segunda-feira, junho 27, 2022

Casos sérios

Volta Redonda teve mais de 50 idosos agredidos em 2021; Barra Mansa, um pouco menos: 26

Roberto Marinho

O Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra o Idoso foi lembrado na quarta, 15. Ainda que existam avanços – como o Estatuto do Idoso, que garante direitos básicos para os maiores de 60 anos, como atendimento preferencial, gratuidade nos transportes públicos, etc, e instituiu penas severas para quem desrespeitar, agredir ou abandonar idosos –, os casos de violência ainda são muitos. De acordo com a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, órgão do governo Federal, no ano passado foram registrados 37 mil casos de violência contra o idoso no Brasil, sendo que 29 mil deles foram de agressão.
Em Volta Redonda – com cerca de 35 mil pessoas acima de 60 anos, segundo o IBGE –, foram registrados 53 casos de agressão contra idosos. Os números são do Portal do ISP-RJ (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro). As agressões representam cerca de 7% de um total de 856 casos de lesão corporal dolosa. Em mais da metade dos casos, os agressores e as vítimas tinham alguma relação: eram vizinhos, amigos ou conhecidos (15%), companheiros ou ex-companheiros (22,5%), filhos ou enteados (9,4%), outros parentes (9,5%), ou tinham relação (9,5%) não especificada. O perfil segue a mesma lógica da violência doméstica, onde na maior parte dos casos os agressores e as vítimas se conhecem.
Outro crime que atingiu os idosos na cidade do aço foi a ameaça, praticada contra 85 volta-redondenses acima de 60 anos. O número é alto, representa quase 10% do total de 882 vítimas registradas em 2021. Assim como nas agressões, grande parte das ameaças – cerca de 40% – foi cometida por pessoas que tinham alguma relação com a vítima, sejam companheiros ou ex-companheiros, filhos, enteados, outros parentes ou amigos. Mas diferentemente das agressões, que tem a maior parte das vítimas masculinas (60%), as mulheres idosas são as que sofrem mais ameaças, representando cerca de 65% dos casos.
Muitos idosos também são vítimas de estelionato: foram 379 casos contabilizados em 2021, sendo que os maiores de 60 anos representam quase um terço do total das vítimas em Volta Redonda, quando houve 1.451 ocorrências. Em relação aos idosos, esse é o maior número de casos de estelionato desde 2014, quando a série histórica começou a ser registrada. O número de diferentes golpes na praça é imenso, e muitos utilizam a aparente falta de intimidade dos mais idosos com a tecnologia, principalmente o celular, para enganar as vítimas.
Os integrantes da terceira idade também foram vítimas de injúria (68), dano (6), calúnia (5), difamação (4), extorsão (3) e homicídio doloso (1). A denúncia de violência contra idosos pode ser feita no Disque 100, com ligação gratuita e de forma anônima. As denúncias também podem ser feitas diretamente na 93a DP, em Volta Redonda.
Barra Mansa teve 26 idosos agredidos em 2021
Em Barra Mansa, a violência contra os idosos também chamou a atenção em 2021: foram 26 casos registrados. Mas há um alento: o número é o menor dos últimos anos, indo na contramão dos casos de violência, que aumentaram durante a Covid-19. No entanto, os cidadãos da terceira idade correm mais risco em relação a pessoas próximas, porque em 75% dos casos os agressores e as vítimas se conheciam e tinham algum relacionamento, seja como companheiros ou ex-companheiro, filhos, enteados, amigos ou vizinhos.
A cidade também registrou 57 casos de ameaça, praticamente 10% do total das ocorrências desse tipo de crime (575 registros). Novamente, em 75% dos registros as vítimas e os autores se conheciam. Os idosos de Barra Mansa foram praticamente um terço das 427 vítimas de estelionato na cidade, com 144 registros. Também houve casos contra idosos por injúria (31), dano (8), difamação (4), extorsão (3), e calúnia (1), entre outros crimes. Não houve registro de homicídios de maiores de 60 anos no município, em 2021. Pelo menos isso, né?!

Patrulha de Proteção ao Idoso

Na manhã de quarta, 15, quando se comemorava o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, a prefeitura de Volta Redonda, por meio das secretarias de Ordem Pública (Semop) e Ação Comunitária (Smac), lançou a ‘Patrulha de Proteção ao Idoso’ e anunciou a reativação do Núcleo de Atendimento ao Idoso (NUAI), que vai funcionar na sede da 93ª Delegacia de Polícia, no Aterrado.
O titular da Semop, tenente-coronel Luiz Henrique, comemorou. “Tenho certeza de que o programa será um sucesso e vai alcançar resultados positivos em pouco tempo”, avaliou, aproveitando para apresentar os dois GMs que vão atuar diretamente na Patrulha do Idoso: “Os responsáveis diretos pelo atendimento aos idosos serão a Linhares e o Hugo, garantindo uma presença feminina e uma masculina, para facilitar o acesso aos usuários do serviço”, crê.
Neto também aposta no sucesso do projeto. “A implantação da Patrulha do Idoso e a reativação do NUAI são passos importantes neste processo, que ainda inclui a construção do Centro Integrado da Pessoa Idosa, que vai homenagear a minha mãe, Dona Munira Arbex Francisco, em cumprimento ao TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público Estadual”, detalhou.
A unidade, segundo ele, vai reunir em um prédio de 7 andares, no Roma, três serviços do município dirigidos às pessoas idosas. Uma ILPI – Instituição de Longa Permanência; três Casas Lares; e o Centro Dia. A princípio, o serviço deverá atender cerca de 150 idosos.
A presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (CMDDPI) e do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), Kátia Silvério, lembrou que as denúncias de violência ou abuso aos idosos chegavam ao poder público por meio do Disque 100 (Direitos Humanos), pelas equipes do Cras (Centro de Referência da Assistência Social) e Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Socia), além do Conselho do Idoso.
“Com a implantação da Patrulha do Idoso, o atendimento vai ficar mais ágil e eficiente”, entende Kátia.
Já a diretora do Departamento de Proteção Social Especial da Smac, Denise Alves de Carvalho, lembrou que o Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa é uma data de reflexão: “Temos motivos para comemorar a criação da Patrulha do Idoso, pois ainda há registro de maus-tratos e muitos casos dentro da própria casa. É muito importante a ampliação desta rede de proteção, pensando naqueles que fizeram tanto por nós”, pontuou.

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