Culpa da Covid

Pollyanna Xavier
Conforme o aQui noticiou, com exclusividade, há mais de um mês, a CSN vai mesmo paralisar as atividades do seu Alto Forno 2. A paralisação está prevista para acontecer na próxima sexta, 15. Com a decisão da empresa, centenas de trabalhadores – diretos e indiretos – poderão ser colocados de férias. Ou pior: demitidos. A informação foi passada ao presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Silvio Campos, que esteve pessoalmente em São Paulo em uma reunião com Benjamin Steinbruch para tratar do pagamento da PLR, mas a paralisação do forno e as demissões foram citadas pelo presidente da CSN. Em boletim divulgado aos trabalhadores, Silvio Campos contou ter questionado Steinbruch sobre a notícia que tinha sido veiculada pelo aQui e ainda o boato que chegou ao Sindicato dando conta que a CSN demitiria dois mil metalúrgicos com a paralisação do AF-2. “A empresa chegou a confirmar essa possibilidade de demissões, mas o sindicato conseguiu reverter pelo menos no período das negociações do PPR”, escreveu o sindicalista, adiantando que o contingente equivale a trabalhadores da própria CSN e de empresas terceirizadas que atuam na Usina Presidente Vargas. A empresa não comentou o assunto. Quanto à PLR, Silvio disse que o pagamento do benefício, referente aos lucros e resultados de 2019, está atrasado, pois segundo ele, geralmente a CSN cumpre com o Programa de Participação dos Resultados (PPR) em abril – mês do aniversário da empresa. Este ano, com a crise do coronavírus e as medidas normativas divulgadas pelo governo Federal, que favoreceu as empresas quanto à flexibilização dos empregos, o pagamento ainda não aconteceu. De acordo com Silvio, a CSN cogitou pagar o benefício somente no final do ano, o que ele não concorda. Por esse motivo ele esteve em São Paulo. As negociações para o pagamento da PLR não avançaram e uma nova reunião foi marcada para 18 de maio. Até lá, a CSN prometeu não demitir nenhum funcionário. “O contexto que se apresenta é extremamente desfavorável para o país, o que vem criando um quadro de instabilidade e insegurança no chão de fábrica. Diante de tantas dificuldades, a expectativa dos representantes do Sindicato foi quase totalmente frustrada se não fosse arrancar da CSN o compromisso de não haver mais demissões até que seja negociado o pagamento do PPR”, disse Silvio. “As negociações serão retomadas na próxima reunião, que está marcada para 18 de maio”, frisou. Ainda de acordo com Silvio Campos, a ideia de chamar a CSN para uma reunião não era apenas para discutir o pagamento da PLR, mas também dar início às negociações para o acordo coletivo 2020. O líder sindical reconhece que o momento é complicado para a indústria, porém, tem conseguido êxito nas negociações com as empresas de base do Sindicato. A maioria, mesmo com a queda na produção, assumiu o compromisso de não demitir seus trabalhadores. Muitas se beneficiaram das medidas do governo que permitiram a redução de jornada e de salários com a complementação do Fundo de Amparo ao Trabalhador. A expectativa de Silvio Campos era de que a CSN, a maior empresa da base, seguisse na mesma linha. Demissões No dia 2 de maio, um dia após o feriado do Dia do Trabalho, o Sindicato dos Metalúrgicos recebeu a informação de que a CSN teria demitido cerca de 200 trabalhadores do setor administrativo. E que os funcionários colocados de férias coletivas por conta do Coronavírus ainda não tinham recebido o pagamento da gratificação das férias. Além disto, a CSN informou no dia 30 de abril que todas as empresas do grupo suspenderam o recolhimento do FGTS com vencimentos em abril, maio e junho. A medida é legal e está amparada na Medida Provisória 927 do governo Federal. Os valores não recolhidos serão depositados em seis parcelas a partir de julho deste ano. No Chama – o boletim interno da CSN –, a empresa informa que os trabalhadores que forem demitidos antes do pagamento total das parcelas do FGTS receberão o valor integral nas verbas rescisórias, e justificou as medidas com base na crise instalada pelo Coronavírus.

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