Cara nova

Rodrigo revela que, além do Pátio de Manobras, moradores terão um moderno centro gastronômico-cultural em Anísio Braz

Quem não é de Barra Mansa não consegue imaginar como a população local pode conviver com os trens passando pela cidade pela manhã, tarde, noite ou, pior, pela madrugada. E nem entende como em pleno século 21, os comboios param em manobras demoradas de até uma hora, ou mais. No período, ninguém pode passar pela linha férrea por uma questão de segurança, é óbvio. Mas nem todos tem paciência e muitos já perderam a vida atropelados por trens da MRS Logística.
A solução para o problema vem se arrastando há mais de 70 anos como se fosse um super comboio que corta Barra Mansa, compara Eros dos Santos, secretário de Planejamento do governo Rodrigo Drable. “A transferência das manobras de operações ferroviárias do centro da cidade para a localidade de Anísio Brás vai eliminar os transtornos causados no trânsito e também aos pedestres, sem que haja prejuízos operacionais para as empresas concessionárias”, destacou em recente release enviado aos jornais.
Ele pode ter razão. O sonhado Pátio de Manobras, por exemplo, começou, segundo alguns, no governo do prefeito Luiz Amaral, por volta de 1994, quando se construiu um ‘pátio de manobras em Anísio Braz, na Vista Alegre. Anos mais tarde, o projeto começou a tomar corpo e até uma licitação teria sido feita – vencida pela Delta Engenharia. Detalhe: a empreiteira teria desistido de tocar as obras porque o valor a ser pago era muito pequeno. Isso já no governo Roosevelt Brasil.
As obras teriam parado de vez no governo comunista de Jonas Marins, que foi um desastre para Barra Mansa. O abacaxi, sorte da população, foi parar nas mãos de Rodrigo Drable. Além de estar próximo de concluir as mudanças do Pátio de Manobras, o prefeito trabalha para viabilizar um projeto cultural que poderá compensar o tempo perdido na linha do trem. É o criar um centro cultural e gastronômico no Galpão de Anísio Braz, que foi adquirido pelo município. A ideia foi apresentada a várias empresas de engenharia para que bolem o projeto, que poderá ser do tipo ‘Mercado Central de São Paulo, um dos mais famosos do Brasil, reunindo área de alimentação com a de shows culturais.
A novidade foi revelada ao aQui, com exclusividade, pelo prefeito Rodrigo Drable. “A conclusão das obras do Pátio de Manobras vai mudar a cara de Barra Mansa”, prevê de forma emocionada. “Vamos fazer um processo de seleção de projeto para que alguma empresa crie um ambiente de alimentação e cultura, com apresentações musicais etc”, detalhou, referindo-se ao antigo galpão ferroviário, que passará por uma grande reforma, começando pela troca do telhado.
Veja abaixo a entrevista exclusiva de Rodrigo a respeito das novidades sobre o Pátio de Manobras. “Nossa autoestima vai estar lá em cima”, destaca, prevendo dias melhores para quem tanto esperou por boas notícias.

aQui: Em que pé estão as obras do Pátio de Manobras?
Rodrigo Drable: Está sendo feita a realocação das linhas, e entrega das casas. Essas casas são para 22 famílias que, ao longo de muitos anos, se estabeleceram em área da ferrovia e que, com o avanço das obras, impossibilitavam a conclusão das mesmas.

aQui: O que falta ser feito?
Rodrigo: Faltam várias etapas. Mas nunca, durante todo esse processo, que se arrasta há tanto tempo, estivemos com tantas frentes de trabalho mobilizadas. Se você passar pelo centro da cidade, vai perceber várias intervenções sendo feitas simultanea-mente.

aQui: A prefeitura já conta com recursos neces-sários para concluir a obra ou depende de terceiros? De quem?
Rodrigo: A prefeitura não faz a gestão financeira da obra. Todo recurso é federal, e a execução é do Dnit. Nosso papel é desatar os nós que foram criados ao longo dos anos.

aQui: Como avalia a demora em concluir a obra?
Rodrigo: A demora é resultado de inoperâncias do governo que antecedeu o meu (de Jonas Marins, grifo nosso) e que resultou na paralisação das obras, gerando ainda um grande impasse jurídico com as 22 famílias que precisavam ser realocadas. Fizemos o acordo, e estamos entregando as casas, que ficaram lindas. Também conseguimos emendas federais, através da bancada de deputados do Estado.
A conclusão (das obras) é resultado do trabalho do Deley, quando deputado federal, que nos conseguiu a liberação de R$ 26 milhões. Em seguida serão iniciadas novas etapas, onde serão alocados recursos na ordem de R$ 6 milhões, conquistados pelos deputados Antônio Furtado e Luís Antônio Correia.

