É fogo

Bombeiros ficarão responsáveis por autorizar eventos com aglomerações

O que todos temiam está acontecendo. Casos e mais casos da Covid-19 andam sendo registrados e, pior, bem rapidamente. A UTI do Hospital Regional, por exemplo, como o aQui divulgou com exclusividade nas redes sociais, está praticamente sem leitos disponíveis para atender a forte demanda oriunda da capital e das cidades da Baixada Fluminense. Na terça, 24, o governador em exercício, Cláudio Castro, anunciou que o governo está disponibilizando 214 leitos na capital, que vai promover testagem em massa de pacientes, garantindo diagnóstico precoce, com exames de PCR e de imagem, com a duração de 15 dias.
“Com o aumento dos indicadores da doença, me reuni com representantes da sociedade civil e de prefeituras da região metropolitana para estabelecer todas as medidas em conjunto. Firmamos um pacto para que não precisemos parar o Rio de Janeiro e vamos ser mais rigorosos em relação às prevenções como distanciamento social, uso de máscaras e aglomeração de pessoas. Precisamos nos unir para termos resultados positivos”, justificou.

Cláudio Castro foi além. Afirmou que o Rio de Janeiro não enfrenta uma segunda onda da doença, mas que, ainda assim, o governo do Estado está tomando todas as precauções em parceria com o governo Federal e os municípios. “Contamos com a ajuda de empresários, dos shoppings, restaurantes e equipamentos de cultura, que vão aumentar os cuidados de higiene. Não podemos nos descuidar até que a vacina chegue. É importante deixar claro que estamos sempre monitorando os casos e vamos informar a população sobre as ações. Não haverá falta de transparência. O mais importante é garantir a segurança das pessoas e salvar vidas”, destacou.

 

A crise na capital, atingindo em cheio a capacidade de atendimento do Hospital Regional, foi analisada pelo prefeito Samuca Silva que, em postagem nas redes sociais, se mostrou preocupado que a nova onda de coronavírus chegue a Volta Redonda. “Todos nós estamos acompanhando as notícias de uma nova onda do Coronavírus no Brasil, no mundo e, principalmente, no estado do Rio. Mais de 90% dos leitos lá na capital já foram ocupados. O medo de todo mundo é de que os leitos do Hospital Regional sejam ocupados por pacientes da capital, o que vai afetar todos os pacientes da nossa região”, justificou. Samuca aproveitou para vender o seu peixe – ou melhor, o tratamento de choque adotado na cidade do aço com o uso da nitazoxanida. “Volta Redonda adotou (em abril) um medicamento e mais de 400 pessoas tomaram e sequer foram parar em um leito de enfermaria ou leito de UTI. Então, mais do que abrir novos leitos, investir em leitos de UTI, nós temos que entender que esse medicamento diminui a potência do vírus no corpo humano.

 

Essa é a melhor maneira de se prevenir nesse momento. Ele não tem contraindicação. A pessoa, ao primeiro sintoma, deve procurar uma unidade de tratamento em Volta Redonda. Esse medicamento teve certificação do governo Federal, e tem efeito positivo”, pontuou. Não satisfeito, Samuca fez questão de lembrar que, apesar da capacidade das UTIs da cidade estar baixa, ninguém está a salvo. Muito pelo contrário. “Nenhuma pessoa está salva, mesmo aquelas pessoas que já pegaram o Coronavírus há mais de 3 meses. Segundo o Ministério da Saúde, não existe imunidade permanente, o que deve ocorrer apenas com a vacinação. Então, ninguém deve se sentir protegido diante da Covid-19. Na nossa cidade nós temos 3% dos leitos de UTI ocupados. Nós temos 256 pessoas que perderam suas vidas e temos 8.010 pessoas confirmadas com o coronavírus”, detalhou. No final da tarde de ontem, sexta, 27, a prefeitura de Volta Redonda liberou os últimos número da Covid-19 no município: O número de casos notificados chegou a 26.687, sendo que 8.222 deram positivo. Os casos de óbitos aumentaram para 260 com a morte de uma mulher de 61 anos. Os negativos chegaram a 12.310 e os curados a 7.000. A variação dos casos suspeitos estava em 1,24%, com ocupação de leitos em CTI na ordem de 11,4%. A ocupação dos leitos no Hospital do idoso permanecia inalterada em 0%.

