Com carteira assinada…

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VR é a cidade que mais perdeu emprego em 2025 no Sul Fluminense; BM é destaque positivo

Mateus Gusmão 

Todo mês é a mesma história. Assim que o Ministério do Trabalho divulga os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), começa a corrida dos prefeitos da região para tentar encontrar um jeito de transformar as informações em boas notícias. Afinal, quem não quer dizer que a economia da sua cidade vai de vento em popa? Nos últimos dias, por exemplo, os últimos dados foram muito explorados, cada um puxando sardinha para seu lado.

É que, nesta semana, o Caged divulgou os dados referentes a outubro. Somando os resultados dos 92 municípios, o estado do Rio registrou a abertura de 7.437 empregos com carteira assinada em outubro, o que, convenhamos, é muito pouco. O saldo até ultrapassou a casa dos 100 mil empregos. Foi de 104.193 novos postos formais no acumulado dos dez primeiros meses de 2025, gerando um desempenho positivo em três dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas avaliados. O destaque foi no setor de Serviços, que gerou 5.540 novos postos.

O resultado do estado poderia ter sido melhor. É que alguns municípios registraram dados negativos na geração de emprego. É o caso de Volta Redonda, que registrou no Sul Fluminense o pior desempenho de janeiro a outubro. Nos dez primeiros meses do ano, a cidade teve 28.437 admissões e 30.345 desligamentos, chegando ao saldo negativo de 1.908. 

O detalhe é que, dos dez meses considerados do ano, somente em dois Volta Redonda teve saldo positivo no comparativo entre contratações e desligamentos: agosto (600 novos postos criados) e setembro (415 novas vagas geradas). Quando do resultado positivo, o prefeito Neto chegou a comemorar. “Nesses quatro anos, trabalhamos muito em diversas frentes para fomentar a geração de empregos, seja por meio de parcerias com empresas para aproximar os moradores das vagas disponíveis, ou com qualificação através de cursos oferecidos pela prefeitura e por instituições parceiras”, lembrou Neto.

Barra Mansa é a segunda cidade em geração de emprego

Se Volta Redonda anda patinando quando o assunto é geração de empregos, Barra Mansa aparece em segundo lugar da região no quesito. Foram abertas, de janeiro a outubro, 14.626 vagas, enquanto foram fechadas 13.810. O saldo: 816. O setor de Serviços foi o que mais se destacou no período, com 600 novas vagas preenchidas; a indústria também teve um resultado significativo, com saldo de 520 empregos.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, Cesar de Carvalho, ter essa posição na região comprova que Barra Mansa está no caminho certo do crescimento e da geração de empregos. “Barra Mansa é uma cidade aberta para atrair novos negócios, com excelentes atrativos e localização estratégica, que conta com malha ferroviária e a Rodovia Presidente Dutra, facilitando a entrada e a saída de mercadorias. Além disso, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico está continuamente buscando fomentar as ações que aproximam os moradores das oportunidades profissionais, o que foi de suma importância para alcançar o resultado no Caged”, destacou Cesar.

Barra do Piraí tem destaque

Barra do Piraí também aparece com saldo positivo na geração de empregos: com 689 novas oportunidades, tendo sido, este ano, 7.155 admissões e 6.466 demissões. Esse saldo deixa a cidade com a segunda colocação no rol de quem mais gerou empregos no ano na região. Segundo a prefeitura, dos empregos gerados, 400 foram ocupados por mulheres, enquanto o destaque setorial foi para a indústria e serviços. Porém, a maior retomada veio do comércio.

A prefeita Kátia Miki destacou que o crescimento econômico do município é reflexo de muita dedicação e compromisso. “Todo nosso trabalho é feito com total dedicação e compromisso com os barrenses. A geração de empregos e a abertura de empresas foram alavancadas graças ao trabalho magnífico desempenhado pelo Tadeu e sua equipe, bem como todo o apoio que estamos recebendo das esferas estadual e federal. Esse é só o início. Colocamos metas altas para os próximos anos e já traçamos os planejamentos. Muita coisa boa vem por aí”, finalizou a prefeita.

O aQui fez um levantamento dos dados do Caged, de janeiro a outubro deste ano, dos municípios do Sul Fluminense. Confira a tabela e compare.

Cidade Admissões Demissões Saldo

Volta Redonda 28.437 30.345 -1.908

Barra Mansa 14.626  13.810  816 

Barra do Piraí 7.155 6.466 689

Resende 14.867 13.931 936

Pinheiral 1.568 1.465 103

Piraí 2.245 2.293 -48

Porto Real 2.163 1.948 215

Itatiaia 3.178 3.070 108

Rio Claro 525 433 92

Esperança com cautela

 A Ipsos lançou o ‘Monitor do Custo de Vida 2025’, a 7ª edição da pesquisa global que analisa como as pessoas em 30 países percebem sua situação financeira em meio a um cenário de múltiplas crises – econômicas, sociais e climáticas. No Brasil, o levantamento revela um cenário de contrastes: embora a percepção de dificuldades ainda seja significativa, cresceu o otimismo quanto ao futuro financeiro entre a população.

