Daqui a 50 dias

Prefeitura de Barra Mansa decreta volta às aulas para 1º de fevereiro

Por Vinicius de Oliveira

Diferentemente do que aconteceu anteriormente, quando se atrasou para desenvolver um método não presencial a fim de evitar que os alunos da rede municipal ficassem sem acesso à Educação (só em outubro começou a entregar apostilas com conteúdo programáticos e atividades), agora a prefeitura de Barra Mansa decidiu se antecipar. Com ou sem vacina, na última terça, 8, a prefeita em exercício, professora Fátima Lima, assinou um decreto que mantém as escolas do município fechadas até o final de dezembro, mas já determinando o dia que as aulas retornam.
Por ela, professores e alunos deverão voltar às salas de aulas impreterivelmente no dia 1º de fevereiro de 2021. Daqui a exatos 50 dias. Para tanto, a secretaria de Educação elaborou um protocolo de segurança para nortear e indicar os procedimentos necessários para evitar o contágio com a Covid-19. Desenvolvido por um comitê formado por representantes de diversas áreas como Educação, Saúde e sociedade civil organizada, o ‘Plano de Retorno Seguro às Aulas’ começa considerando fundamental a retomada das atividades educacionais.
“Por se tratar de situação inédita, não há evidências científicas de qual maneira correta para a referida retomada. Sendo assim, é imprescindível iniciarmos o planejamento das aulas presenciais e retomada do convívio social na escola, que tem papel fundamental na formação, desenvolvimento e inclusão do indivíduo na sociedade”, pontuam os envolvidos, conforme documento a que o aQui teve acesso.
O protocolo deixa claro ainda que “a reabertura das escolas deve seguir diretrizes gerais da saúde pública, bem como as orientações de funcionamento das mesmas, sempre considerando as evidências e a necessidade de ações intersetoriais: Educação, Saúde, Assistência Social e Ordem Pública. O processo de abertura deve levar em consideração também as particularidades e o contexto local, ou seja, as circunstâncias de cada bairro e região da cidade”.
O Plano, embora traga poucos apontamentos referentes ao trabalho efetivo em sala de aula no que diz respeito à recuperação dos conteúdos, garante que os professores deverão lançar mão de métodos de ensino híbrido “visando o alcance dos objetivos de apren-dizagem e desenvolvimento e o cumprimento da carga horária mínima anual”. Além disso, haverá, segundo o protocolo, reorganização do calendário escolar para atender as demandas do ano que vem.
Considerando ainda a agressividade do vírus, que não deu trégua desde o início da pandemia e, inclusive, voltou a atingir níveis alarmantes nas últimas semanas, o protocolo da secretaria de Educação prevê um ‘novo normal’ pedagógico. “Parece legítimo afirmar ser impossível retomar as atividades escolares seguindo a mesma organização adotada antes da pandemia. É salutar que todos os envolvidos no ambiente escolar estejam engajados nas medidas de sanitização para que garantam a sua própria segurança e dos demais. Novos tempos diante da pandemia, novas regras…”, explica o protocolo.
Medidas básicas
Dentre as principais medidas previstas pelo protocolo, algumas são as mais básicas, as quais todo mundo já se acostumou. As escolas deverão ter em suas dependências água, sabão, álcool 70% em todas as salas e demais dependências. Os espaços deverão ser arejados e as janelas e portas, sempre abertas. Ar condicionado só se tiver pessoal para manutenção e limpeza dos filtros já que, segundo especialistas é onde se alojam fungos, bactérias e, claro, o famigerado coronavírus. E, obviamente, sabão de sobra para lavagem das mãos.
O protocolo prevê ainda um estoque de máscaras para disponibilizar aos alunos e professores que chegarem na escola sem o acessório. A partir daí, começa a polêmica. Petterson Magno, diretor de comunicação do Sindicato dos Profissionais de Educação de Barra Mansa (Sepe-BM), diz que a determinação não é clara. “Quem vai comprar as máscaras. Haverá verba para outros equipamentos de segurança? Isso não ficou claro no protocolo”, questionou o sindicalista.
No que diz respeito ao distanciamento, também haverá polêmica. O Plano de Segurança permite que nem todos os alunos voltem. “Com o intuito de diminuir a densidade de alunos por turma, e facilitar o distan-ciamento mínimo de 1,5 metros entre os alunos e 2 metros do professor, o retorno às atividades será proporcional ao distanciamento (…), podendo ocorrer com ½, 1/3 ou ¼ da totalidade da turma”, detalha o documento sem apresentar, no entanto, alternativa para os que ficarem em casa.
Para evitar, de fato, a superaglomeração, a secretaria de Educação liberou a volta dos anos de conclusão de curso como prioridade. Ou seja, a escola deverá se organizar para garantir primeiro o retorno dos quintos anos (Ensino Fundamental I), nonos anos (Ensino Fundamental II) e terceiros anos (ensino médio).
Outras medidas mais extremas também foram previstas no protocolo. Os pais, conforme determina o documento, não poderão entrar nas escolas; o horário de entrada e saída dos alunos será definido a cada 15 minutos; as unidades escolares com mais de 10 salas deverão usar duas entradas para movimentação livre das pessoas; pais e alunos deverão também manter o distanciamento mínimo enquanto esperam o começo ou final da aula; a autorização para entrada de crianças se dará apenas quando elas estiverem devidamente uniformizadas, calçadas e usando máscaras; haverá aferição de temperatura dos estudantes.
A rotina também mudará dentro da sala de aula. Tanto alunos quanto professores deverão higienizar as mãos sempre que entrarem na sala de aula. Os brinquedos de fácil higienização e material de uso comum deverão passar por limpeza constante, mas o protocolo recomenda que cada indivíduo tenha seu material e pede ainda que os professores não incentivem a troca entre os estudantes.

