Foi por pouco…

Neto veta alteração no VR Parking que prejudicaria idosos e PCDs; empresa arrecada R$ 4 milhões

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Por Mateus Gusmão

O prefeito Neto sempre gosta de frisar que tem um carinho especial pela terceira idade. Ou a ‘melhor idade’, como gosta de frisar. Tanto que, ao retornar ao Palácio 17 de Julho, voltou
a promover as viagens turísticas para os ‘velhinhos’. Sete mil foram, às vésperas da eleição, para Teresópolis e se hospedaram em um hotel cinco estrelas. O problema é que o ‘carinho especial’ de Neto foi colocado à prova. É que ele estava sendo levado a adotar uma medida que iria prejudicar não só os idosos como também as pessoas com deficiência (PCDs) que utilizam o estacionamento rotativo da cidade do aço. Por sorte, ele não cedeu à pressão da VR Parking e, aos 45 do segundo tempo, mandou adiar a maldade da empresa por tempo indeterminado. Fez mais. Não cedeu aos ‘apelos’ dos empresários para autorizar um reajuste na tarifa.
As mudanças no rotativo deveriam entrar em vigor na quinta, 12. Se fossem implantadas, até prova em contrário, só iriam beneficiar a empresa, que, curiosamente, não mantém um bom relacionamento com o Palácio 17 de Julho. A ideia era que os motoristas que utilizam cartões de estacionamento gratuito – fornecidos por prefeituras e Estado –, quando estacionassem em vagas não exclusivas, teriam que retirar tíquetes de gratuidade junto aos monitores do VR Parking (os ‘amarelinhos’, grifo nosso). Ou seja, mesmo com problemas de locomoção, todos seriam obrigados a andar em busca dos monitores, retirar com eles o tíquete e voltar ao veículo para não ser advertido a um pagamento de R$ 12 e, caso não quitar a advertência, ser multado (em R$ 195.23). Detalhe: todos os motoristas sabem que não é uma tarefa fácil encontrar os ‘amarelinhos’ quando se precisa, especialmente em dias de chuva.
Após muita pressão e omissão da maioria dos vereadores, Neto decidiu reverter a medida que havia sido anunciada em dezembro. Como o aQui antecipou em primeira mão em suas redes sociais, a secretaria de Comunicação do governo Neto enviou um comunicado oficial sobre o caso na tarde de ontem, sexta, 13. “A Prefeitura de Volta Redonda adiou, por tempo indeterminado, o início da obrigatoriedade de retirada do ticket de gratuidade, por parte dos idosos e pessoas com deficiência (PCD), quando eles forem utilizar vagas do Estacionamento Rotativo não exclusivas para este público, ou seja, aquelas que são pagas e de uso geral. Com a medida, os beneficiados não deverão retirar o ticket junto aos monitores do VR Parking”, informou.
Segundo o comunicado, é importante deixar claro que para o uso das vagas exclusivas continua sendo necessário ter o cartão de gratuidade e respeitar o tempo limite de 2 horas, definido por lei. “A prefeitura ressalta ainda que a utilização das vagas já destinadas e exclusivas para idosos e PCDs segue de acordo com a lei, bastando ter o cartão apropriado com a identificação e respeitando o tempo limite de 3 horas”, completou.
Neto acertou na decisão. Tem mais. Ele teria abortado a ideia da VR Parking de reajustar a tarifa cobrada no rotativo de Volta Redonda. Segundo uma fonte, o prefeito agiu bem, pois o faturamento da empresa já é, digamos, bem gordo. Segundo dados levantados pelo aQui no Portal da Transparência da prefeitura, apenas em 2022, a VR Parking ganhou a bagatela de R$ 4.452.240,35 dos motoristas de Volta Redonda. A arrecadação mensal chega a ser superior a R$ 350 mil. O mês que mais conseguiu recursos foi agosto, com R$ 416 mil.