quarta-feira, maio 25, 2022
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Falando francamente

Delegado contesta postura de policiais que se sentem super-homens e elogia governo do Estado por reposição salarial aos agentes de segurança

Manu Porfírio

Na manhã de quarta, 23, em entrevista ao programa “A manhã é nossa”, apresentado pelo radialista Tico Balanço, pelas ondas da Rádio Labfonia, projeto mantido pela Fundação Cultural de Barra Mansa, o delegado de Polícia Michel Floroschk, atualmente comandando a 90ª DP, falou sobre o seu dia a dia como policial, os dramas que enfrenta e como vê a atuação dos colegas e dos internautas diante das ações bem-sucedidas – ou não – das forças de segurança. “Nós acordamos todos os dias com a intenção de fazer o melhor de nós. Eu não tenho um inquérito em que eu possa falar: ‘Olha, nesse eu me senti realizado ou não, né?’. Na verdade, em todos os inquéritos nós nos dedicamos muito, mas os crimes de homicídio nos atormentam muito”, pontuou.
Surpreendendo a todos os ouvintes, Michel aproveitou para criticar aqueles que se dizem corajosos, mas se escondem atrás de um perfil na internet, inclusive policiais. “Infelizmente nós estamos vivendo uma época dos super-homens, daquelas pessoas que vão na internet e dizem que são superpoliciais, que entram em troca de tiros, que fazem isso e que fazem aquilo. É tudo uma fachada. O policial é um ser humano frágil, que cumpre seu dever da melhor forma possível”, disparou.
E, ao contrário do que muitos pensam, de acordo com Michel, tirar a vida de alguém não é algo que ele goste de fazer, e muito menos a que tenha se acostumado. “Matar alguém nunca é bom. Eu vejo muito na internet ‘quando você mata alguém, o que você sente?’, ‘Eu sinto o recuo da arma’, é uma grande mentira. Matar alguém nunca é bom, ainda que seja para salvar sua própria vida”, destacou, relembrando uma ação recente em Barra Mansa. “Nós entramos em confronto (com bandidos), e o policial Reginaldo (….) não teve nem a chance de reagir. Eu tive que neutralizar as duas pessoas (suspeitos). Mas quando você chega na delegacia depois de uma ação dessa e vê a mãe de uma pessoa dessa, você se compadece, porque a mãe e a família não tiveram nada a ver com a escolha da pessoa, e ela sente. Mas essas ocorrências de trocas de tiros são as que mais exigem da gente uma estabilidade emocional e técnica”, relatou.
Ainda sobre o assunto, Michel revela que muitos dos policiais que tentam passar a imagem de corajosos e durões, na verdade, tremem de medo na hora em que o ‘caldo aperta’. “Nós estamos vivendo uma época muito estranha. As pessoas vão até a internet, fazem sinal de arminha e sinal de valentões, mas são essas pessoas que nunca entraram em uma troca de tiros. Eu vejo muito policial que entra comigo na delegacia, que é o fortão, que se diz preparado e na hora da troca de tiros é o primeiro que trava. Eu tenho policiais que em combate chegam a chorar e ajoelhar dentro da viatura”, contou.
Segundo Michel, hoje em dia, não falta apoio das autoridades políticas para o trabalho na Segurança Pública. “Mudou muito o perfil. A área política percebeu que não tem como você desenvolver outras atividades do Estado sem que haja uma segurança. Então o Estado hoje nos apoia seja com autonomia financeira e orçamentária; hoje a polícia civil é uma secretaria, foi galgada a secretaria da Polícia Civil com autonomia administrativa. Nossos atos são respaldados pela secretaria. A intervenção federal trouxe grandes vitórias para a Segurança Pública. Está em votação na Alerj agora a nossa lei orgânica, que deve sair e trazer mais segurança ainda para os policiais civis. Então nós encontramos o respaldo da parte política para o exercício da função. Nós vemos muitos estados em que isso não é a realidade. No caso do Rio de Janeiro, nós temos um grande apoio das autoridades políticas”, comparou.
Questionado sobre o reajuste no valor da Gratificação de Habilitação Profissional concedida aos policiais civis, que passará de 10% para 90% da remuneração para os agentes com formação profissional; de 15% para 95% para aqueles com aperfeiçoamento profissional; de 30% para 100% para quem tem especialização profissional; e de 30% para 105% no caso dos superiores, Michel afirma que essa mudança é necessária para manter a idoneidade dos policiais. “Não se trata de um aumento, não é um reajuste, é uma reposição. Durante muitos anos nossos salários ficaram defasados. Graças a Deus o governador Cláudio Castro foi sensível à categoria e encaminhou isso à Alerj, que prontamente votou favorável. Isso é imprescindível para a atividade policial. Eu acho que é justo isso e a classe ficou muito satisfeita”, ponderou.
Michel foi além. “O salário digno é uma garantia da sociedade, é uma proteção que a sociedade vai ter que este agente não vai se corromper. Infelizmente salários baixos seduzem condutas desonestas. O policial que ganha mal ou é mal remunerado é presa fácil para a corrupção; as suas necessidades cotidianas talvez o empurrem para um ato ilegal, um ato de corrupção. A remuneração justa que possa fornecer ao policial, eu acho que é uma garantia do cidadão para que esse policial não se seduza por atos de corrupção”, concluiu.
Labfonia
A Labfonia é a primeira rádio web pública do interior do estado. Foi criada para difundir e fortalecer os mecanismos de comunicação e está localizada no 2º andar do centenário Palácio Barão de Guapy, no Centro. O estúdio prioriza o conteúdo local, autoral, além de informações sobre história, dicas de livros e notícias ao vivo. Para ouvir a rádio basta acessar o site www.lab-fonia.com ou o App RadiosNet.

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