quinta-feira, novembro 25, 2021
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Volta Redonda teve 25 jovens assassinados em cinco anos

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) lançaram recentemente o Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil. O estudo revela que, de 2016 a 2020, 35 mil crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta no país. No estado do Rio, o número chegou a cerca de 3,5 mil crianças e jovens assassinados no período apurado. O aQui fez um levantamento e apurou, conforme dados do ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro), que 25 crianças e jovens – de 0 a 17 anos – foram assassinados em Volta Redonda nos últimos cinco anos.
Os resultados confirmam ainda o que aponta o relatório do Unicef: que os jovens vítimas de assassinatos no Brasil são em sua maioria meninos negros e pardos. Em 2016 e 2018, todas as vítimas de assassinato eram do sexo masculino. Em 2016, 60% dos que foram mortos eram meninos pardos, de 15 a 17 anos. Em 2018, as sete vítimas tinham entre 14 e 17 anos, e mais de 70% eram pardos e pretos.
De acordo com o estudo do Unicef e FBSP, a violência afeta de forma diferente cada faixa etária: as crianças, na maioria das vezes, são vítimas de violência doméstica, com os agressores sendo pessoas conhecidas, que convivem com a família, ou até mesmo um integrante desta. No caso dos adolescentes, grande parte das vítimas morre fora de casa, por causa da violência urbana e do racismo.
“A violência contra a criança acontece, principalmente, em casa. A violência contra adolescentes acontece na rua, com foco em meninos negros. Embora sejam fenômenos complementares e simultâneos, é crucial entendê-los também em suas diferenças, para desenhar políticas públicas efetivas de prevenção e resposta às violências”, afirmou Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil, sobre as conclusões do trabalho.
“A violência contra crianças e adolescentes é um problema grave, que precisa ser cada vez mais discutido por nossa sociedade. São vítimas dentro de suas próprias casas enquanto são pequenas e sofrem com a violência nas ruas quando chegam à pré-adolescência. O poder público precisa encarar a questão com seriedade e evitar que mais vidas sejam perdidas a cada ano”, completou Samira Bueno, executiva do FBSP. Nos cinco anos analisados pelo aQui, as vítimas mais novas tinham 14 anos.
Agressões
As crianças e jovens de Volta Redonda também são vítimas de outros tipos de violência. Em 2020, por exemplo, 60 deles foram vítimas de lesão corporal dolosa, ou seja, de agressão física. E 19 vítimas (cerca de 20%) tinham até 11 anos, o que leva à conclusão de que não foi uma briga de rua ou outro fator externo que vitimou essas crianças. Em pelo menos 40% das ocorrências os agressores foram os pais ou outros parentes, sendo que oito das crianças agredidas tinham até 5 anos e duas vítimas não haviam completado um ano de idade quando sofreram as agressões.
Ainda em 2020, 23 crianças sofreram ameaças – de parentes (17,4%), de ex-companheiros (as) (13%), amigos, vizinhos ou conhecidos (4,3%), pai, mãe, padrasto ou madrasta (4,3%), filho ou enteado (4,3%) –, sendo que entre as vítimas havia crianças de 5 a 11 anos.
Aproveitando o tema, vale lembrar que as denúncias de violência contra crianças podem ser feitas pelo Disque 100 do governo Federal. Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar pelo telefone 190. Em Volta Redonda, o Conselho Tutelar pode ser acionado pelos números 3339-3337 e 3339-9610, que funcionam em regime de plantão 24 horas, e ainda pelo número 08000 250485.

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