Por Pollyanna Xavier
Na quarta, 3, a CSN e o Sindicato dos Metalúrgicos se reuniram para negociar o acordo coletivo 2024/25. Os dois lados foram à exaustão. É que a CSN apresentou a mesma proposta já aprovada pelos trabalhadores da GalvaSud (CSN Porto Real), e o G5 não aceitou. Sem avanços, o grupo decidiu levar a proposta da empresa à apreciação dos trabalhadores na próxima quarta, 10, na praça Juarez Antunes, das 6 às 17 horas.
A cédula da proposta terá apenas as opções ‘sim’ e ‘não’ e consiste em um abono de 1,75 salário, a ser pago já no dia 19 de abril caso seja aprovada, e ainda um reajuste salarial de 3,4% para quem ganha até R$ 5 mil, incluindo supervisores e técnicos, e 2,4% para salários superiores a R$ 5 mil. A proposta pedida pelo Sindicato inclui um reajuste que vai de 11 a 22%, para garantir as perdas salariais dos anos anteriores.
Outro item proposto pela CSN é o cartão- alimentação, que no ano passado teve um reajuste de 50%, dobrando o valor de R$ 500 para R$ 1.000. Neste ano, a empresa ofereceu 3% de reajuste, o que elevaria o valor para R$ 1.030. Ainda sobre o cartão, a
CSN ofereceu um crédito extra de R$ 900, sem a participação de 5% do trabalhador, como forma de compensar e renovar o banco de horas extras. Para o auxílio- creche, que também integra os itens econômicos da pauta, a empresa ofereceu um reajuste de 3,1%, passando dos atuais R$ 677 para R$ 698.
A mesma proposta foi aprovada pelos trabalhadores da CSN Porto Real no último dia útil de março (28) e teve como mediadora a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Estado do Rio. Foram 266 votos favoráveis (88,96%) e 31 contrários (10,37%). Ontem, sexta, 5, a empresa liberou o pagamento do abono de 1,7 salário, creditando os valores na conta dos operários da GalvaSud. “Nós não concordamos com essa proposta e só não rejeitamos na mesa porque entendemos que quem tem que rejeitar é a base, e não o Sindicato. Os trabalhadores têm direito de escolher se querem essa proposta ou não. Nossa orientação é pela rejeição”, avisou Leandro Vaz, diretor jurídico do Sindicato.
Para Leandro, a CSN tem condições de melhorar a oferta, especialmente nos itens da PLR, reajuste salarial e plano de saúde. Quanto a esse último, o Sindicato reivindica a migração do regime para nacional. Quer se ver livre da ICC, que substituiu o Bradesco Saúde. Sobre a PLR/Abono, Leandro citou os investimentos bilionários que a CSN fez na UPV, com a troca e manutenção dos equipamentos, e ainda o lucro líquido obtido pela empresa no último trimestre do ano passado, e por isso acredita que ela tem gordura para oferecer um valor mais alto.
Edimar
O ex-presidente do Sindicato, Edimar Miguel, não participou das duas reuniões com a CSN durante a semana. Ele foi impedido não apenas pelo G5, mas também pela própria empresa, que em geral negocia apenas com a executiva do órgão, e, desde o final de fevereiro, Edimar não faz mais parte da direção executiva. Aliás, nem diretor por Local de Trabalho – cargo para o qual foi remanejado – ele é. A verdade é que o ex- líder sindical não assinou o termo de posse no novo cargo, deixando-o, literalmente, em vacância.
Por falar em cargo, o G5 conseguiu fazer a alteração da nova composição do Sindicato na base de dados do Ministério do Trabalho e Emprego, em Brasília. A mudança foi realizada no dia 3 de março e, curiosamente, tanto Odair Mariano quanto Edimar Miguel aparecem como presidente. Odair, no topo da lista e Edimar na base. Segundo o aQui apurou, isto aconteceu porque, apesar de deposto do cargo de presidente, Edimar não assinou o termo de posse na secretaria por Local de Trabalho, fazendo com que a fruição ao novo cargo não se efetivasse. Como a questão será resolvida, o G5 não explicou. Uma coisa é certa: Edimar ainda se intitula presidente do Sindicato e, como tal, gravou um vídeo e o postou em suas redes sociais, dizendo que foi impedido de participar da reunião do acordo coletivo com a CSN. A proibição foi interpretada por ele como uma “grave violação aos direitos sindicais”. É aquilo: cobrou os direitos e esqueceu dos deveres.
CIMENTOS – Ontem, sexta, 5, os trabalhadores da fábrica da CSN Cimentos, em Arcos (MG), aprovaram a proposta para o acordo coletivo 24/25 com abono de 2023. De um total de 489 votos, 363 (74,23%) disseram Sim e 126 votos (25,77%) votaram Não. Os trabalhadores da CSN Cimentos de Volta Redonda vão decidir na segunda, 8, se aceitam ou não o acordo proposto pela empresa.



