‘Grupo de vagabundos’

Vereador ataca manifestantes ligados ao Sepe que o acusaram de ser assassino, por defender início das aulas em Barra Mansa

O clima esquentou na manhã de terça, 13, durante uma sessão da Câmara de Barra Mansa, quando um pequeno e barulhento grupo de 10 manifestantes, supostamente ligados ao Sepe (Sindicato dos Professores), apareceu gritando palavras de ordem e outras nem tanto contra os parlamentares, acusando-os de serem “assassinos” e “genocidas” por defenderem o início das aulas presenciais em Barra Mansa, marcado para segunda, 19.
A revolta dos manifestantes tinha alvo certo: o vereador Daniel Volpe, um dos que defendem o início das aulas presenciais em Barra Mansa, e ainda Jefferson Mamede e Bruno de Oliveira. Para piorar, o parlamentar teria chamado os manifestantes de ‘vagabundos’. “Vou falar a respeito das fake news que estão rolando de uma turminha de meia dúzia, de 10 vagabundos que estão por aí. Eles são vagabundos, porque não trabalham, são desocupados. Em nenhum momento ofendi e nunca vou ofender professor, eu tenho o maior respeito aos meus professores…”, explicou Daniel Volpe, indo além.
“A minha briga é pela vacinação dos professores e a volta às aulas com segurança. Minha preocupação é com as 19 mil crianças que estão sem aula, e acabam ficando na praça, na casa do vizinho. Minha preocupação é com as crianças, cujos pais têm que trabalhar todos os dias, e acabam ficando em casa sozinhos ou tomando conta de um irmão menor ainda”, explicou Daniel Volpe, em nota postada nas redes sociais.
Antes do protesto, o Sepe usou a sua página do Instagram, seguida por apenas 93 internautas, para se posicionar contra os vereadores, e por tabela contra Rodrigo Drable. “Nossa LUTA continua! O prefeito baixou um novo decreto na noite de ontem (13/04), informando que as aulas presenciais do município voltam dia 19. O SEPE informa que nosso posicionamento continua sendo contra o retorno às aulas presenciais e para falarmos mais sobre o assunto, hoje (14/04), às 17h30 faremos uma assembleia online. A LUTA é por uma escola SEM LUTO!”, justificou.
Só que a revolta dos manifestantes aumentou e eles foram para a porta da Câmara, onde colocaram várias cruzes pintadas de preto no muro que cerca o imóvel (ver foto) e passaram a gritar palavras de ordem contra os parlamentares, a quem acusam de aprovar um projeto de lei – batizado por eles de ‘PL da Morte’, que prevê, vejam só, entre outras, a inclusão dos professores nos grupos prioritários de vacinação contra a Covid-19.
Na nota enviada ao aQui, Daniel Volpe soltou cobras e lagartos ao abordar a agressão verbal do Sepe dirigida, segundo ele, a todos os vereadores, e não apenas a ele. “Na manhã de hoje, 13, durante a sessão ordinária na Câmara Municipal fomos surpreendidos com 10 manifestantes do Sepe (que pregam, fiquem em casa, mas estavam na rua, aglomerados e sem máscara) dirigindo ofensas aos demais vereadores com uso de microfones gritando “assassinos”, “genocidas”, além de pregarem uma cruz no prédio”, escreveu, indo além. “O grupo que ali estava, durante um ano de pandemia, não cobrou pela vacinação da classe, não deu a cara pela educação e não lutou pela aula remota ou presencial”, disparou.
Logo a seguir, Daniel Volpe deu detalhes do que ocorreu: “O que aconteceu foi que uma meia dúzia de ex-candidatos e sindicalistas começaram ofendendo os vereadores, chamando de genocida! Em retorno, eu ofendi aquele grupo específico de seis pessoas, e em nenhum momento ofendi a classe ou qualquer profissional da educação. A minha briga é pela vacinação dos professores e a volta com segurança das aulas, infelizmente na gravação (disponível nas redes sociais) não mostra a ofensa do Sepe dirigida a mim, só mostra o Sepe sendo contra as aulas e contra a vacinação dos professores”, afirmou.
A metralhadora política empunhada por Daniel Volpe continuou a soltar projéteis. “Minha preocupação é com as crianças cujo os pais têm de trabalhar todos os dias, e acabam ficando em casa sozinhos ou tomando conta do irmão, que é menor ainda! Minha preocupação é com 19 mil crianças em Barra Mansa que estão sem aula, e acabam ficando na praça, na casa do vizinho. Minha preocupação é com os professores autônomos e que querem ingressar em um serviço que está paralisado e com tudo aberto novamente! Minha preocupação é com aqueles alunos que estão em depressão dentro de casa, que estão com falta do estudo, que estão até passando dificuldade pois a melhor refeição era no colégio!”, finalizou, reiterando o mote que escolheu para desenvolver sua campanha: “Vacina para os professores e volta as aulas já!”.

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