Bombeiros
Buscando alternativas para evitar o colapso, o governador em exercício, Cláudio Castro, determinou que desde quarta, 25, o Corpo de Bombeiros realize ações para ajudar a conter o crescimento dos casos da Covid-19. Assim, todos os eventos com a participação de público devem ser submetidos à corporação, que ficará responsável pela fiscalização de boates, bares e casas de espetáculos das 20 às 5 horas. “Todos os eventos e estabelecimentos comerciais precisam estar de acordo com o decreto estadual, uso de máscara facial e disponibilização de álcool 70 ou em gel para o público. É preciso seguir as regras de ouro. Vamos reforçar a fiscalização nesses locais para que o novo coronavírus não avance”, afirmou Cláudio.

Os estabelecimentos que não estiverem cumprindo a lotação de público de acordo com o decreto estadual 4.7345 serão interditados e terão suas licenças cassadas. E, ainda, todas as solicitações para a realização de eventos abertos irão passar por rigorosa avaliação dos bombeiros.

A Ditadura da Ciência e a COVID-19

O título desde artigo é um paradoxo, já que nada deveria ser mais democrático que a ciência, palavra que vem do latim scientia e significa, em sentido amplo: conhecimento, ou seja, qualquer conhecimento ou prática sistemáticos. Assim, cada um de nós, ao longo de nossas vidas, vamos fazendo e legando ciência.

Há uma outra definição, em strito senso, que define ciência como: o sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico; um conjunto organizado de conhecimentos obtidos por meio de tais pesquisas. Ambas são, na verdade, a mesma coisa, mas a CIÊNCIA que se mostra em letras maiúsculas também se nomeia “Ciência Experimental” para se diferenciar da ciência aplicada, a que se adequa às necessidades humanas específicas. Todas são valorosas.

Bem, nessa pandemia, como toda crise, se demanda ciência e todos se concentram, cada um à sua maneira, na melhor forma de debelar a ação destrutiva da COVID19. Adequamos o conhecimento adquirido às melhores práticas possíveis. O mundo busca a vacina com pressa e, enquanto isso, aprendemos sobre a doença e, entre tantos desafios, buscamos formas de prevenir e de remediar com a melhor terapia medicamentosa disponível, segura e a custo efetivo. Apenas uma certeza, a ciência e seus profissionais não podem ficar de braços cruzados, paralisados e atônitos aguardando solução milagrosa que caia do céu. Assim, eu vejo uma opção lógica no reposicionamento de fármacos, que reduz o tempo de ensaios clínicos, e põe o foco na sua ação efetiva, no combate da COVID-19. Esse é o caso do princípio ativo que estudo há mais de uma década, a nitaxozanida, molécula segura e já utilizada por mais de 250 milhões de pessoas no mundo, é que demonstrou ser segura e efetiva na redução da carga viral na pesquisa conduzida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
Por antecedentes com outras tentativas e pela inclusão de questões externas à Ciência, como polarizações partidárias, temos recebido elogios, mas também alguma rejeição e críticas ao nosso trabalho. Alegam que a Ciência não aprovou as pesquisas (quais?) e, respaldados na Ciência, condenam de forma prévia e obtusa, sem um olhar mais isento, e isso permanece, mesmo após tantas evidências.

