‘É assim mesmo’

A tenente-coronel Andréia Ferreira da Silva Campos, que acaba de assumir o comando do 28º Batalhão da Polícia Militar no lugar de Luciana Rodrigues de Oliveira, afirmou, em entrevista exclusiva, que vai investigar as denúncias sobre a atuação de bandidos de Angra dos Reis ligados à milícia na parte alta do Retiro, conforme o aQui denunciou na edição 1185, de 1 de fevereiro. “Estamos apurando essas informações”, afirmou, anunciando que o aQui foi o primeiro veículo de imprensa a quem ela concedeu uma entrevista na cidade do aço.   

Andréia assumiu o posto em 31 de março, e nos dias seguintes ela pôde verificar que a questão da segurança em Volta Redonda é complicada demais. Como um cartão de boas-vindas, a semana foi marcada por confrontos entre policiais e bandidos. Pelo menos dois foram mortos durante as operações policiais já sob seu comando. 

Simpática e espontânea, a comandante do Batalhão do Aço não se assusta. Diz que o trabalho é “assim mesmo”. “Não pode dar refresco, tem que mostrar que estamos na atividade”, pontuou sobre as operações que ocorreram logo na primeira semana de trabalho.  E, sem fugir de nenhuma pergunta, a tenente-coronel falou sobre as estratégias que pretende usar para diminuir a violência em Volta Redonda, que teve 24% a mais de assassinatos em 2019 comparando com o ano de 2018. Uma delas será adotar um policiamento mais dinâmico. Outro será promover operações para “tirar armas de circulação”, além, é  claro, de buscar a redução do consumo de drogas entre os jovens. “A prevenção é a melhor arma contra isso”, disse. 

Com 28 anos de Polícia Militar, e no quarto comando de batalhão – incluindo o Regimento de Polícia Montada no Rio, conhecido como RPMont, que faz patrulhamento em grandes eventos – Andréia diz que tem uma missão em Volta Redonda: “Quero contribuir para que as pessoas possam viver com mais tranquilidade, possam ir e vir para seus afazeres de forma tranquila, que é o que merecemos enquanto cidadãos”. Desejamos sucesso.

aQui – De 2018 para 2019 Volta Redonda registrou um aumento da violência. O que a senhora pretende fazer para tentar mudar esse quadro?

Comandante Andréia: De imediato é dar dinamismo ao policiamento. A gente não pode trabalhar de forma estática e entender que todos os dias da semana são iguais, que tudo acontece da mesma forma. A gente pretende trabalhar com dados, que chegam através da delegacia (Polícia Civil, grifo nosso), de informações que chegam através do Disque Denúncia, que a população nos passa, para dar dinamismo ao policiamento.   

aQui – A população tem visto muitas viaturas em diversos pontos da cidade. Quais são os locais que mais preocupam atualmente?

Andréia: Não tenho como especificar um local. Trabalhamos com dados: temos informação que há tráfico de drogas naquele local? Vamos fazer uma operação da Polícia Militar lá. Como estamos fazendo, de forma exitosa, desde que assumimos o comando. São várias operações com apreensão de drogas, armas, e elementos presos. (nesse ponto, ela cita uma ocorrência ocorrida antes da entrevista, no fim da tarde de quarta, 12: “Estava em uma reunião agora na delegacia, quando a patrulha chegou com os elementos, o delegado me chamou e fomos ver a ocorrência, com um baleado e dois presos, além de duas armas e drogas apreendidas”).  Estamos fazendo de forma sistemática, em toda a área do 28º Batalhão, diariamente, operações nas comunidades em que ocorre tráfico de drogas. Além disso, temos as patrulhas que trabalham no dia a dia, a do Ras (Regime Adicional de Serviço), que são essas que a população tem visto nas ruas. Estas trabalham mais com a mancha criminal e a sensação de segurança: que as pessoas que entram e saem de Volta Redonda, as que estão indo para o trabalho, para a faculdade, tenham mais segurança no seu ir e vir.

