Falta pouco mais de um ano para as eleições de 2024, mas a política em Barra Mansa anda pegando fogo com vistas à sucessão do prefeito Rodrigo Drable, que não poderá concorrer por estar em seu segundo mandato. E a primeira bomba atingiu um dos políticos cotados como possível candidato de oposição: o empresário Abílio Pedra, do PV. A notícia foi publicada pelo portal de notícias UOL, ao denunciar que 73 cabos eleitorais de candidatos a deputado – na eleição de 2022 – teriam sido contratados, nos meses antes do pleito, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Segundo a reportagem, esses cabos eleitorais teriam sido contratados em projetos da Uerj e recebido pagamentos através de uma folha secreta, sem transparência. De dezembro de 2021 a agosto de 2022, a universidade teria desembolsado R$ 789 mil com o pagamento a esses agentes políticos. Abílio Pedra, que foi candidato a deputado estadual, teria nomeado 11 cabos eleitorais para ‘trabalhar’ na universidade. O detalhe é que Abílio, em 2022, teria feito uma dobradinha eleitoral com Ricardo Lodi (PT), ex-reitor da Uerj, que foi candidato a deputado federal.
Ricardo Lodi foi reitor da Uerj até março de 2022, quando saiu do cargo por exigência da legislação eleitoral. Uma das suas parcerias de campanha mais frutíferas foi, de fato, com Abílio Pedra em Barra Mansa, onde o ilustre desconhecido obteve mais de 1,5 mil votos. Pedra, segundo o UOL, foi o político que mais teve cabos eleitorais nomeados na Uerj. A reportagem fez um cruzamento entre os dados de campanha de Abílio no Tribunal Superior Eleitoral e os da folha secreta da Uerj.
Essas pessoas – que depois fizeram campanha para Pedra – haviam sido nomeadas no Polo de Extensão da Uerj em Barra Mansa para desenvolver projetos esportivos, como escolinhas de futebol e aulas de dança, além de um pré- vestibular social e curso de inclusão social. Quem coordenou o polo de extensão na cidade foi o próprio Abílio Pedra. Nas redes sociais do PV, por exemplo, Abílio era apresentado como o agente político que teria conseguido intermediar a chegada do projeto da Uerj a Barra Mansa.
O aQui procurou Abílio Pedra pelas redes sociais e através do seu WhatsApp para comentar o caso. Entre outras, a reportagem queria saber se foi ele próprio quem pediu a contratação dos aliados e se seu apoio a Ricardo Lodi – ex-reitor da Uerj – nas eleições estaria condicionado à contratação desses agentes. Não houve retorno, entretanto.
A reportagem também questionou se, entre as nomeações, havia pessoas indicadas pelo ex-prefeito de Barra Mansa, Jonas Marins (PCdoB), que anda sumido dos holofotes. Segundo uma fonte do aQui, Jonas teria indicado alguns aliados para Abílio. Detalhe: alguns seriam de Volta Redonda. Também sobre o tema, não houve retorno.
Ao UOL, o ex-reitor da Uerj, Ricardo Lodi, disse que não teve qualquer influência na contratação das pessoas que atuaram nos projetos da universidade. “Os fatos citados não são de meu conhecimento. Não tive participação nas seleções dos integrantes de qualquer projeto da Uerj, nem enquanto estava na reitoria e muito menos depois, quando me afastei da universidade, razão pela qual fiquei alheio e distante dos assuntos administrativos da Uerj. Da mesma forma, não tive qualquer influência na escolha das equipes de qualquer outro candidato”, disse.
Já a Universidade do Estado do Rio, por sua vez, informou que não se pode confundir a manifestação política de seus colaboradores com o uso eleitoral dos projetos. “No entanto, e como sempre tem acontecido com todas as denúncias, todos os fatos narrados serão devidamente apurados”, completou a nota.
NOTA DA REDAÇÃO
A professora Clarice, do PT de Barra Mansa, também foi citada como uma das envolvidas no caso. O aQui, assim como fez com Pedra, tentou contato com a petista para saber o que ela teria a dizer. Mas ainda não a encontrou pelos números de telefone que o jornal conseguiu. Segundo a reportagem do UOL, ela teria nomeado cinco cabos eleitorais para o Polo de Extensão da universidade na cidade.


