa história é o engenheiro Sebastião Faria, vice-prefeito de Volta Redonda e diretor do Hospital São João Batista. Faria chegou a presidir a CSN na década de 1980 e lembra,
exatamente, a data em que o AF-2 foi ao chão: 19 de janeiro de 1983. “Minha memória não é tão boa, mas essa data não dá para esquecer. É o dia do meu aniversário”, contou, de forma bem- humorada. Segundo ele, a demolição do equipamento e a construção de um novo custaram três bilhões de dólares aos cofres do governo Federal – um investimento que elevou a capacidade instalada da (então) estatal para 3,8 milhões de toneladas/ano.
A reconstrução do AF-2 fez parte das obras do chamado Estágio III da Usina Presidente Vargas. O estágio teve início entre 1982 e 1983 e previa uma grande expansão na UPV, com o remodelamento e modernização dos principais equipamentos da usina: aciaria, fornos, lingotamento contínuo, laminadores e baterias de coque. Todos foram reformados, exceto o forno de número 2, que foi demolido para que outro forno fosse erguido em seu lugar. “Quando eu assumi, já estava no finalzinho do Estágio III, e nós inauguramos o novo alto-forno em 1987. Não sei por que não o batizamos de Alto-Forno 4, já que tínhamos o 1 e o 3. Na época, não nos atentamos a isso. Para nós, ele era o Forno 2 e continuou sendo”, contou Faria.
A montagem do novo forno ficou a cargo da antiga Cobrapi (Companhia Brasileira de Projetos Industriais), que também se encarregou da modernização dos demais equipamentos. “No estágio III nós construímos outra usina dentro da que já existia”, relembra Sebastião Faria, que permaneceu na presidência da CSN até 1993, quando a CSN foi privatizada. Nesta época, o Alto-Forno 1 produzia 1.800 toneladas por dia de ferro-gusa, o AF-2, o novo, produzia 4.200 toneladas e o AF-3, algo em torno de 1.900 toneladas/dia. Segundo Faria, a CSN até tinha um projeto de construir um quarto forno, mas a expansão acabou quando a empresa foi privatizada.
Atualidade
Mês passado, a CSN colocou em operação o AF-2 – que ficou parado por pouco mais de seis meses. Ele passou por uma manutenção corretiva, algo pequeno em vista do que foi feito no início da década de 1980. Mas foi suficiente para mantê-lo operacionalmente seguro até março de 2025, quando deverá passar por uma profunda reforma. Inaugurado em 1954, o AF-2 é responsável por mais de 30% da produção total da UPV e, com as correções previstas para 2025, pode dobrar sua capacidade instalada. A CSN não comentou o assunto, mas, no início de março, o diretor executivo da companhia, Luiz Fernando Martinez, confirmou que vários equipamentos da UPV passaram por manutenções e reformas recentes. O AF-2, certamente, entrou no pacote.



