Com recurso

Sindicato comemora reintegração de demitidos, mas decisão pode ser derrubada

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A Justiça do Trabalho de Volta Redonda determinou a imediata reintegração de nove ex- metalúrgicos da CSN, demitidos em abril de 2022. O grupo integrou a chamada Comissão de Trabalhadores – responsável por liderar as manifestações e paralisações ocorridas na UPV durante a campanha salarial do ano passado. Outras 200 demissões foram realizadas pela CSN, mas a ação judicial contemplou apenas os nove. Três deles, inclusive, fazem parte da atual diretoria do Sindicato e não devem retornar para a usina. São eles: Marcelino Vieira Balbino da Silva, José Marcos da Silva e Odair Mariano da Silva. Este último foi eleito vice-presidente do Sindicato.
Pelo que o aQui apurou, dos nove ex-metalúrgicos, dois já estão trabalhando em outras empresas, fora de Volta Redonda, e não devem querer voltar à CSN. A reintegração retornaria, de fato, com apenas quatro operários para a UPV e voltaria com o vínculo dos três diretores do Sindicato já citados acima. Na quinta, 23, o grupo, acompanhado de Edimar Miguel e Tarcísio Xavier, esteve na porta da CSN com as decisões em mãos, aguardando autorização para entrar na usina. Eles foram recebidos pelo RH, que marcou a data do dia 3 de março para que façam os exames admissionais antes de voltar ao batente.
Em pelo menos dois vídeos postados nas redes sociais, Edimar leu a sentença e comemorou a decisão.
Só esqueceu de dizer que ela poderá ser reformada a qualquer momento, já que a CSN apresentou um recurso em instâncias superiores e aguarda o julgamento para os próximos dias. Nos vídeos, Edimar exaltou a figura do advogado Tarcísio Xavier, que não faz parte da diretoria do Sindicato, mas a quem chamou de representante do Jurídico do órgão de classe. “Precisamos exaltar o nosso departamento jurídico, muito bem representado pela presença do dr. Tarcísio”, disse. Antes de encerrar, como querendo corrigir a gafe, Edimar citou o nome do verdadeiro diretor jurídico, Leandro Vaz.
Ainda no vídeo, Edimar anunciou que vai ajuizar uma segunda ação de reintegração, desta vez para contemplar todos os 200 operários demitidos em abril do ano passado. Em boletim divulgado na quinta, 23, ele criticou as demissões e as classificou como arbitrárias. “Esses companheiros (…) se indignaram com a situação e conduziram a luta de abril de 2022, representando os interesses dos trabalhadores contra a precarização das condições de trabalho, e na defesa de seus direitos foram covarde e ilegalmente demitidos por um ato antissindical da CSN”, concluiu.
A decisão de reintegração é da juíza Monique Kozlowski – que nos últimos meses vem julgando ações do Sindicato e concedendo vitória ao grupo de Edimar. Os beneficiários com a reintegração são, além dos já citados, Thales de Oliveira Ribeiro, Ronald de Andrade Gomes, Felipe Abilio dos Santos, Ulisses Cezario de Oliveira, Israel Fagner de Sousa e Felipe Correa Soares. A CSN não comentou a decisão.