Decidam, pô!

Pollyanna Xavier

Os estados e municípios foram surpreendidos na quinta, 16, com uma decisão unilateral do Ministério da Saúde mandando suspender a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos com e sem comorbidades. A medida, de última hora, causou correria nas secretarias de Saúde que precisaram mexer no calendário de vacinação e avisar a população da mudança. Horas depois, o MS voltou atrás e suspendeu a imunização apenas de adolescentes sem comorbidades mantendo a imunização dos ‘com comorbidades’. Em Volta Redonda, mais de dois mil adolescentes saudáveis já foram vacinados.
Na nota, o Ministério da Saúde informou que a decisão de suspender a imunização em adolescentes teria sido tomada baseada no caso de um óbito de uma jovem de 15 anos em São Bernardo do Campo (SP). Ela teria morrido por complicações da vacina, mas o caso segue sob investigação. Existe a suspeita de a jovem ter recebido a dose da Pfizer estando positiva para a Covid – informação ainda não confirmada pelas autoridades de Saúde de São Paulo.
O que chama a atenção na decisão do MS é que ela foi tomada com base em um único caso suspeito de óbito registrado em meio a um saldo positivo de 3,5 milhões de vacinas aplicadas em adolescentes de todo o Brasil. Ao que tudo indica, o órgão fez o que fez sob o risco de um possível desabastecimento de vacinas para aplicação da terceira dose nos idosos. “A gente desconfia que o motivo real seja o risco de desabastecimento da vacina. Um caso isolado não justifica uma decisão como essa. Aliás, decisão foi tomada sem ouvir a Anvisa, o conselho de secretários de Saúde estaduais, e muito menos os técnicos do Plano Nacional de Imunização.  Houve correria, o Estado enviou a nota técnica do Ministério da Saúde e tivemos que nos adequar”, disse uma fonte do aQui ligada a Comissão Intergestora Regional do Médio Paraíba (CIR)
Dúvidas – A suspensão da vacina em adolescentes sem comorbidades gerou uma série de dúvidas e preocupações em pais e tutores de adolescentes que já receberam a primeira dose. A principal é se os vacinados sem comorbidades terão direito a segunda dose. A resposta é: depende. Para o governo federal não. Neste caso, o esquema vacinal deverá ser imediatamente interrompido, sem a aplicação da segunda dose. Porém, não há, até o momento, nenhuma orientação técnica neste sentido, deixando livre a decisão dos estados e municípios de completarem, ou não, o esquema vacinal iniciado.
Já o adolescente sem comorbidades que se inscreveu para receber a primeira dose, não poderá ser vacinado, devendo esperar até que o Ministério da Saúde libere o imunizante. Para aqueles que possuem comorbidades, a vacinação segue normalmente, sob a exigência de apresentação de laudo médico. A suspensão da vacina não vale para adolescentes com deficiência permanente, para os privados de liberdade e, claro, os que possuem comorbidades. Esses três perfis deverão ser vacinados normalmente.
Em Volta Redonda, a imunização dos adolescentes começou no dia 9 de setembro, com mais de mil vacinados num único dia. “Temos capacidade para vacinar todos os nossos adolescentes (…) dependemos de novas remessas de vacinas para ampliar a idade desse grupo”, disse, na ocasião, a secretária de Saúde, Conceição de Souza Rocha.
Já a prefeitura de Barra Mansa informou que, conforme a nota técnica do Ministério da Saúde, suspendeu temporariamente a vacinação contra Covid-19 das faixas etárias de 12 a 17 anos. E disse que aguarda orientações para tomar novas medidas. E que o direcionamento, no momento, é pela continuação da aplicação da terceira dose.

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