Atualmente, 35% dos brasileiros afirmam estar em situação financeira “difícil/muito difícil”, percentual acima da média global de 27%. Ainda olhando os números do Brasil, 8% dizem estar vivendo confortavelmente, 26% dizem estar ok e 28% dizem “estar se virando como podem”.  

Holandeses (26%), suecos (23%) e britânicos (16%) apresentam os maiores índices de pessoas que afirmam estar vivendo confortavelmente. Na outra ponta do ranking, temos a Argentina, onde 57% afirmam estar em situação financeira “difícil/muito difícil”.

Se a situação atual ainda é vista como difícil, as expectativas são boas. 35% dos brasileiros acreditam que sua renda vai aumentar no próximo ano, índice superior à média mundial de 29% e que coloca o país entre as oito nações mais otimistas do ranking. Quando o tema é padrão de vida, 39% esperam melhora nesse aspecto, também acima da média global (30%).

Mesmo com essa perspectiva positiva, a preocupação com o cenário econômico permanece alta. Três em cada dez brasileiros (36%) acreditam que o país está em recessão, um aumento de três pontos percentuais em relação a 2024. Além disso, 68% preveem pagar mais impostos nos próximos meses, 11 pontos acima da média global, e 66% esperam elevação das taxas de juros, o segundo maior índice entre os países pesquisados, atrás apenas da África do Sul (70%).

“Os dados mostram que o brasileiro vive uma espécie de descompasso entre sua experiência diária e suas expectativas para o futuro. De um lado, 35% dizem estar em situação financeira difícil, um índice bem acima da média global, e a maioria segue apreensiva com fatores imediatos, como juros e impostos, que afetam o orçamento mês a mês. De outro, quando projetam o próximo ano, aparecem entre os mais otimistas do mundo: 35% acreditam que sua renda vai aumentar e 39% esperam melhora no padrão de vida. Essa combinação acontece porque, embora o presente ainda seja percebido como apertado, a população identifica sinais, ainda que modestos, de melhora estrutural e acredita na própria capacidade de recuperação. O resultado é um país que reconhece a pressão do agora, mas enxerga espaço para avançar no médio prazo”, explica Marcos Calliari, CEO da Ipsos Brasil.

A inflação também segue no radar: 65% dos brasileiros acreditam que ela vai aumentar, percentual um pouco abaixo da média global de 68%, indicando que, embora o tema ainda preocupe, a percepção de aceleração dos preços é ligeiramente menor por aqui do que no restante do mundo.

Custo de vida sob pressão

O custo de vida segue como questão sensível: 79% dos brasileiros apontam as taxas de juros como o principal fator que encarece o dia a dia, seguido pelo estado da economia global (73%) e pelas políticas do governo (72%).

Em relação às despesas familiares, embora o Brasil apresente níveis de preocupação inferiores à média global em todos os quesitos analisados, a percepção de alta ainda é significativa: 64% acreditam que os custos com alimentação vão subir, e 61% esperam aumento nas contas de energia e gás.

A pesquisa mostra que mesmo diante de um contexto global desafiador, os brasileiros possuem uma das visões mais otimistas sobre o futuro financeiro, mas seguem atentos à inflação, aos juros e à carga tributária que pesam no orçamento familiar.

Metodologia

A Ipsos entrevistou um total de 23.772 adultos com 18 anos ou mais na Índia, 18-74 no Canadá, República da Irlanda, Malásia, África do Sul, Turquia e Estados Unidos, 20-74 na Tailândia, 21-74 na Indonésia e Singapura, e 16-74 em todos os outros países. As entrevistas ocorreram de 22 de agosto a 5 de setembro de 2025.

A amostra incluiu aproximadamente 1.000 indivíduos em cada um dos seguintes países: Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Indonésia, Itália, Japão, Espanha, Turquia e Estados Unidos, e 500 indivíduos em cada um dos seguintes: Argentina, Chile, Colômbia, Hungria, Irlanda, Malásia, México, Países Baixos, Peru, Polônia, Romênia, Singapura, África do Sul, Coreia do Sul, Suécia e Tailândia. A amostra na Índia consistiu em aproximadamente 2.200 indivíduos, dos quais cerca de 1.800 foram entrevistados presencialmente e 400 online. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 p.p.