Pollyanna Xavier
Ontem, sexta, 24, foi o último dia para que as chapas que disputam as eleições para o Sindicato dos Metalúrgicos trocassem os nomes dos candidatos impugnados. O detalhe é que todas estão com nomes sendo vetados, mas a chapa 3, vejam só, apesar de ser uma das mais fortes, surpreendeu: teve 17 nomes negativados e não poderá continuar na disputa. O número representa quase a metade da composição da chapa, que é liderada por Vitor Raymundo Junior, o Vitor Véio. Ele também teve o nome impugnado, mas já avisou que permanece na corrida. Pior. Garante que não vai substituir ninguém. “Não tem ninguém irregular. O que existe é um débito com o Sindicato que eles querem pagar, mas estão sendo impedidos”, explicou.
O débito é financeiro, no sentido literal mesmo. Refere-se às mensalidades que os 17 metalúrgicos ou ex-operários devem ao Sindicato, que não foram recolhidas por eles dentro do prazo. E como estão abertas – e atrasadas –, tornam-se, segundo o próprio estatuto, um impeditivo para que disputem qualquer cargo eletivo na instituição. “Eles querem pagar, já pediram o valor total, mas estão impedindo eles de pagarem o que devem. Tem gente tentando pagar desde 2019 e não está conseguindo. Eu não vou substituir as pessoas que querem acertar suas dívidas, mas que estão sendo impedidas pelo próprio Sindicato de fazerem isto”, avisou Véio.
Segundo Vitor, dos 17 impugnados, quatro são anistiados políticos – dentre eles, Isaque Fonseca, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos na década de 1980, e que na época era próximo a Juarez Antunes. Há ainda alguns aposentados que gozam da remissão da dívida, e mesmo com a documentação em dia, teriam sido impugnados pela comissão eleitoral. “Meu nome está entre os 17, mas o que realmente está acontecendo é uma grande confusão da comissão, pois há pessoas impugnadas que estão na ativa e com a documentação completa e correta. Eu enviei recurso e apresentei documentos mostrando que a comissão está equivocada”, completou o líder da oposição sindical.
Para Vitor, a origem das divergências pode estar na existência de duas listagens com os nomes de pessoas consideradas aptas a disputarem as eleições do Sindicato. Uma dessas listagens foi elaborada pelo próprio Sindicato e possui a relação de metalúrgicos ativos e inativos (aposentados) considerados associados. A outra listagem é fornecida pelas empresas da base e constam nomes de metalúrgicos em atividade, com vínculos funcionais a elas. O nome do próprio Vitor, por exemplo, consta na listagem do Sindicato, mas não aparece na listagem de nenhuma empresa, já que ele foi demitido da CSN em 2017.
A demissão de Vitor é questionada na Justiça do Trabalho, em uma ação de reintegração. Na semana passada, a juíza Monique da Silva Caldeira Kozlowski de Paula indeferiu o pedido de liminar que mantinha Vitor na disputa eleitoral do Sindicato. Na mesma decisão, a magistrada deu um prazo de 15 dias para que ele apresentasse documentação comprovando vínculo trabalhista com alguma empresa da base do Sindicato. Como Vitor não possui esse vínculo, acabou impugnado não apenas pela Justiça, mas também pela Comissão Eleitoral.
Ao aQui, Vitor disse que tanto a chapa 1, liderada por Jovelino Juffo, quanto a chapa 2, de Edimar Miguel, solicitaram à comissão a impugnação do seu nome. Os pedidos foram aceitos, mas a Comissão só teria dado a Vitor o direito de se defender do pedido da chapa 1. “Estou sem entender até agora”, reclamou. “A Comissão Eleitoral está protegendo a Chapa 2”, denunciou.
Suspeição
Para Vitor, é clara a proteção da Comissão Eleitoral em cima da Chapa 2. Aliás, esse é um dos motivos pelo qual ele pedirá, na próxima semana, a suspeição da comissão. A razão principal seria o fato de que o grupo criado para conduzir as eleições do Sindicato dos Metalúrgicos teria divergências na sua formação. A comissão, segundo Vitor, foi formada pela indicação das cinco maiores centrais sindicais do país: CTB, CSB, UGT, Nova Central Sindical e a CUT.
