Por Mateus Gusmão
Enquanto a secretaria de Ordem Pública do Palácio 17 de Julho se preocupa mais em cortar árvores e acabar com as poucas bancas de jornais existentes (ver página xx), os volta-redondenses vivem inseguros pelas ruas do município. Para se ter uma ideia, de janeiro a outubro deste ano foram registrados mais de três furtos ou roubos por dia em Volta Redonda. Ou seja, até prova em contrário, não tem valido nada a instalação de 700 câme-ras de monitoramento pelo município. Pior. Nem a ‘presença’ das famosas duplas de Cosme e Damião da Polícia Militar consegue reduzir o clima de insegurança na cidade do aço.
Os dados sobre roubos e furtos, antes que digam que é obra de uma fake news, são do Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão do governo do Estado. E eles mostram que foram registrados na 93a Delegacia de Polícia, nos dez primeiros meses do ano, o total de 851 furtos. O mês com maior número de furtos foi o de março, com 99 registros. Detalhe: são somados nesses dados os furtos a transeuntes (58), de bicicletas (11), aparelhos celulares (93), veículos (151), em coletivos (16) e outros não detalhados (522).
Já o número de roubos chega a 226 de janeiro a outubro. Nesse caso são somados os roubos a estabelecimentos comerciais (40), a residências (8), a transeuntes (88), de aparelhos celulares (25), de caixas eletrônicos (1), e em transporte coletivo (1), além de outros tipos de roubos não detalhados (63). Somando todos os roubos e furtos, eles chegam a 1.077 em dez meses, segundo o ISP.
Mas o que está ruim pode ser pior. É que pode estar havendo uma sub-notificação dos casos de roubos e furtos em todo o Brasil. Pelo menos é o que mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do último trimestre do ano passado, divulgada na terça, 7. O levantamento aponta que grande parte dos roubos e furtos ocorridos no país não chega ao conhecimento das autoridades policiais.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em apenas 44,8% dos casos de furto na rua, as vítimas relataram ter procurado a polícia. Mesmo entre essas pessoas, nem todas registraram a ocorrência. Daqueles que procuraram ajuda da autoridade policial, 11,2% decidiram não fazer o registro formal na DP. Nos casos de roubo, 57,9% das vítimas assaltadas na rua não procuraram ajuda da polícia, assim como 57,1% daquelas que foram roubadas dentro de casa e 52,4% daquelas que foram forçadas a entregar sua bicicleta ao assaltante.
Assim como no caso do furto, mesmo entre aquelas que procuraram ajuda policial, nem todas fizeram o registro de ocorrência na delegacia. Entre os motivos para não procurar a polícia nos casos de roubo, entrevistados pela Pnad destacaram: não acreditavam na polícia (26,9%), recorreram a terceiros ou resolveram sozinhos (24,3%), a falta de provas (15,2%) e o medo de represália (12,8%).
Os casos de roubos e furtos citados não consideram os crimes envolvendo a subtração de veículos, que a pesquisa do IBGE considerou separadamente dos roubos/ furtos em rua ou daqueles ocorridos dentro do domicílio. Nos casos de roubo/furto de carros e motos, a subnotificação é bem menor. Com relação aos carros, em 80,3% dos furtos e em 91% dos roubos a vítima recorreu à polícia. No caso das motos, 84,9% dos furtos e 82,5% dos roubos chegaram ao conhecimento de alguma autoridade policial.
Segurança no fim de ano
Como a esperança é a última que morre, os representantes da segurança pública de Volta Redonda prometem agir para garantir um fim de ano mais tranquilo para a população local. Para evitar os delitos, melhorar o fluxo e a mobilidade dos consumidores que frequentam os centros comerciais, serão feitas fiscalizações em diversos bairros e nas entradas da cidade. O ônibus da Ordem Pública está na Vila Santa Cecília (estacionado em local indevido, grifo nosso) e monitora as imagens de toda a área, que são recebidas pelas câmeras externas e também geradas por câmeras próprias. “As
operações integradas com as polícias Civil e Militar e a GM reforçarão o trabalho que já vem sendo feito pelos agentes, que contam com as imagens das câmeras de monitoramento. Vamos convidar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para participar”, assegura o tenente-coronel Luiz Henrique.
O reforço na segurança também estará na Avenida Amaral Peixoto e na Vila, com os agentes da Operação Segurança Presente, além do Retiro, Aterrado e shoppings, que vão receber as equipes da secretaria de Ordem Pública, da GM e da Polícia Militar. Porém, todos os bairros serão atendidos, como o Santo Agostinho, 207, São Luiz, Ponte Alta, entre outros. “A ideia é fazer o trabalho integrado com as demais forças de segurança”, disse o major Faleiro, do 28o BPM.
O delegado Luiz Jorge Rodriguez, da 93a DP, afirmou que “as fiscalizações serão feitas simultaneamente em mais de um local, principalmente onde foram detectadas a mancha criminal”, disse. O comandante da GM, inspetor Silvano de Paula, ficou encarregado de planejar os locais e, junto com os demais, “fazer um rodízio entre as forças de segurança para que todas participem das ações”, salientou.