Cientista que sou, respeito e cumpro o método científico, contudo por estar diante de fatos e dados observados em experiências clínicas irrefutáveis, sobre a segurança e a efetividade da nitazoxanida no tratamento da COVID-19, resolvi assumir uma posição clara, de forma a não restar dúvidas. Estuda-se há muito tempo a segurança e eficácia da nitazoxanida sobre diferentes tipos de vírus. Com todos esses relatos, aprofundei a revisão sobre esse assunto, em parceria com o professor doutor Davis Ferreira (UFRJ) e, a partir de então, passei a preconizar a nitazoxanida para o tratamento precoce de pacientes com a COVID-19.

Os resultados foram surpreendentes e passamos a adotar essa mesma terapia na prefeitura de Volta Redonda desde julho de 2020. Essa conduta passou a ser conhecida como “Protocolo de Volta Redonda”, está sob minha coordenação, e estabelece o tratamento medicamentoso precoce de pacientes do SUS, iniciando a nitazoxanida até 72h dos primeiros sinais e sintomas, sempre após assinatura, pelo paciente, do termo de consentimento livre esclarecido – TCLE- visto tratar-se de uma indicação não contemplada na bula desse tipo de fármaco.

Até o dia 23/11/2020, prescrevi esse tratamento a 454 pacientes, todos com mais de 40 anos de idade e/ou comorbidades que aumentam sobremaneira o risco do paciente para desenvolver as formas mais graves da infecção pelo SARS Cov 2, o novo coronavírus causador da COVID-19. Os resultados são animadores: Nesses 454 pacientes mencionados tivemos: 0 internação; 0 complicação; 0 óbito.
Há evidências científicas que a nitazoxanida: reduz a produção de várias Interleucinas que provocam a “tempestade” inflamatória; reduz o metabolismo mitocondrial, consequentemente, a capacidade de as células replicarem os componentes dos vírus; aumenta a produção de Interferon (responsável por aumentar a capacidade do organismo de destruir células tumorais, vírus e bactérias, além de ser responsável pelas primeiras respostas à infecção viral; age diretamente no Corona-vírus, reduzindo a formação da proteína estrutural e consequentemente a capacidade do vírus invadir novas células.

Há evidências clínicas que a nitazoxanida: reduz a gravidade da COVID-19; é segura no trata-mento da COVID-19 e também reduz a carga viral. Têm testes duplos cegos? É o que perguntam os céticos e pessimistas. Sim. Agora não se justifica mais obstar qualquer paciente do tratamento eficaz, em nome de uma certeza que a experiência clínica e o estudo do Ministério da Ciência e Tecnologia já comprovaram. Por outro lado, eu recomendo aos críticos, enquanto esperam por melhor opção “cientificamente comprovada”, que conduzam novos estudos duplo cegos, submetendo os seus entes queridos e a si próprios aos novos estudos prospectivos, duplo cego e randomizado, no qual a metade dos voluntários contarão com a sorte de receber o medicamento, enquanto a outra metade terá o revés de receber o placebo.

Quanto a mim, diante dos números auditáveis de Volta Redonda, tenho a certeza que a nitazoxanida é um medicamento seguro e está reduzindo a gravidade dessa doença. A Ciência existe para corroborar os dados empíricos. Eu os apresento e peço que antes da precoce condenação, tornem a Ciência mais democrática, humanizada e com empatia, afinal a mesma existe para atender os interesses das pessoas e não o contrário.

A CIÊNCIA é importante, necessária e respeitada, mas não pode esconder-se atrás de regras ditatoriais e negar-se a, ao menos, olhar experiências clínicas e científicas evidentes. As ditaduras, sejam em que campo forem, não condizem com a humanidade nem com a sua sobrevivência.

Finalizando, antes eu já preferia ficar empiri-camente vivo do que cientificamente morto, ainda mais agora depois de tantas evidências.
EDIMILSON MIGOWSKI
é professor doutor da Faculdade de Medicina da UFRJ e Coordenador Científico do Protocolo de Volta Redonda._

 

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