‘Furacão’

A quarta, 16, foi terrível para grande parte da população de Volta Redonda. Tudo por conta de uma forte tempestade que caiu, por volta das 17 horas, sobre a cidade do aço, fazendo estragos nunca vistos. Teve até janela de shopping voando como se fosse folha de papel. Sorte que ninguém se feriu. A coisa ficou tão feia que moradores do Laranjal, por exemplo, ficaram sem energia elétrica por mais de 6 horas – das 17 de quarta, 16, à 1 de sexta, 18. As bombas do Saae, responsável pelo abastecimento do Laranjal, Monte Castelo e Colina, 60, Casa de Pedra, e, principalmente o Hospital São João Batista, só voltaram a funcionar na tarde de quinta, 17, quando a direção do órgão conseguiu alugar um gerador para poder ligar as bombas.

O gerador, cujo aluguel custou R$ 4 mil aos cofres do Saae-VR, pôde ser desligado na manhã de ontem, sexta, por volta das 7 horas, quando a Light conseguiu restabelecer a energia elétrica do Laranjal. Os prejuízos do órgão, com aluguel do equipamento e o uso de caminhões – pipa para abastecer o HSJB, entre outros, serão contabilizados pela direção do Saae-VR, que não descarta acionar seu departamento Jurídico para entrar com uma ação contra a Light. “A causa (da tempestade) foi natural, mas a Light tinha que estar preparada para qualquer tipo de emergência”, ponderou José Geraldo, o Zeca.

Ele vai além. Assustado com o valor do aluguel do gerador – R$ 2 mil por cada 10 horas –, Zeca diz que vai conversar com o prefeito Samuca Silva para que o Saae-VR possa adquirir geradores para não depender da Light. Ele vai além. Não descarta nem a aquisição de um gerador para a ETA do Belmonte, que praticamente é responsável pelo abastecimento de toda a população. “O valor de um gerador de grande porte, como seria o da ETA Belmonte, nos assusta. É muito caro. Mas o benefício pode justificar o investimento. Volta Redonda ficou horas e horas sem luz e, por tabela, sem água. Isso não pode acontecer”, avaliou Zeca.             

A desgraça do Saae-VR e da população de Volta Redonda teve origem nos ventos de mais de 80km/h que derrubaram centenas de árvores por diversos bairros. A ventania e a forte chuva também provocaram inundações em vários locais. A Usina Presidente Vargas chegou a ficar invisível. O coordenador da Defesa Civil, Leandro Rezende, acrescentou que, por se tratar de um vale, o vento de mais de 80 km/h percorreu Volta Redonda desde a Ponte Alta até o Jardim Amália, causando danos materiais, mas sem registro de vítimas. “A equipe da Defesa Civil está nas ruas, avaliando esses danos”, disse ainda na tarde de quarta, ressaltando que o volume de chuva não teria ultrapassado 9mm, nível que é considerado baixo.

“Há anos que a região não sofria com uma corrente tão forte de vento como essa que ocorreu na tarde de quarta-feira. Nem choveu tanto. Foram 9mm de chuva, muito baixo na questão de chuva, mas a concentração na velocidade e na força do vento foi surpreendente, derrubando cerca de 50 árvores só entre os bairros Ponte Alta e Jardim Amália, incluindo Conforto, Vila e Centro”, explicou Leandro.

Laranjal

A parte alta do Laranjal, bairro de classe média alta, foi a que mais sofreu com o temporal e a ventania de quarta, 16. A Rua 156, onde estão localizadas as filiais da Firjan, do Saae-VR, e ainda a mansão do bispo, como é conhecida uma residência da Igreja Católica, chegou a ficar interditada até a madrugada de ontem, sexta, 18. Pelos menos umas quatro grandes árvores caíram sobre a rua, dando trabalho às equipes do Saae e da Light, pois com a queda vários fios foram rompidos, inclusive de alta tensão.           

A energia dos moradores caiu e a Light só conseguiu restabelecê-la por volta da uma hora da madrugada de ontem, sexta. Ou seja, ficaram cerca de 30 horas no escuro.

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