aQui: Como demorou tanto tempo entre iniciar e concluir (o que ainda vai ocorrer), a obra já nasce defasada ou o projeto ainda é atual?
Rodrigo: Na etapa em que ela está – em infraestrutura – não há muito o que modernizar ou defasar. O objetivo é melhorar a mobilidade. A demora foi imensa, mas nesse período conseguimos aprimorar conceitos e conseguimos aprovar elementos que não faziam parte, por exemplo a aquisição do Galpão de Anísio Braz, a restauração da oficina, a criação de um grande parque urbano e o paisagismo de toda a área. A saída do Pátio de Manobras ainda nos agraciará com áreas de jardins, muitas vagas de estacionamento, e novos ambientes para empreendimentos culturais e gastronômicos.

aQui: Os trens vão mesmo ‘parar de parar’ Barra Mansa?
Rodrigo: A sociedade brigou para não serem fechadas as passagens de nível. É óbvio que toda vez que um trem passar, a cancela será fechada e as pessoas vão esperar. Nunca se discutiu tirar o trem; o que vai acabar são as manobras. E conquistamos equipamentos de trans-posição que permitirão rotas alternativas, como o viaduto da Bárbara que será concluído, e a nova Eduardo Junqueira.

aQui: Quem não é de Barra Mansa sempre teve a impressão que as obras do Pátio de Manobras iam acabar com o transtorno de se ter que esperar o trem passar… Então o que vai mudar na prática? O tempo de espera será menor, é isso?
Rodrigo: Não. As obras são para a cidade não parar. As pessoas terão alternativas de transposição da linha. Quem optar por passar na passagem nível vai esperar. A diferença é que teremos vários equipamentos de transposição, além de não termos mais as manobras no centro da cidade. Mas o trem não vai deixar de passar

aQui: Mas o trem não vai mais parar, né? Ou vai?
Rodrigo: Havia a opção de fecharem as passagens de nível. Foi uma briga nossa para que não fossem fechadas. O comércio de vários pontos seria muito prejudicado e o próprio hábito de circulação seria alterado. Na prática, teremos opções para não ficarmos parados esperando o trem.
Um prédio tem elevador e escada. Você decide subir pela escada. Poderia reclamar que ficou cansado? É a mesma coisa. Você terá várias rotas alternativas, além de não ter mais as manobras. Mas se decidir passar através da passagem de nível, é óbvio, em algum momento você vai se deparar com o trem passando.

aQui: Voltando ao galpão de Anísio Braz, o que será feito em termos de restauração da oficina e, mais tarde, da área em si?
Rodrigo: Vamos fazer a reforma do telhado e da estrutura de sustentação. Nossa ideia é fazer um processo de seleção de projeto para que alguma empresa crie um ambiente de alimentação e cultura, com apresentações musicais etc.

aQui: Pode ser ao estilo do mercado central de SP, misturando alimentação com cultura?
Rodrigo: Exato. Existem outros modelos mundo afora… Mas o mercadão de São Paulo é um deles.

aQui: As mudanças serão essenciais, então?
Rodrigo: Na prática, a conclusão das obras do Pátio de Manobras vai mudar a cara de Barra Mansa. A cidade será outra. Teremos novas avenidas, áreas de estacionamentos. O que hoje é um horroroso pátio de manobras, vai dar lugar a uma área urbanizada, com paisagismo, e um novo fluxo de circulação. A cidade vai ganhar mais velocidade, e a autoestima vai lá em cima!

 

Realocação das linhas férreas

Segundo a secretaria de Planejamento Urbano da prefeitura de Barra Mansa, a primeira fase dos serviços de realocação das linhas férreas no perímetro urbano do município está em estado avançado. A intervenção teria sido acordada pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) junto às concessionárias que utilizam os ramais ferroviários, a VLI e a MRS Logística. A expectativa é de que tão logo o serviço seja concluído, a MRS Logística inicie o puxamento dos trilhos por ela utilizados para o vão central da calha férrea.
As obras, segundo o secretário de Planejamento Urbano Eros dos Santos, estão sendo realizadas em uma extensão aproximada de 4,8 quilômetros do corredor ferroviário. “A realocação dos trilhos permitirá a utilização do espaço pela prefeitura para a execução de intervenções urbanísticas indispensáveis ao desenvolvimento da cidade, com a abertura de uma nova via ligando o bairro Estamparia ao Centro e a criação de estacionamento para veículos na área remanescente, o que possibilitará o reordenamento das vagas existentes ao longo das Avenidas Domingos Mariano e Joaquim Leite”, enumerou.
A readequação ferroviária é constituída por viadutos e passarelas, com um orçamento total de R$ 94 milhões. Até o momento, já foram executados o viaduto e passarela de Saudade; a passarela da Homero Leite; a passarela da Rua José Magalhães; o viaduto ferroviário; a ponte ferroviária sobre o Rio Barra Mansa; o viaduto Saint Gobain e o pátio Anísio Brás.

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