E as viaturas do 190, que estão sempre à disposição da população. No momento em que ligar, temos que providenciar a viatura para atender a ocorrência do cidadão. 

aQui – Logo na semana seguinte à sua posse, houve uma série de operações da PM, com troca de tiros em algumas delas, e pelo menos dois bandidos mortos em confronto com os policiais. Óbvio que a polícia não espera que bandidos se entreguem voluntariamente, mas Volta Redonda não tem histórico de resistência de bandidos, com troca de tiros. Está acontecendo alguma coisa diferente? Temos informações de que milicianos ligados a facções de Angra dos Reis estariam invadindo algumas localidades na cidade. Isso procede?

Andréia: Não temos essa informação confirmada. Não posso falar que tem, mas não posso negar. Não tenho essa informação de forma precisa.

aQui – Mas isso está sendo investigado?

Andréia: Sim, nossa P2 (serviço reservado da Polícia Militar) está levantando isso.

aQui – Voltando a falar sobre a reação dos bandidos, que não era comum em operações em Volta Redonda. Qual a razão para esta mudança? 

Andréia: Realmente não era um histórico comum na cidade. Estamos atentos a isso, tanto que fazemos um levantamento antes de qualquer operação para saber se os elementos estão armados. Porque, conforme for a possibilidade de reação (dos bandidos), a operação é planejada de forma diferente. Em relação a essa mudança de comportamento dos criminosos, eu não sei dizer quando se deu e porque se deu, mas já encontramos alguns ambientes hostis à presença policial.

aQui – O aumento no número de assassinatos estaria ligado ao tráfico de drogas, à disputa de territórios?

Andréia: Segundo o que pude apurar, e também através dos inquéritos na delegacia, a maioria dos homicídios está ligada ao tráfico de drogas. Ora por disputa territorial, ora por dívidas com o tráfico. Podemos dizer isso com certeza.

aQui – Resende, quando a senhora assumiu o batalhão de lá, também estava em situação ruim quanto ao número de homicídios. Há alguma similaridade com a situação de Volta Redonda? 

Andréia: Eu não posso dizer porque houve esse aumento no número de homicídios em Volta Redonda, porque eu não estava aqui. Mas eu te digo, pela minha experiência como comandante em Resende, que o importante é tirar as armas de circulação.

Para isso existem as operações pontuais nas comunidades onde a gente tem notícia dessas armas, e por isso também estamos iniciando operações de abordagem aos veículos – carros, motos – para que essas armas não transitem.

Muito importante também é a participação da população. Porque com as informações a gente consegue preparar melhor nossas operações, dinamizar nosso policiamento. A população é fundamental. Outro dia me perguntaram a que eu credito o sucesso no comando do 37º, e eu credito também às informações passadas, à participação da população. 

aQui – A população às vezes tem medo de usar o Disque Denúncia. O que a senhora poderia dizer sobre isso? 

Andréia: É muito importante a população participar. É um telefone que as pessoas podem ligar, não serão identificadas, não há como o policial identificar quem está falando. Pode passar as informações que achar pertinentes, e funciona 24 horas.   

No mundo em que estamos – com Whats-App, Instagram – a informação é muito rápida. E da mesma forma que temos informações sobre os bandidos, eles têm sobre nós. Precisamos estar na frente deles, para isso a informação vinda da população é fundamental.

aQui – Qual seria sua mensagem para a população de Volta Redonda, ao assumir o 28º Batalhão?

Andréia: Quero contribuir para que as pessoas possam viver com mais tranquilidade, possam ir e vir para seus afazeres de forma tranquila, que é o que merecemos enquanto cidadãos. A minha ideia é essa, e posso dizer que tanto eu quanto todo o efetivo do 28º Batalhão estamos muito motivados. Eu procuro trabalhar com a meritocracia, com o reconhecimento do trabalho, do esforço dos policiais militares, que diuturnamente estão nas ruas para servir à população. Essa é a nossa missão.

Procuro incentivar os policiais que têm as melhores ocorrências, aqueles que têm trabalhado mais, se destacado. Já deixei isso claro para eles, acho importante. Quando você tem policiais motivados o policiamento vai ser bem melhor, e o serviço prestado pela corporação vai ser bem melhor.

Continua na próxima semana…

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