Em entrevista exclusiva ao aQui, acerca dos 83 anos da Companhia Siderúrgica Nacional, a serem comemorados na próxima terça, 9 de abril, o prefeito Antônio Francisco Neto fez uma análise sobre a importância da siderúrgica para a cidade do aço e para o Sul Fluminense. “Quando a CSN vai bem, todos ganham”, resume. Neto comentou ainda a sua participação na história desde a privatização da empresa, quando ele se posicionou contra. “As posições tomadas no início da década de 90 ficaram e ficarão na história, estão lá registradas, com suas diversas versões, explicações e razões contextuais”, pontuou, garantindo que hoje, como prefeito, quer o bem da CSN e de Volta Redonda.
Veja abaixo a entrevista exclusiva de Neto:
aQui: No próximo dia 9 de abril, a CSN completará 83 anos de fundação. O que a data significa para o senhor e para a cidade do aço?
Antônio Francisco Neto: Temos de parabenizar todos aqueles que idealizaram a CSN, todos que ajudaram a construir a Usina Presidente Vargas (os nossos arigós), bem como aqueles que colocaram essa usina para funcionar. Principalmente, agora, é um bom momento para parabenizar todos que atualmente trabalham por lá. Do presidente ao funcionário que está lá no chão da fábrica, são eles que merecem os parabéns!
Foi graças à construção da CSN que nossa cidade – como a conhecemos hoje – teve origem. O desenvolvimento de Volta Redonda, principalmente nas suas primeiras décadas de existência, se deve quase exclusivamente à CSN. No entanto, ainda hoje é, sem dúvida, o maior exponencial de emprego, renda e de pagamento de impostos de nosso município. A CSN representa muito para a cidade, assim como a cidade para a CSN.
aQui: Ao longo das décadas a CSN chegou a ter cerca de 20 mil funcionários. Era a maior empregadora em Volta Redonda. Hoje, já não é mais, certo?! Foi ultrapassada pela própria prefeitura. Como o senhor analisa esse fato?
Neto: A CSN é quem mais gera empregos diretos e indiretos em todo o Sul Fluminense. Com as reformas em andamento no interior da Usina e com as ações para cumprimento do TAC, estamos tendo seguidas altas na geração de empregos no setor industrial em nosso município. Quando a CSN vai bem, quando está ativa e produzindo, nosso município ganha muito economicamente.
aQui: O senhor chegou, como deputado estadual, a ser contra a privatização da CSN. O senhor conhecia bem a CSN estatal? O que o levou a ser contra? Se fosse hoje, teria a mesma opinião? Neto: O que temos em mente é que queremos hoje uma Usina que produza cada vez mais e que polua cada vez menos. E isso estamos vendo acontecer com os investimentos que estão sendo feitos. As posições tomadas no início da década de 90 ficaram e ficarão na história, estão lá registradas, com suas diversas versões, explicações e razões contextuais. Como prefeito de Volta Redonda pela quinta vez, queremos agora olhar para frente e pensar formas de fazer uma cidade cada vez mais forte.
aQui: O senhor acha que o erro da comunidade e dos políticos foi brigar contra a privatização da CSN em vez de fazer reivindicações para o município se beneficiar com a situação?
Neto: Estamos em contato permanente com a direção da CSN para que empresa e cidade possam seguir se desenvolvendo de forma harmônica, olhando para frente e mirando um futuro melhor. Acreditamos que isso é possível e, felizmente, encontramos na CSN pessoas com essa mesma linha de pensamento. Neste ponto, gostaria muito de agradecer aqui ao Lira, ao Aurélio, à Helena, ao nosso amigo Luiz Paulo, ao Willians, à Ana Paula e tantas pessoas que lá trabalham e que buscam agregar neste ideal.
aQui: O relacionamento do senhor com a direção da CSN sempre foi problemático. Como está hoje?
Neto: Estamos em busca, como sempre estivemos, do que for melhor para nossa população. A relação é muito boa, respeitosa e sempre tentando convergir no que for melhor para Volta Redonda e empresa.
aQui: O senhor já tentou negociar várias situações com a CSN, e até hoje elas continuam sem solução. É o caso do Escritório Central, do Centro de Puericultura, entre outras. Por que o senhor e Benjamin Steinbruch não chegam a um acordo?
Neto: Por outro lado, temos muitas situações em que convergimos. As negociações são normais, ocorrem quase diariamente, e tenho certeza que tudo que for acertado enquanto eu for prefeito será pelo bem da cidade.
aQui: Quando o senhor se reúne com Steinbruch, quem é o mais irredutível? Neto: Todas as reuniões com a direção da CSN são produtivas.
aQui: Alguns grupos radicais chegam a defender o fechamento da Usina Presidente Vargas por conta de problemas ambientais, como os da escória e pó preto. Se algum dia a CSN fechar, o que será de Volta Redonda?
Neto: Vivemos em um país democrático, onde todos têm o direito de se manifestar. Preferimos tentar resolver estes problemas de maneira conjunta, preferimos nos colocar à disposição para ajudar. Nossa opção é por ajudar a manter a CSN firme, operando bem e com um olhar cada vez mais sensível ao nosso povo.
aQui: Até um tempo atrás, os aniversários da CSN eram comemorados com festas. Hoje, a data passa batida, ninguém mais bate palmas. Por que a cidade do aço deixou de comemorar o aniversário da CSN?
Neto: Quem sabe isso não pode ser retomado um dia… Seria ótimo para todos.

