terça-feira, novembro 30, 2021

Com rodízio

Roberto Marinho

A secretaria de Educação de Volta Redonda confirmou que na segunda, 13, cerca de 20 mil alunos da rede municipal voltarão a ter aulas presenciais, tanto os da educação infantil, quanto do ensino fundamental. Eles representam pouco mais da metade dos 36 mil estudantes matriculados nos colégios municipais, mostrando que muitos pais ainda não estão seguros em deixar os filhos voltarem para as escolas por conta da Covid-19. A novidade maior é que a volta será em sistema híbrido, com aulas presenciais e on-line.
As famílias decidirão se os alunos voltarão às escolas para assistirem às aulas ou se ficarão em casa para acompanhá-las pelo ensino remoto. Importante: se a capacidade da sala ultrapassar os 50% exigidos por lei, a turma será dividida, com os grupos se revezando semanalmente para assistir às aulas. “Cada escola já tem a quantidade autorizada por turma. Se esse quantitativo for maior que os 50% exigidos atualmente por lei, a turma terá um rodízio: um grupo por semana. Quem não estiver na sala de aula estará acompanhando pela plataforma (de ensino remoto, grifo nosso), sem prejuízo do processo”, afirmou Therezinha dos Santos Gonçalves, a Tetê, por meio da Secom (secretaria de Comunicação).
Tetê afirmou ainda que, além do quantitativo de 50% da turma, o tamanho das salas também será levado em conta para definir se haverá rodízio ou não. “No máximo 50% dos alunos de cada turma estarão presentes em sala de aula ao mesmo tempo. Além do quantitativo, temos também que respeitar o tamanho de cada sala, para calcular o máximo permitido pelos protocolos de segurança vigentes”, apontou.
Para as famílias que, mesmo inseguras, vão mandar os filhos para a escola, a secretária de Educação mandou uma mensagem: “Todas as nossas escolas estão devidamente preparadas para o retorno. Equipe diretiva, pedagógica, professores e funcionários foram devidamente orientados sobre os protocolos de segurança e participaram de formações específicas para aprenderem juntos a lidar com quaisquer eventualidades. Estamos prontos, aguardando nossos estudantes”, garantiu Tetê.
Tem mais. A secretaria de Educação informou que o protocolo que está sendo seguido para a volta às aulas foi elaborado por um comitê municipal que incluiu órgãos governamentais – secretarias de Educação, Saúde e Ação Social – e diversos representantes da sociedade civil, incluindo sindicato dos Profissionais da Educação etc. E que a estrutura do documento segue as diretrizes do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) de julho de 2020, que apontou os elementos essenciais que devem compor os protocolos municipais.
Mas…
Nem tudo é tranquilidade no meio estudantil. Muitos pais, e até mesmo profissionais da Educação, estão preocupados. “Há alguns problemas: se a família de um aluno decidir que ele deve ficar em casa, assistindo à aula pela plataforma, mas na turma dele não tiver um número mínimo de estudantes que também ficarão on-line, ele terá que assistir aulas preparadas por outra escola, que teve o número mínimo de alunos para o sistema on-line”, disse uma fonte, pedindo para não ser identificada.
Segundo outra fonte, que também pediu anonimato, a distância entre as crianças nas salas de educação infantil também é um problema. “As mesas utilizadas pelos pequenos medem 80 centímetros, e a SME está querendo colocar duas crianças por mesa. Só que o protocolo estabelece que os alunos fiquem a uma distância de um metro entre eles. Ou seja, com duas crianças por mesa, o protocolo será desobedecido”, afirmou, salientando que, no entanto, esse problema “está acontecendo em todas as cidades” onde as crianças voltaram para as escolas.
A coordenadora do Sepe-VR (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação – Núcleo Volta Redonda), Luiza Braz Serra, afirmou em nota que a entidade é contra o retorno das aulas presenciais. “O Sepe-VR compreende a importância do papel da escola pública na sociedade. No entanto, continuamos a defender a vida acima de qualquer coisa. Por isso, somos absolutamente contra este retorno presencial nas escolas em geral. Precisamos entender que as escolas públicas não foram preparadas para esse retorno, não receberam obras de estruturação que garantam uma ventilação adequada nas salas e espaços comuns, e sequer há uma previsão para tais ações”, afirmou.
Luiza relatou ainda o que chamou de “falta de democracia” da secretaria de Educação ao estabelecer as medidas para o retorno das aulas presenciais. “Professores, funcionários e nós, do Sepe-VR, não fomos consultados e nem convidados para construir um possível retorno. Turmas estão sendo fechadas, alterando a configuração das escolas neste momento, causando insegurança aos profissionais e estudantes. A carga horária, que já era exaustiva, ficará maior ainda com o ensino híbrido, com os profissionais tendo que utilizar dos próprios recursos para garantir um ensino de qualidade, não tendo recebido qualquer ajuda do governo municipal”, apontou a coordenadora. Segundo ela, o Sepe-VR fará uma assembleia virtual na terça, 14, para discutir “as condições de retorno impostas pela SME”.

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