‘De olhos fechados’

Vinicius de Oliveira

Nove em cada 10 volta-redondenses já devem ter ouvido falar do médico Júlio César Meyer ou apenas Júlio Meyer. Referência em neurocirurgia no Brasil e com mais de 45 anos de carreira, divididos entre o consultório, o Conselho Regional de Medicina (Cremerj) e as salas de aula do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), onde lecionou por mais de 20 anos, Júlio acaba de ser nomeado para o cargo de Diretor Técnico de uma das instituições mais importantes do estado do Rio de Janeiro e até do país: o Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer. Para falar dessa trajetória ascendente, o ‘doutor’ mais famoso da cidade do aço, que começou a vida como auxiliar de Enfermagem, conversou com o aQui e tratou da repercussão que teve sua nomeação.
“Eu não sou gestor por excelência. Na verdade, sou formatado para tal em função da experiência de vida que acumulei ao longo dos anos”, começou o médico explicando que sua nomeação foi de ordem técnica. E, segundo ele, o governador Cláudio Castro aceitou seu nome de olhos fechados. “O governador não teve tempo de ver meu currículo. Minha nomeação se deu através do secretário de Saúde e de sua subsecretaria. Não foi por questões políticas”, afirmou, garantindo que, a princípio, não poderá servir de elo entre Castro (que pretende se reeleger) e o prefeito Neto (que pretende eleger alguns deputados).
Na verdade, o recém diretor garantiu que não quer saber de política. “Nada de cargo político, nem de me eleger. Nada, nada, de nada. Eu me considero um técnico, então não dá para misturar. Não me sentiria bem, ainda mais nesse momento de polarização. Atualmente está muito difícil de se posicionar ideologicamente. Por isso, vou deixar essa questão de lado e trabalhar para que os desprivilegiados da saúde tenham o acesso que merecem e precisam”, pontuou.
Júlio Meyer confidenciou que foi exatamente a ‘política’ que o afastou de sua cadeira no Conselho Regional de Medicina, fundamental para espalhar sua fama. “Eu atuei mais de duas décadas como coordenador, conselheiro e desenvolvi um trabalho que as pessoas consideraram válido, respeitoso e até hoje muita gente recorre a mim para fazer consultas. Mas pedi demissão por entender que a instituição não pode ser conduzida de uma forma político-partidária e, entendendo que a atual administração adotava essa linha, não me senti confortável”, desabafou.
Ele foi além. “O Cremerj é fiscalizador e normatizador do exercício profissional do médico. Ponto final. Mas não é isso que tem acontecido. Prova disso é que até o momento tem sido alvo de críticas muito duras por grande parte de médicos, inclusive pela instituição não ter se posicionado com relação à pandemia, à vacinação e ao uso de medicamentos sem comprovação científica para tratamento da Covid”, avaliou Meyer.
Mas voltando ao Instituto do Cérebro, Júlio Meyer disse que foi atraído não só pela excelência da instituição, mas, também, pelo fato de ser da área pública, uma de suas paixões. “Por ser uma instituição pública, o instituto me atraiu. A minha vida toda me dediquei à saúde pública. Estou há quase 40 anos atuando em Volta Redonda. Dirigi hospital público, conveniado com SUS, fui gestor em várias situações e por isso me senti à vontade para participar dessa função técnica”, enumerou Meyer, que foi um dos idealizadores do Anexo do Hospital São João Batista, em Volta Redonda, e referência em atendimento no Sul Fluminense.
“Eu creio que a minha inclusão neste instituto é um privilégio, porque os profissionais de lá são de alta qualificação, de renome nacional e internacional. Para se ter uma ideia, com apenas 8 anos de funcionamento, já adquiriu respeitabilidade altíssima. Não é só uma referência entre a população, mas também entre os profissionais da área de neurociência. Por isso a minha participação entre eles muito me deixa satisfeito e até envaidecido”, continuou o médico, concordando que a nova experiência será um desafio, mas vai tirar de letra. “Todo o trabalho que desenvolvi na área médica em Volta Redonda me deixa muito à vontade de estar lá. E, claro, vou continuar aprendendo e trazer novos conhecimentos para o município”.
O Presidente da FOA, Eduardo Prado, fez questão de ressaltar o papel relevante que Júlio sempre desempenhou como professor da instituição e também para os estudantes. “Júlio Meyer é referência na área de neurocirurgia e atendimento. É um grande orgulho ter o professor no nosso corpo docente e, também, como membro do Conselho Curador da FOA”, avaliou Prado, na foto ao lado do amigo, professor e médico.

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