O que fazer em casos de contágio
A parte mais complexa do protocolo está justamente nos termos que dizem respeito aos casos de contágio. O plano diz que “todo e qualquer sintoma, em especial tosse, febre e coriza, dor de garganta, dificuldade para respirar, fadiga, tremores e calafrios, dor muscular, dor de cabeça, perda recente do olfato e paladar apresentado por aluno ou outra pessoa deve ser comunicado imediatamente à escola, que notificará a unidade básica de saúde”. Os pais dos alunos com síndrome gripal devem esperar em local isolado até que os responsáveis cheguem para buscá-lo.
Mais difícil ainda vai ser administrar o processo a partir do conceito de bolhas, como determina o protocolo de segurança. Em resumo, havendo um ou mais casos suspeitos confirmados na mesma sala de um turno, as aulas presenciais desta sala serão suspensas por 14 dias. Se houver casos suspeitos em diferentes salas, o turno inteiro deverá ficar sem aula por 14 dias. Agora, se a infecção se espalhar por mais salas em diferentes turnos, o plano prevê a suspensão das aulas na escola inteira por 14 dias. O que pode gerar um ciclo sem fim.
“Se olharmos o protocolo por ele mesmo, podemos afirmar que não é o pior de todos os tempos. O problema é que se dá numa realidade de escolas que não estão preparadas para ele, sem contar que estamos vivendo uma segunda onda arrasadora. Além disso, Barra Mansa é uma cidade que nem hospital público tem. Tudo isso deveria ter sido levado em conta”, opinou Peterson que, ao ser questionado pelo fato de o Sepe ter feito parte do grupo de estudos que preparou o protocolo, afirmou: “Fomos contra o retorno. Mas fomos voto vencido”.
Peterson fez questão de lembrar outro detalhe que pode colocar em xeque o retorno seguro das aulas em Barra Mansa: o plano de vacinação do governo Federal, que prevê vacinação para os professores apenas no final do processo. “O plano preliminar de vacinação contra a Covid-19 prevê quatro fases. Os professores serão vacinados só na quarta fase. Isso é muito complicado. Então, diante disso, a gente defende que as aulas não retornem de maneira presencial”, defende o sindicalista, afirmando que o Sepe vai questionar o protocolo de Barra Mansa junto ao Ministério Público.

Volta às aulas em Volta Redonda
Ao sair na frente dos demais municípios, criando uma plataforma de ensino a distância – de qualidade totalmente duvidosa como admite o próprio prefeito Samuca Silva -, Volta Redonda pôde garantir férias aos seus professores sem que eles se preocupem em pagar dias letivos no ano que vem. E, assim como Barra Mansa, a cidade do aço está deixando pronto um decreto que trata sobre a volta às aulas em 2021.
Em entrevista à Rádio Cidade do Aço, Samuca falou sobre o retorno dos trabalhos escolares ao mesmo tempo que avaliou o ano vigente. “Tudo agora envolve direta e indiretamente o Coronavírus. Então, eu estou aprovando hoje (quinta) ou mais tardar amanhã (sexta) um decreto de como vai funcionar a aula no ano que vem. Nosso ano letivo foi mantido esse ano. Podemos discutir a qualidade do ensino, obviamente. Mas o fato é que nós mantivemos o ensino válido esse ano. Teve prova, as pessoas poderiam passar de ano ou não. Nós mantivemos o ensino através do ensino online”, disse.
Na entrevista, Samuca deu destaque ao sistema híbrido de ensino que deve ser implementado em 2021, se o próximo governo não mudar tudo a seu bel prazer. “No ano que vem teremos o ensino híbrido. Cada turma terá uma quantidade máxima de alunos dentro de sala de aula, turma com no máximo 15, 14 pessoas e com distanciamento. Quem não for a aula na segunda feira, vai na terça. Não vai na quarta, nem na quinta, vai na sexta”, detalhou.
“Na outra semana, quem foi na segunda, não vai na outra segunda. Um sistema semi presencial. E aí, quem não estiver na sala física, vai estar em casa online com o conteúdo que o professor disponibilizar. Nós apro-vamos isso junto, quero agradecer imensamente aos nossos profissionais de educação que se debruçaram nesse protocolo. Nós apresen-tamos ao Ministério Público e eu devo aprovar isso no mais tardar até sexta feira por decreto esse protocolo”, completou Samuca, animado.

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