Lampejo de consciência

Tetê muda para setembro retorno das aulas na cidade

Vinícius de Oliveira

A secretária de Educação de Volta Redonda, Therezinha Gonçalves, não é muito de dividir espaços entre os profissionais da área. A primeira reunião que teve com os diretores só aconteceu em março. Em tempos de Covid-19, ela só foi vista em uma live, ao lado de Neto, no dia 1 de junho, quando anunciou a vacinação de professores e funcionários das escolas. Depois, sumiu. Reapareceu na quarta, 23, para dizer que as aulas não retornarão mais em agosto, mas, sim, no dia 13 de setembro. “As aulas vão retornar efetivamente, em modelo híbrido, só em setembro, depois da segunda dose da vacina e de esperar os efeitos dela”, avisou Tetê, referindo-se à janela de imunização que compreende um intervalo de 14 dias.
A notícia deixou professores radiantes e pode colocar areia nas intenções do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe-VR), que, na semana passada, decretou um estado de “Greve pela Vida”, após um grupo de funcionários administrativos exigir do órgão um posicionamento pelo fato de estarem há mais de um ano indo às escolas sem qualquer proteção, enquanto os docentes garantiam sua carga horária protegidos em casa. Sem a pressão dos professores, no entanto, a adesão ao movimento foi baixíssima e pode não vingar.
Versões conflitantes
O pastor e vereador licenciado Washington Uchôa, que responde pela recém criada secretaria da Pessoa com Deficiência, está ávido para mostrar serviço. Na quarta, 23, postou em suas redes sociais a notícia de que a prefeitura de Volta Redonda não iria mais implicar com profissionais da Educação que têm direito à redução de 50% da carga horária para cuidar de PCDs (Pessoas com Deficiência).
Vale lembrar que a prefeitura recorreu à Justiça para revogar a lei que concede o benefício a esses profissionais alegando inconstitucionalidade. Em sua postagem, Washington disse que foi graças a um pedido seu que Neto voltou atrás. “Procurei o prefeito Neto, que foi muito sensível à causa e nos recebeu para uma reunião. Ele fez um decreto estendendo a lei até setembro deste ano, para que medidas sejam tomadas e tudo se regularize”.
Mas não foi bem assim, como conta o pastor. Segundo o departamento jurídico do Sepe, Neto foi, na verdade, obrigado pela própria Justiça a voltar atrás. “O Sepe/VR esclarece que o pedido de medida cautelar requerido pelo Prefeito Neto ao Órgão Especial do TJ/RJ com a finalidade de RETIRAR O DIREITO DOS SERVIDORES foi NEGADO, e que, por isso, não restou ao Município outra opção senão cumprir a lei. Não há qualquer sensibilidade por parte de Neto, e sim submissão a uma decisão judicial. Se a liminar fosse deferida, provavelmente o Prefeito diria: ‘como é inconstitucional infelizmente não posso cumprir’, mas como ela foi negada, mesmo “perdendo”, parece que tentou pegar carona”.
Neste contexto, o Sepe também ajuizou uma ação coletiva visando à manutenção do direito à redução de 50% da carga horária de trabalho para os profissionais de educação municipais que sejam responsáveis legais por pessoas portadoras de necessidades especiais.

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