Só que, segundo Vitor, a CTB teria declarado apoio à chapa 2, o que faz com que a Comissão Eleitoral, na opinião dele, possa estar sendo parcial para atender aos interesses da chapa adversária. “Não é ilegal uma central declarar apoio a uma chapa. O problema é que cada central indicou dois nomes, sendo um titular e outro suplente, e o titular indicado pela Nova Central Sindical é também filiado a CTB. Ou seja, temos duas centrais na comissão, com o mesmo representante e este apóia a chapa 2. Eu falo do Maurício Mendonça”, declarou.
Segundo Vitor, não é permitido aos integrantes da comissão representar duas centrais ao mesmo tempo. Ou representar uma central, estando filiado a outra. “Falta isonomia. Isto atrapalha a lisura do processo”, avaliou Véio.“Quero a retirada da comissão e não apenas do Maurício Mendonça. Afinal, todas as atitudes tomadas pela comissão influenciaram o pleito de alguma forma. Até as impugnações da minha chapa são questionáveis. Eu entrei com recursos e, se não forem aceitos, vou judicializar a questão. Vou para a Justiça provar que a comissão está suspeita e que os impedimentos são arbitrários”, concluiu.
Versão
O aQui conversou ontem, 24, com o próprio Maurício Mendonça, que explicou a sua situação na Comissão e rebateu a denúncia de Vitor Véio. “Em dezembro de 2007, ano de inauguração da CTB eu tive a honra de ser o 1° presidente, entretanto, desde 2019 eu presto assessoria para a Nova Central Sindical, cumprindo a função de assessor de Relações Institucionais. Minha atuação na Comissão Eleitoral é pautar estritamente o cumprimento da decisão da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho, observando as normas estatutárias e a CLT”, disse.
O assessor contou ainda que todas as decisões da Comissão são documentadas e passam pelo crivo do MPT e pela Justiça do Trabalho e disse lamentar que Vitor Véio tenha sido impugnado pela Justiça. “Eu sinto muito que esse trabalhador tenha tido o seu impedimento de concorrer em razão da decisão da Justiça do Trabalho. Eu tenho evitado a imprensa para não gerar nenhuma polêmica, mas nós ainda vamos reunir os jornalistas numa coletiva e tirar todas as dúvidas. Isto é tudo o que eu tenho a dizer”, concluiu.
O jornal também entrou em contato com Jovelino Juffo e Edimar Miguel para saber sobre as impugnações em suas chapas. Edimar informou que foram sete impedimentos na chapa 2 – todos com apresentação de recurso. Já Jovelino informou que a sua chapa teve apenas uma impugnação.
Feira livre
Por falar na chapa 2, no domingo, 22, vários jovens supostamente contratados pelo grupo de Edimar estavam panfletando na feira livre, na Vila. Nos folhetos distribuídos estavam as fotos dos integrantes da chapa, sendo três deles ex-funcionários da CSN, demitidos em abril, depois das manifestações realizadas no interior da UPV. São eles: Odair Mariano de Souza Azevedo, inscrito como vice-presidente; Marcelino Vieira Balbino, titular do Conselho de Base, e José Marcos da Silva, inscrito como secretário de formação, comunicação e assuntos socioeconômicos. Nenhum poderia estar inscrito, pelo simples fato de terem perdido o vínculo trabalhista com a CSN e, de quebra, com o próprio Sindicato.
Quanto ao pedido de uma entrevista exclusiva feito pelo aQui a Edimar Miguel, há mais de três semanas, com o envio de cerca de 20 perguntas sobre as eleições e seus planos, o líder da Chapa 2 continua mudo. Se as respostas forem enviadas até o dia 1° de julho, serão publicadas na íntegra. Caso contrário, serão deletadas.

