Gerando pânico

As notícias falsas têm sido um grande inimigo, principalmente dos prefeitos Samuca Silva, de Volta Redonda, e Rodrigo Drable, de Barra Mansa.  Vira e mexe os dois vão às redes sociais para desmentir este ou aquele boato. Tipo: Volta Redonda vai reduzir 10% dos salários dos servidores municipais. Era falso. Pior, caiu na internet pelas mãos de um vereador (Carlinhos Santana), que deveria se preocupar justamente em evitar a propagação de falsas informações.

A população também é enganada no que diz respeito aos cuidados que se devem tomar para evitar a contaminação do novo coronavírus, bem como o que fazer diante dos sintomas e tratamentos com a Covid-19. Vídeos, áudios, fotos e textos falsos ou equivocados, atribuídos a especialistas – profissionais da área de saúde e autoridades, na maior parte dos casos -, têm contaminado as redes sociais, prejudicando o acesso dos internautas às informações realmente úteis e corretas sobre a doença.

Um dos mais recentes boatos que circula nas redes sociais diz que beber água a cada 15 minutos, mantendo a garganta umedecida, pode prevenir a Covid-19. De acordo com a notícia, com o consumo frequente de água, o vírus iria direto para o estômago e não haveria bactéria ou vírus que resistisse ao suco gástrico. A mensagem relata que, com a garganta seca, o vírus iria para o esôfago e, depois, para os pulmões, criando dificuldade para respirar, e, em consequência, o óbito das pessoas. Tudo falso.

O pneumologista Gilmar Alves Zonzin, chefe do serviço de Pneumologia do Hospital Santa Maria e ex-presidente da Sopterj (Sociedade de Pneumologia de Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro), explica que o consumo de água não previne contra a Covid-19. “Beber água com regularidade é um hábito muito importante para hidratação do organismo. Mas não previne contra a Covid-19. A contaminação do vírus acontece através das mucosas (olhos, nariz e boca) e os vírus respiratórios não se instalam exclusivamente na garganta ou estômago”, destaca.

De acordo com Gilmar, tem ocorrido uma produção frenética de boatos e informações incorretas sobre a Covid-19 circulando na internet. “É lamentável que, num momento tão delicado, as pessoas sejam tão irresponsáveis produzindo conteúdos falsos e que, por outro lado, outras muitas pessoas compartilhem esses materiais sem verificar a origem e a procedência deles”, avalia o pneumologista.

Desde que foram confirmados os primeiros casos da doença e as autoridades sanitárias passaram a adotar medidas mais enérgicas procurando controlar adisseminação do novo coronavírus, impondo a quarentena em várias regiões do país e do mundo, a apreensão das pessoas aumentou significativamente e, na mesma medida, também têm crescido as fake news. “Além de criminosa, é uma atitude irresponsável e de grande desserviço”, rechaça.

O pneumologista destaca que, além de desinformar, as notícias falsas provocam duas situações muito graves, estimulando negligências sérias em relação aos cuidados com a doença ou, por outro lado, elevando o pânico da população, o que também é muito nocivo para todos.

Para combater as notícias falsas que circulam nas redes sobre a Covid-19, Gilmar Zonzin recomenda que as pessoas procurem sempre verificar a veracidade das informações em órgãos oficiais de saúde e sites de veículos de comunicação confiáveis ou tirar dúvidas diretamente com profissionais de saúde que tenham domínio sobre o assunto. “Na dúvida, ou se não há condições de verificar a veracidade das informações, por favor, não compartilhem! Certamente essa atitude será muito mais útil a todos”, destaca.

Combatendo as fake news

Para ajudar a minimizar a disseminação de notícias falsas sobre a Covid-19, o Ministério da Saúde criou um canal de WhatsApp da pasta que tem o objetivo de informar a população de forma correta. O serviço, disponível pelo número (61) 99289-4640, foi adotado como ferramenta de checagem de conteúdos compartilhados na rede.

Os usuários podem enviar gratuitamente mensagens ou imagens para esse canal para verificar a procedência das informações. Para disponibilizar o serviço, o Ministério da Saúde conta com uma equipe dedicada para apurar se os conteúdos são verdadeiros ou falsos.

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