Fim das turmas

Mateus Gusmão

A prefeitura de Volta Redonda não abre mão: quer acabar com as turmas de ensino médio nas cinco escolas da Fevre. Foi o que a secretária de Educação, Therezinha Gonçalves, Tetê, deixou bem claro durante audiência pública realizada na Câmara, na noite de quinta, 26. Motivo: a crise financeira que assola o Palácio 17 de Julho. Tem mais. Segundo ela, a obrigação de fornecer educação de segundo grau é do governo do Estado. “Se não fosse a situação financeira, o ensino médio poderia ficar”, reiterou Tetê, tentando minimizar sua posição.
Tem mais. Tetê fez questão de afastar os boatos de que o objetivo do governo Neto seria acabar com a Fevre. “Toda vez que se muda o governo, dizem que vão acabar com a Fevre”, disse, ressaltando que a Fundação não se resume aos alunos do ensino médio. “Temos mais de 3,8 mil alunos do ensino fundamental. O ensino fundamental é de responsabilidade do município”, completou.
Ao assumir a pasta, a secretária de Educação disse que o prefeito lhe revelou que a situação financeira do município estava ruim e pediu para que ela acumulasse a função com a de presidente da Fevre. “No início do ano vimos uma dificuldade imensa de pagar os professores do ensino médio da Fevre, já que estes precisam ser pagos com os recursos próprios da prefeitura”, comentou, salientando que os recursos oriundos do Fundeb são para financiamento exclusivo de ensino fundamental.
Tetê ainda argumentou que as turmas da Fevre de ensino médio não seriam formadas só com alunos que realmente precisam do ensino público. “Vocês sabiam que dentro do processo seletivo para ingressar no ensino médio da Fevre os alunos de colégio particular participam? E sabe por que eles participam? Porque entrando em escola pública, eles têm cota no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Eles viveram a vida na rede particular, mas têm cota como aluno de escola pública”, disparou, adotando, segundo um dos presentes, um tom de pura discriminação.
Remanejados
Tetê garantiu ainda na audiência que os alunos das 18 turmas de ensino médio serão absorvidos pelas escolas do governo do Estado. “Quando nós definimos que não abriríamos vagas para o primeiro ano em 2021, o Ministério Público do Estado esteve junto com a Fevre e o governo do Estado mediando o ingresso dos alunos na rede estadual. Ninguém ficou sem vaga”, garantiu. “Dos 600 inscritos que a gente tinha no processo seletivo, mais de 100 já tinham feito matrícula no governo do Estado. Porque essa já era a orientação anterior, porque caso a pessoa não passasse no processo de ingresso na Fevre, ela já estaria matriculada no estado”, emendou, sem revelar o que aconteceu com os outros 500 estudantes.
Para Tetê, não há motivo para as pessoas ficarem preocupadas com a qualidade do ensino da rede estadual. “Os professores que trabalham nas escolas estaduais são os mesmos que trabalham na prefeitura”, comparou, dizendo que existem turmas de ensino médio com menos alunos do que a capacidade. “Nós temos turmas com 16 alunos, com 10 alunos, 18 alunos, e a capacidade dessas turmas é de 35 pessoas”, completou. “O que queremos é um ensino fundamental muito forte para dar base aos alunos quando eles forem para o ensino médio”, destacou.
Ao encerrar sua fala, Tetê voltou a destacar que a intenção de fechar as 18 turmas do ensino médio conta com a qualidade oferecida pelas escolas da rede estadual. “Se a gente não tivesse no município escolas da rede estadual boas e com bons professores, tenho certeza de que a gente não faria isso (terminar com o ensino médio). Mas esses alunos têm para onde ir com ensino de qualidade”, justificou.
Além de Tetê, participaram da audiência público o Sindicato Estadual Profissionais de Educação, Sindicato dos Professores do Sul Fluminense, partidos políticos e os vereadores Walmir Vitor, Jari, Rodrigo Furtado, Paulo Conrado, Lela, Vander Temponi, Edmilson Vampirinho e Jorginho Fuede.

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