Correndo riscos

Rodrigo fala grosso, faz ameaças, volta atrás e fecha acordo com MP

O prefeito Rodrigo Drable, como o aQui anunciou nas redes sociais, com exclusividade, na noite de terça, 28, fechou um acordo com o Ministério Público e já na quarta, 29, as lojas de Barra Mansa voltaram a funcionar em um complicado esquema de rodízio. A reunião durou mais de duas horas, e chegou a ser tensa. Motivo: na noite de domingo, 26, em live, Drable chegou a anunciar que não renovaria o decreto de isolamento social. Insinuou que os comerciantes, sem regras estipuladas por ele, poderiam abrir as lojas do jeito que quisessem.  

Drable foi além. Criticou o MP, a Justiça, os moradores que teimavam em andar sem máscara pelas ruas de Barra Mansa e ameaçou recorrer ao MPF para defender a tese de que ele, como prefeito, é quem teria a palavra final nos destinos do isolamento social. Estava tão irritado que chegou a dizer alguns palavrões na sua live aos barramansenses. No dia seguinte, como em um passe de mágica, assinou um novo decreto, o de número 9846, para prorrogar o isolamento em combate ao Covid-19 por força de ordem judicial. Importante: A prorrogação não tinha data para acabar. Ou seja, poderia terminar em um dia, ou em um ano.

Durou apenas 24 horas. Na noite de terça, 28, por meio de outro decreto, número 9851, determinou a reabertura do comércio do município a partir das primeiras horas de quarta, 29. “Quem é contra (a abertura das lojas), que fique em casa. Não estou obrigando ninguém a ir para as ruas. A fazer compras”, disparou ao ver que sua cruzada contra o MP – a favor dos empresários – poderia ser um tiro no pé.

Curiosidade mórbida

A manhã de quarta foi sintomática. As calçadas das ruas do centro de Barra Mansa foram ocupadas por dezenas de moradores ávidos em testemunhar a grande mudança permitida pelo governo Drable depois de muita pressão que sofreu dos grandes grupos empresariais, tipo Aciap, CDL etc. O problema é que, como de praxe, a maioria dos barramansenses estava sem máscara. Produto que só são obrigados a usar se entrarem em algum estabelecimento comercial.  

Pelo decreto de Rodrigo, as lojas do centro vão funcionar em sistema de rodízio, de segunda a sexta, em horários distintos previamente definidos: das 9 às 14 horas e das 15 às 20 horas, com intervalo de uma hora entre eles. Para complicar ainda mais o entendimento da população: as lojas foram divididas em dois grupos: de cor amarela e cor vermelha. Os amarelinhos, por exemplo, que funcionarem de manhã em um dia, só poderão abrir as portas na tarde do dia seguinte. Os vermelhinhos (de raiva) da manhã de um dia, abrirão na tarde do outro e assim sucessivamente. Entenderam? Para piorar. Entre as 14 e 15 horas, todos terão que ficar na rua, fora das lojas, que estarão fechadas (troca de turno).

O  comércio da periferia poderá funcionar das 9 às 16 horas. Aos sábados, o horário também será escalonado. A publicação da tabela, inclusive, deve ter custado uma fortuna aos cofres públicos. De difícil entendimento, ocupou várias páginas do órgão oficial do município. O valor gasto daria para adquirir centenas de máscaras de proteção facial, que será exigida de trabalhadores e clientes das lojas abertas. .

            “A proposta apresentada (ao MP) para a flexibilização do comércio sofreu ajustes e foi homologada pela Justiça. Ressalto a importância do uso da máscara, de forma adequada e rigorosa, para não comprometer o funcionamento do comércio. Uma única loja que deixar de seguir as determinações, pode prejudicar todo o município”, destacou o prefeito.

Veja abaixo as principais regras para o funcionamento das lojas:

 – Está proibido o uso dos banheiros das lojas pelos clientes; dos provadores de roupas e bebedouros. O acesso dos clientes as lojas será limitado, sendo um cliente para cada 10m² de área de vendas, que deverá ser controlado pelo próprio empreendimento.

 – As lojas de venda de alimentos devem seguir as mesmas regras de higiene e acesso, sem consumo local, sendo permitido o sistema delivery e a retirada dos alimentos, sem self-service.

 – Bares, restaurantes, lanchonetes e lojas de conveniência poderão funcionar das 10 às 18 horas, com a utilização de até 30% da capacidade de mesas e cadeiras, com distanciamento de no mínimo 1,5 metros e a devida higienização das mesas, cadeiras, balcões, banheiros, acessos e corrimãos, entre o uso de clientes ou a cada uma hora.  Deverão ser utilizados exclusivamente pratos, talheres e acessórios descartáveis, nos serviços de alimentos sólidos e líquidos.  A partir das 18 horas só será permitido o serviço de entrega em domicilio.

– As filas serão de responsabilidade dos empresários, que deverão garantir o distanciamento mínimo de dois metros entre as pessoas que aguardam por atendimento.

– As aulas em todas as escolas, universidades e faculdades das redes de ensino público e privado seguem suspensas até o dia 12 de maio, podendo o prazo ser prorrogado.

– O desrespeito a qualquer das normas, ocasionará a aplicação de penalidades adequadas na forma da lei. Importante: As denúncias relacionadas ao não cumprimento dos horários das lojas e afins devem ser feitas à Fiscalização de Postura pelo telefone (24) 3322-7817.

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