sexta-feira, janeiro 27, 2023

CSN Jovem

Steinbruch revela que CSN vai reformar AF-2 e criar empresas independentes

Por Pollyana Xavier e Emanueli Porfirio
Texto final: Luiz Vieira

Quem está acostumado à divulgação do balanço trimestral da CSN, no formato remoto, se surpreendeu com o CSN Day, evento presencial realizado no final de 2022 em São Paulo, que reuniu investidores, analistas de mercado, jornalistas e convidados para apresentar as novidades que vêm por aí na CSN. Com duração de três horas e meia, Benjamin Steinbruch e um grupo de sete diretores executivos revelaram todas as estratégias de crescimento da empresa para os próximos três anos. As informações significaram um novo tempo para a CSN, que promete se apresentar ao mercado bem mais jovem, competitiva e agressiva.
As novidades anunciadas são fruto da chamada CSN Inova – um braço de TI e inovação, criado pelo filho de número dois de Benjamin (ele tem 4), Felipe Steinbruch. O rapaz de 29 anos criou a startup em 2018 para impulsionar os negócios da CSN. Quatro anos depois, conseguiu mais do que isto: tirou o pai da posição conservadora e o colocou num patamar mais arriscado. Pelo menos é o que ficou claro no discurso de Benjamin Steinbruch no CSN Day. “Vamos criar negócios dentro dos negócios que já temos”, avisou.
Na prática, significa que a CSN vai diluir os seus cinco ativos (siderurgia, mineração, cimentos, energia e logística) e transformá-los em empresas independentes, com CNPJ próprio, listadas em Bolsa. A ideia passa ainda pela criação de uma holding que ficaria acima
destas cinco empresas, com o capital fechado (sem representação na Bolsa). “Nós vamos verticalizar, reduzindo os custos tanto para cima quanto para baixo. Vamos procurar oportunidades internas para reduzir custos através de negócios correlatos novos. Vamos procurar muitos outros novos negócios de R$ 1 bilhão”, alertou.
O anúncio levou à interpretação de que a CSN vai atrás de novos ativos para somar com os que já possui. Mas, em comunicado ao mercado, dias após o evento em São Paulo, a empresa esclareceu que os ‘novos negócios de R$ 1 bilhão’ são investimentos dentro dos ativos que já existem. Para alcançar a meta, a CSN pretende diminuir as participações da siderurgia e da mineração, e focar no crescimento de cimentos, energia e logística. “Hoje, estamos com 60/32 e vamos continuar crescendo nos negócios relativos, porém tendo essa participação siderúrgica e mineração cada vez diminuindo. Os números que temos na cabeça seriam de 60/40”, revelou.
Steinbruch citou a CBSI – uma empresa com faturamento de meio milhão, cuja sede fica em Volta Redonda e tem a filha de número 1, Vitória Steinbruch, como sócia majoritária. Segundo o empresário, a subsidiária será uma espécie de modelo para o que se pretende fazer com os ativos da CSN. “A CBSI foi criada dentro desse espírito (…) vamos fazer desse modelo um protótipo destes novos negócios”, comentou, acrescentando uma informação interessante: que os novos negócios
passarão a vender em quilo e não mais em tonelada. “Isto faz com que a gente fique dentro de um risco muito menor”, justificou.
As ‘reduções’ da CSN Siderurgia e Mineração, com vistas à alavancagem dos demais ativos, podem ter explicações que vão muito além das que Steinbruch citou no CSN Day. Passam pelas questões fiscais e tributárias. Aliás, o foco pode estar na nova política tributária do estado do Rio para o setor aço, que reduziu a alíquota do ICMS de 20% para 3% para empresas com faturamento bem menor do que o da própria CSN.
Há ainda outra explicação para a criação de empresas independentes pela CSN. Trata-se da política de financiamento para novos negócios, que aconteceria também de forma indepen- dente, de maneira que se uma empresa não conseguir pagar um credor, por exemplo, as demais não sairiam prejudicadas. Para se ter uma ideia, atualmente, a dívida líquida da CSN impacta os resultados financeiros de suas subsidiárias. O próprio Benjamin reconheceu isto e anunciou que daqui para frente o grupo CSN fará diferente. “(…) erramos no passado, na emergência de aproveitar oportunidades nós usamos de forma abrupta o capital de giro”, admitiu.
Segundo o executivo, os novos negócios serão ‘construídos’ dentro de um
