Devo, não nego…

Saae-VR salvou a pele de empresários, mas a conta não foi paga até hoje

Roberto Marinho

A famigerada obra na entrada do Jardim Belvedere, em Volta Redonda, que acabou com uma das lagoas que existiam no local, não causou só problemas ambientais. Durante os serviços, uma máquina atingiu a tubulação de escoamento de água que iria ligar a área do grupo Campos Pereira ao córrego Cafuá, na altura do Jardim Tiradentes. Os moradores da região pagaram o pato e ficaram sem água potável por quase uma semana. O Saae-VR acabou mandando máquinas, caminhões e funcionários para consertar a barbeiragem da empreiteira.
A responsabilidade pelo dano causado ao meio ambiente e aos cofres públicos foi apurada por uma Comissão Especial da Câmara de Volta Redonda, criada em junho de 2019, especificamente para “avaliar os impactos causados pela implementação do parque natural e das obras do trevo de acesso ao cemitério Portal da Saudade e ao Shopping Park Sul”. Formada pelos vereadores Granato (presidente), Rodrigo Furtado (relator) e Carlinhos Santana (membro), a comissão, segundo o relator, chegou à conclusão, entre outras coisas, que o prejuízo do Saae-VR foi de R$ 217.589,62.
As despesas, segundo Rodrigo Furtado, incluíram gastos com aluguel de carros-pipa, reparos, horas extras de servidores e valores deixados de arrecadar – por causa da interrupção da distribuição de água por “dois a cinco dias”, como apontou o Saae-VR em resposta aos questionamentos da comissão. A autarquia também respondeu – ofício 0953-GAJ/DEX, de 15 de julho de 2019 – que “os valores não foram ressarcidos ao município”, revela Rodrigo.
Detalhe importante: segundo o vereador Rodrigo Furtado, a dívida não teria sido paga até hoje, quase um ano depois da divulgação do relatório do Legislativo, publicado em 11 de agosto de 2020.
Procurada, a prefeitura de Volta Redonda não informou se o atual governo vai procurar os representantes do grupo Campos Pereira para que paguem a dívida para com o Saae-VR.

Descontos – Quem também ficou devendo, só que aos moradores dos bairros atingidos pela falta de água nos dias em que o abastecimento esteve interrompido, foi a própria direção do Saae-VR. Na época, em entrevista exclusiva ao aQui, o ex-prefeito Samuca Silva prometeu dar um desconto na conta de água referente aos dias em que todos os moradores ficaram sem o precioso líquido. Ficou só na promessa…

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