Em boca fechada

Empresária registra queixa crime contra vereador Gilmar Lelis

O vereador Gilmar Lelis, de oposição a Rodrigo Drable, usou as redes sociais para atacar o prefeito de Barra Mansa, que estaria, como disse em um vídeo que postou na sua página do Facebook, comprando produtos de forma irregular de uma empresa da cidade, a Jat Empreendimentos. Chegou a afirmar que a firma seria uma “empresa-fantasma”.

Gilmar falou o que quis, como todos aqueles que usam a internet para falar o que querem. Só que o parlamentar terá que se explicar na 93ª Delegacia de Polícia de Barra Mansa, pois uma das sócias da Jat Empreendimento, identificada como Anna Lindebeck, não gostou das acusações e registrou uma queixa-crime contra Lelis, conforme documentos a que o aQui teve acesso.

No boletim de ocorrência (BO) que registrou na delegacia de Barra Mansa, Anna também envolveu outros parlamentares, pois, segundo ela, Thiago Valério, Mauro Sabino e Marcel Castro teriam exposto a sua empresa a um ‘vexame público’ tanto em uma sessão da Câmara quanto em postagens nas redes sociais.

O quiproquó virtual começou na terça, 23 de junho, quando Lelis publicou um vídeo para denunciar a existência de ‘uma empresa-fantasma’, a Jat Empreendimento, que estaria firmando contratos fraudulentos com o governo Rodrigo Drable na área da Educação. No vídeo, feito à Rua Dr. Mário Ramos, nº 122, no Centro de Barra Mansa, que seria a sede da firma, Lelis (acompanhado por outros vereadores) afirmou que a empresa estaria superfaturando a venda de produtos destinado às escolas de Barra Mansa. “Vamos encaminhar (a denúncia) para o Ministério Público… Para ele (prefeito) nos responder o que está acontecendo. Porque uma empresa está levando milhões da educação de Barra Mansa, milhões”, ressaltou, garantindo aos internautas que os materiais comprados para a Educação não estariam sendo entregues. “Manchando o nome de quem trabalha sério”, acrescentou o vereador Thiago Valério.

Não satisfeito, Thiago foi além. “Essa empresa presta serviços usando dinheiro do Fundeb, usando dinheiro da Educação”, disse, para logo em seguida o vereador Marcel Castro concluir. “Fundeb para quem não sabe é o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica. É dinheiro do governo Federal que vem para amparar a Educação Pública da cidade”, esclareceu Marcel.

A empresária, uma das sócias da Jat Empreendimento, revelou na DP que, assim que soube do vídeo, procurou fazer contato com Gilmar Lelis através de ligações, e-mails e até pelo WhatsApp. Mas nunca obteve resposta. Ela queria mostrar ao vereador que sua empresa não é ‘fantasma’.

O que pode ter levado Lelis a trocar alhos por bugalhos foi que a Jat, segundo ela, estaria apenas com “o endereço desatualizado”. “Ela funcionou naquele local (onde Lelis foi), na sobreloja”, destacou, ao registrar a queixa na delegacia. “É importante salientar que a empresa está funcionando desde 21 de dezembro de 2016, possui vários objetos e participa de licitações”, garantiu ao apresentar queixa crime contra o parlamentar.

Ela foi além. Garantiu que sua empresa possui “todas as certidões negativas de débito, está devidamente inscrita na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro e confirmou que a empresa já teve como domicílio o endereço à Rua Dr. Mário Ramos, nº 122, Bloco B, Loja 2, Centro, Barra Mansa”, tendo apresentado cópia do contrato de locação. “Procuramos o vereador para explicar a diferença cadastral e o mesmo disse que iria se encontrar com o nosso representante legal depois”, disse, para completar: “A empresa fez contato e não obteve êxito”, ressaltou.

Procurado para falar a respeito da denúncia contra o seu governo, o prefeito Rodrigo Drable não deixou por menos. “A empresa já fez representação criminal contra o vereador”, disparou, para dizer que a acusação contra a empresa e contra a sua administração faz parte de uma estratégia política. “Entendo que bate o desespero quando se aproxima a eleição e o candidato (descobre) que não conseguiu fazer nada com seu mandato”, pontua. “Mas falar mentira e denegrir a imagem de pessoas e empresas gera dano. O vereador vai ter que indenizar quem ele prejudicou com suas mentiras”, disparou.

 

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