Cautela máxima

Roberto Marinho

Diferentemente da maioria dos municípios da região, que já retornaram com as aulas presenciais, Volta Redonda preferiu esperar pela vacinação dos professores e definiu que os 36.605 alunos da rede voltarão às salas de aulas daqui a exatos 37 dias. Em 13 de setembro, para ser mais específico. Os preparativos começaram em julho, quando a secretaria de Educação iniciou com o básico: limpeza, capina e pequenos reparos – em todas as escolas municipais.
O engraçado é que, até a semana passada, os professores não sabiam para que lado deveriam ir quando as aulas começassem: se seguiriam esquemas adotados em outros municípios ou se usariam uma nova modalidade por conta própria. Sabia-se apenas que o sistema seria híbrido, com parte dos alunos em casa e outra parte na escola. Entretanto, na quinta, 5, o mistério acabou. E a pasta promete boas novidades. A principal é que o professorado, diferente do que acontece em Barra Mansa, por exemplo, não precisará se dividir em duas frentes. Haverá um profissional específico para o ensino remoto e outro para o presencial.
De acordo com a secretaria de Educação de Volta Redonda, será fornecido lanche e almoço aos estudantes. Tem mais. Os alunos terão redução de carga horária. “O professor deverá cumprir, tanto na sala quanto no remoto, duas horas e 30 minutos de trabalho efetivo, contando com as aulas extras. Cada escola vai poder organizar, da melhor forma possível, o horário de entrada e saída de cada turma. Uma nova avaliação diagnóstica está sendo preparada para entender, de fato, o nível de cada aluno e como o professor deverá atuar para atender a demanda deles”, detalhou a pasta.
Com relação à segurança das crianças e a possibilidade de cada escola cumprir com os protocolos sanitários, a secretária de Educação, Terezinha Gonçalves, a Tetê, explicou que uma pesquisa foi feita entre junho e julho para verificar a quantidade aproximada de alunos que estariam dispostos a voltar às aulas presenciais. Segundo ela, cerca de 24 mil alunos responderam ao questionamento e, do total, 62% – pouco menos de 15 mil estudantes – anunciaram que pretendem voltar a assistir às aulas de forma presencial.
Tetê garantiu que estão sendo feitas reuniões de preparação com os profissionais da educação municipal. A primeira etapa, inclusive, quando abordaram os protocolos sanitários, foi realizada no dia 8 de julho, e teria reunido diretores e diretores adjuntos das unidades escolares municipais. A reunião de treinamento, segundo Tetê, contou com o apoio da Divisão de Vigilância Epidemiológica Sanitária da secretaria de Saúde de Volta Redonda. Uma segunda reunião, nos mesmos moldes, teria sido feita, na quinta, 5, com supervisores, orientadores, professores, auxiliares de Educação e cuidadores.
Tem mais. A secretaria de Educação está realizando reuniões – de 3 e 18 de agosto – para discutir os procedimentos pedagógicos com diretores, supervisores e orientadores, englobando o pessoal da educação infantil ao EJA (Educação de Jovens e Adultos). Em relação às máscaras, Tetê informou que elas serão distribuídas na segunda quinzena de agosto diretamente para as escolas, “para serem fornecidas às pessoas que porventura compareçam sem máscara às unidades”, explicou.
Tetê só não comentou a qualidade das máscaras, preocupação de boa parte dos pais dos alunos. Mas, sobre a alimentação, a secretária afirmou que a distribuição da merenda “será feita de acordo com cada segmento e modalidade de ensino, garantindo assim as respectivas especificidades”.

Fevre vai acabar com turmas de ensino médio
A notícia caiu como uma bomba: a direção da Fundação Educacional de Volta Redonda estaria trabalhando para acabar com 18 turmas de ensino médio da Fevre, conhecida justamente pela excelência nessa etapa da educação básica. A medida passaria a valer a partir do ano que vem, com o fim do processo seletivo para as unidades da fundação destinadas ao ensino médio: os colégios Getúlio Vargas; João XXIII; José Botelho de Athayde; Professora Delce Horta Delgado. No último processo seletivo para ingressar nos colégios da Fevre, no início de 2021, foram oferecidas 210 vagas para o ensino médio.
A justificativa oficial, de acordo com a secretária de Educação, é que o encerramento das turmas teria sido definido após uma avaliação do que seria realmente atribuição do governo Municipal e do governo do Estado em relação ao ensino médio. Tetê entende, por exemplo, que o objetivo é concentrar recursos dos cofres do Palácio 17 de Julho para a educação fundamental, até o 9o ano. “Diante do que é responsabilidade do Município, vimos a necessidade de ampliar a oferta (de vagas) e o período integral na educação infantil e nas nossas creches, além de fortalecer o ensino fundamental”, defende.
Na avaliação da secretária, o ensino médio da Fevre atendia apenas a uma minoria de alunos. “A gente sabe que o ensino médio oferecido pela Fevre é de excelência, mas também sabe que atendia uma minoria, em um processo que selecionava os melhores alunos do 9o ano do ensino fundamental. E esses estudantes continuarão sendo atendidos pelo Estado, dentro da responsabilidade que compete a ele”, ponderou.
A justificativa não oficial seria financeira. Como o dinheiro anda escasso – a educação depende majoritariamente de verbas federais -, a ordem é concentrar os investimentos onde a responsabilidade seja do município. No ensino fundamental. Além disso, o Município é responsabilizado quando não cumpre a meta de vagas que, na verdade, não são da sua competência.
Projeto
Um que reclamou bastante do fim das turmas da Fevre foi o vereador Betinho Albertassi. Ele classificou a decisão do governo Neto como “lamentável”. Mas reconheceu, nas redes sociais, que o momento é delicado para a prefeitura, financeiramente. “Quem nasceu e foi criado em Volta Redonda sabe da importância da Fevre para a formação de milhares de jovens e adolescentes. O momento é delicado para o Município, mas entendo que deixar a história se perder e os alunos serem prejudicados, a conta vai chegar no futuro”, ponderou.
Ainda sobre a educação, Betinho Albertassi apresentou um projeto de lei instituindo um programa permanente de reforço escolar na rede municipal de ensino, a princípio dirigido para alunos do 5o e do 9o ano, com aulas de português e matemática. O objetivo principal, de acordo com o parlamentar, é recuperar a defasagem de aprendizagem causada pelo distanciamento social e o ensino remoto durante a Covid-19.
O PL também teria o objetivo de mapear os alunos com maior dificuldade e os que tiveram maior número de faltas no ensino remoto, além de autorizar a realização de convênios e parcerias para a execução do programa.

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