tripé que valoriza a alavancagem baixa, o crescimento responsável e ainda uma política de dividendos agressiva. “As pessoas podem pensar: ‘pô, como é que se faz isto?’ Porque são coisas que competem entre si. Mas eu diria que seria um reflexo do que já fizemos em 2022. Vocês podem esperar pela frente um pouco do que fizemos e pregamos em 2022. Teremos uma CSN jovem, moderna, agressiva, com muita diversidade, geradora de muitas oportunidades, com racionalidade e muito futuro”, prometeu.
De fato, 2022 foi um ano de virada para a CSN. A empresa fechou três grandes aquisições (Elizabeth Cimentos, Lafarge Holcim e a geradora de energia elétrica gaúcha CEEE-G) e avançou nos investimentos em mineração com a mina P15. “Temos ainda inúmeras oportunidades quicando na nossa frente e vamos tirar proveito disso”, avisou Benjamin, sem citar quais outras empresas estariam no radar da CSN. “Essa questão de novos negócios de 1 bilhão é aquilo que, na minha cabeça, vai trazer uma grande valorização para a CSN do ponto de vista financeiro, do ponto de vista de produtividade, de competitividade e de redução de custo”, completou.
Os cinco ativos e o AF-2
Durante o CSN Day, os executivos da CSN explicaram as projeções do grupo para os cinco ativos da empresa e revelaram que, em 2023, o Alto-Forno 2 da CSN vai ser desligado por cerca de 180 dias para uma nova reforma. A declaração foi dada por Luiz Fernando Martinez, diretor corporativo, e reforçada por Benjamin Steinbruch. “A CSN jamais vai fechar qualquer alto- forno. Nós somos competitivos e vamos ser cada vez mais, de forma respeitosa ao meio ambiente. Nós vamos parar o AF-2 para manutenção”, revelou. A previsão é de que a parada aconteça ainda no primeiro semestre de 2023.
Historicamente, o AF- 2 passa por uma super- reforma a cada sete anos. As últimas aconteceram em 2009 e em 2016, gerando mais de mil postos temporários de trabalho em Volta Redonda. Inaugurado em 1954, ele é um dos mais antigos fornos em operação no Brasil e responsável por 30% da capacidade de produção de aço na UPV. Benjamin e Martinez não deram detalhes da reforma, disseram apenas que ela acontecerá em 2023 e a empresa continuará comprando placas de aço do mercado asiático, para compensar o tempo de inatividade do AF-2.
Sobre os demais ativos (mineração, cimentos, energia e transportes), Steinbruch detalhou as estratégias da CSN para cada um, exaltando o setor de mineração e cimentos. Este último, provavelmente, será o próximo a ter o seu capital aberto na bolsa de valores. Sobre cada um deles, veja o que o presidente da CSN falou:
Cimentos – “Nós temos a possibilidade de crescimento em nível nacional e internacional. Estamos procurando isso e temos o potencial de uma IPO (Oferta Pública de Ações). Para tal, estamos acumulando
ativos de muito valor que vão representar uma desalavancagem importante para a companhia em algum momento”, comentou Benjamin Steinbruch.
Energia – “Na questão de energia, temos o mundo a correr em questão de crescimento limpo. Seja do ponto de vista eólico, solar ou de água. Todos de energia limpa, com potencial de crescimento enorme. E, dentro disso, a gente realizou um investimento de R$ 5 bilhões no semestre passado, criando um novo negócio”, ressaltou Steinbruch, referindo-se às PCHS Sacre, Santa Ana e Quebra Queixo, além de 66,6% das ações da Companhia Estadual de Geração de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul. Com isto, antecipou de 2027 para 2022 a meta de alcançar a capacidade de geração de energia de 840 MW. Uma IPO desse ativo vem sendo analisada pelo grupo CSN.
Transporte – “Da logística, nós temos valores dentro dos nossos negócios que são muito significativos, seja do ponto de vista ferroviário, como a MRS, ou do ponto de vista de porto. A gente acredita nesse negócio, no seu potencial e temos muito valor a se destravar com relação a esses ativos”, avisou.
Mineração – “Estamos em expansão com a P15 já iniciada e a ideia é duplicar as nossas quantidades em curto prazo. A P15 hoje tem um financiamento garantido de 1,4 bilhões dólares nos bancos de desenvolvimento japoneses e é com esse critério que vamos fazer todos os investimentos, aceitar os desafios e as oportunidades que aparecerem”, destacou, referindo-se à mina que está em construção em Itabirito (MG), que deve entrar em operação em 2025, produzindo até 15 mil toneladas.

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