As vigilâncias epidemiológicas dos municípios da região Sul Fluminense estão em alerta máximo. É que em apenas dois meses do surgimento da varíola dos macacos (Monkeypox) no estado do Rio, a doença já foi registrada pela primeira vez na região. Trata-se de um homem de 33 anos, morador de Resende, que não tem histórico de viagens recentes para fora do estado. A preocupação é justamente essa: o vírus já está circulando internamente, o que tem despertado nas secretarias de Saúde a necessidade de criarem salas de situação e monitoramento para elaboração de protocolos com fluxos de atendimento, encaminhamento e prevenção da doença.
Todo esse aparato não é apenas pelo registro do primeiro caso da varíola dos macacos. Mas também pelo número de casos suspeitos notificados até ontem, sexta, 12: foram dois em Quatis, um em Barra do Piraí, um em Porto Real e cinco em Resende – com a confirmação de um deles. Os pacientes são, na maioria, homens, e as análises sorológicas enviadas ao laboratório do Estado (Lacen) ainda aguardam resultado. Em nota, a prefeitura de Resende informou que o paciente contaminado no município passa bem, não necessitou de internação, está isolado em casa e sendo monitorado pela Vigilância Epidemiológica local.
No estado do Rio já são quase mil casos notificados da doença e 295 confirmados. A maior incidência está na região metropolitana do Rio, com 252 confirmações (85,42%), seguido da Baixada Fluminense com 26 casos (8,81%), Serrana 3 (1,02%), Norte e baixada litorânea com 2 casos cada (0,68%) e o Médio Paraíba que entrou para o ranking essa semana, após a confirmação de um caso em Resende. Segundo a secretaria estadual de Saúde, os casos ativos de Monkeypox são, em sua maioria, de pacientes homens com idades entre 20 a 39 anos (214 casos), e 40 a 59 anos (70 casos). Não há registros da doença em crianças no estado do Rio.
A recomendação da SES-RJ para evitar o contágio é bastante semelhante às orientações da Covid (uso de máscaras e álcool 70%, higienização de ambientes, objetos e mãos e evitar contato com pessoas contaminadas). A transmissão ocorre por contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama. “A transmissão de humano para humano está ocorrendo entre pessoas com contato físico próximo com casos sintomáticos, inclusive relações sexuais protegidas com camisinha”, informou a SES.
O principal sintoma da Monkeypox é o aparecimento de lesões parecidas com catapora ou bolhas que podem surgir no rosto, dentro da boca e em outras partes do corpo, como mãos, pés, peito, genitais ou ânus. O paciente contaminado também pode apresentar, além das lesões na pele, dores de cabeça e febre. A doença possui letalidade baixa, mas pode levar ao óbito pacientes com outras patologias associadas e em organismos imunossuprimidos.
Vale lembrar que a Monkeypox tem essa variação no nome porque a doença foi observada pela primeira vez em macacos, na década de 1950. Mas os primatas são apenas vetores da doença, não são os causadores da zoonose.
Confirmado
Resende, Quatis, Porto Real e Barra do Piraí investigam caso de Monkeypox

