“É para ajudar”

Vereadores que vão compor equipe de Neto dizem que mudanças não têm a ver com 2022

Halison

Os bastidores da política em Volta Redonda ficaram quentes nos últimos dias por conta das mudanças que ocorreram no Poder Legislativo. Dois dos 21 vereadores, com apenas cinco meses de mandato, largaram as suas confortáveis cadeiras para fazer parte do governo Neto. Halison Vitorino, marinheiro de primeira viagem, e pastor Washington Uchôa (reeleito) adotaram o mesmo discurso: ‘vamos ajudar o prefeito’, sintetizaram. A desculpa dos dois não colou, e o meio político passou a especular que as mudanças têm a ver com a eleição de 2022, quando Neto deve tentar eleger seu irmão, Munir Francisco, como deputado estadual, e Deley de Oliveira como deputado federal – o que ainda é negado pelos envolvidos.

Em entrevista exclusiva ao aQui, Halison Vitorino, já como diretor geral do Hospital São João Batista – que está sob intervenção judicial – destacou que o convite para assumir a principal unidade hospitalar da região não teve a ver com o futuro apoio para os nomes de Neto para 2022. Garante até que sua nomeação não teve interferência de outros políticos. “Foi porque o (prefeito) Neto precisa tirar (acabar, grifo nosso) a intervenção para o município voltar a tocar o hospital como sempre foi”, destacou, ressaltando que o convite partiu do prefeito. Ou seja, ele não teria pedido o sonhado cargo. “Eu trabalhei no hospital recentemente, e o Neto pediu ajuda por eu ter essa experiência recente”, justificou.

Questionado se Neto teria pedido apoio para algum candidato, Halison negou. “O prefeito não me pediu apoio. Ele mencionou que o Munir (irmão de Neto e secretário de Ação Comunitária) será candidato. Mas não me pediu apoio”, completou o parlamentar, negando também que o deputado federal Antônio Furtado (PSL) tenha colaborado para que ele deixasse a cadeira no Parlamento municipal.
Apesar da polêmica, Halison destacou que sua passagem pelo Hospital São João Batista não deve ser longa. “Quando terminar a intervenção na unidade, eu devo voltar ao Legislativo, para onde fui eleito. A princípio, é isso”, completou, esquecendo que, se dependesse de Neto, a unidade já estaria sendo comandada pelo Palácio 17 de Julho. Só não voltou às mãos de Neto porque a Justiça nem tomou conhecimento do pedido do prefeito.

Provocado a dizer qual remuneração escolheu, se a de vereador ou a de diretor administrativo do Hospital São João Batista (que paga R$ 50 mil a cada um dos dois interventores que administram a unidade), Halison disse que vai continuar recebendo como parlamentar. “Os valores são iguais, acabei optando pela Câmara pela burocracia”, completou.
Com a saída de Halison, quem assumiu uma cadeira na Câmara foi o líder comunitário Guilherme Sipe (PP), que foi candidato pela primeira vez em 2016 pelo PV, partido que elegeu Samuca Silva como prefeito naquela eleição. Sipe chegou até a integrar a equipe do ex-prefeito, trabalhando na Policlínica da Cidadania.
Em suas redes sociais, o novo vereador disse que irá trabalhar com Neto. “Nessa nova jornada, lutarei incansavelmente junto com o prefeito Neto e equipe para buscar o melhor para nossa cidade”, disse. Sipe, inclusive, já foi testado como aliado a Neto, mostrando que Samuca já faz parte do passado. Na noite de terça, 11, em sua primeira votação na Câmara, votou com o governo pela aprovação da taxa de iluminação pública. Passou no teste impopular.
‘Só se virar secretaria’

Outro vereador convidado a ingressar no governo Neto foi o pastor Washington Uchôa (Republicanos). Ele aceitou assumir a Coordenadoria Municipal para Pessoas com Deficiência, criada em 2016, mas que ainda não foi implantada. Em entrevista ao aQui, salientou que só deixará a Casa de Leis se a coordenadoria se tornar, de fato e de direito, uma secretaria municipal. “Há uma interpretação na Lei Orgânica que o vereador só pode se ausentar para assumir a direção de uma autarquia ou secretaria. Por isso, disse ao prefeito Neto que só iria se mudasse a coordenadoria para secretaria”, comentou, ressaltando que o prefeito se comprometeu a enviar uma Mensagem ao Legislativo alterando a lei. “Ele disse que enviará na próxima semana”, completou.

A exigência, segundo o pastor, não vai gerar novas despesas se sair do papel. “Vale destacar que não haverá aumento de despesas com a mudança da coordenadoria para secretaria. Os cargos para ocupar a secretaria serão de remanejamento de outras”, explicou o vereador-coordenador. Questionado se Neto chegou a lhe fazer algum pedido de apoio político para 2022, o pastor da Igreja Universal do Reino de Deus negou. “Não, o prefeito não me pediu apoio. Eu sei que ele terá candidatos, mas eu já adiantei que terei meus candidatos, ou, até mesmo, posso ser candidato a deputado estadual”, acrescentou.
Segundo ele, o pedido de Neto para que assumisse o cargo é fruto do trabalho que ele desenvolve em prol dos deficientes. “O prefeito tem um carinho grande com os deficientes. Criando uma estrutura própria, podemos ampliar esse serviço. Foi por isso o convite. Acredito que irá se concretizar em breve”, crê.

Caso assuma mesmo uma vaga no governo Neto, a cadeira do pastor Washington será herdada por Ednilson Vampirinho (Republicanos). Ex-assessor de Deley, Vampirinho está ligado atualmente ao deputado Rosenverg Reis (MDB), da família de Washington Reis, prefeito de Duque de Caxias. “Comunico a todos que sigo no aguardo da confirmação da notícia. Como primeiro suplente, afirmo que estou preparado para assumir, caso se confirme, o mandato na Câmara de Volta Redonda”, postou Vampirinho.

Despesas extras

Caso se confirme a ida do pastor Washington Uchôa para a prefeitura de Volta Redonda, a cidade vai viver um caso sui generis. Terá 21 vereadores e a Câmara terá que pagar salários a 23. É que os parlamentares afastados de seus cargos podem optar por continuar recebendo os seus vencimentos como parlamentar – como Halison já definiu. Com o salário girando em torno de R$ 10 mil (quase o mesmo valor de um secretário), Washington também pod

erá escolher continuar recebendo subsídios da Casa de Leis.
A estratégia é legal e tem amparo no Regimento Interno da Casa, inciso 2 do Artigo 74. “O vereador investido do cargo de secretário Municipal ou equivalente será considerado automaticamente licenciado, podendo optar pela remuneração da vereança”, diz o regimento.
Com isso, a Câmara poderá ter que gastar – caso Halison e Washington fiquem um ano no Executivo – cerca de R$ 240 mil por ano com dois parlamentares fora da Casa, trabalhando no Palácio 17 de Julho.

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