Caos político

Atendimento de emergência em Barra Mansa estaria sendo prejudicado por suspensão de atividades em unidades de saúde de Volta Redonda; Samuca rebate informação

 

O fato é incomum. A assessoria de imprensa da prefeitura de Barra Mansa informou aos jornais, na tarde de ontem, sexta, 4, que a “paralisação” do pronto-socorro do Hospital do Retiro estaria afetando o atendimento na rede de emergência da cidade. E que a situação teria se agravado após a OS Mahatma Gandhi ter deixado a administração da unidade hospitalar. Além disso, anunciou que o Hospital Regional teria mandado suspender o atendimento a pacientes de Volta Redonda e região com a Covid-19.

Como o atendimento especializado no combate à Covid-19 mais próximo de Volta Redonda é o Centro de Triagem e Tratamento Covid-19, localizado na Região Leste de Barra Mansa (ver foto), a unidade, “assim como outras da rede municipal”, estariam acolhendo pacientes que “não conseguem se consultarem (sic) em Volta Redonda”.

Segundo dados da assessoria, Barra Mansa está com o número de casos de Covid-19 estabilizado, controlado e com disponibilidade de 57% de leitos de UTI, 68% de leitos clínicos e 94% de respiradores.

Procurada pelo aQui, a assessoria de imprensa não respondeu – diante dos números apresentados – se Barra Mansa estaria, então, com 43% dos leitos de UTI ocupados e não disse quantos leitos estariam sendo utilizados por pacientes de Volta Redonda. No final da tarde de ontem, para mostrar que a situação na cidade do aço está sob controle, o governo Samuca divulgou os dados da Covid-19: Existem 8.754 casos confirmados, com 28.197 suspeitos. Foram registrados 261 óbitos. Há 7.450 curados e 12.388 exames deram negativo. Houve um aumento de 0,89% dos casos suspeitos, sendo que a ocupação de leitos de UTI está em 14,7%. Ou seja, não precisaria estar enviando pacientes para a cidade vizinha.

Críticas a Samuca
O prefeito reeleito, Rodrigo Drable, conforme release enviado pela sua assessoria, atacou o governo Samuca. “Nossa rede de saúde é estruturada para atender os munícipes de Barra Mansa. Não temos capacidade de atender Volta Redonda inteira. Não será negado socorro, mas o que mais nos dói é lembrar do secretário de saúde e do prefeito de Volta Redonda, debochando em live que não abriríamos a UPA Leste. Hoje é ela que salva os doentes de Volta Redonda”, disse, referindo-se ao comentário feito na época pelo ex-secretário de Saúde, Alfredo Peixoto.

Até Neto, prefeito eleito, se meteu no quiproquó entre Rodrigo e Samuca e, segundo a assessoria do prefeito de Barra Mansa, teria feito o seguinte comentário: “Nós estamos alertando para o desmonte da saúde pública de Volta Redonda já faz tempo, mas a situação está em um nível jamais imaginado. Como cidade com maior população, infelizmente sabemos que essa situação de caos instalado pela atual gestão tem reflexos em nossos vizinhos. Essa sobrecarga em Barra Mansa, Resende, Piraí acaba por ser natural, como em outros tempos absorvemos pacientes de outras cidades em nossa rede”.

Neto, segundo a assessoria de Barra Mansa, completou. “A rede básica de Volta Redonda não consegue oferecer o básico, enquanto o atendimento nos nossos dois hospitais públicos simplesmente está parando ou já parou. O que sobrou para a população de Volta Redonda, que antes era uma cidade tida como referência para nosso estado e nosso país na saúde, é buscar atendimento em cidades vizinhas, que visivelmente estão em situação melhor. Essa situação mostra o quanto é importante todos estarmos alinhados para enfrentar problemas comuns”.

A secretaria estadual de saúde foi procurada na tarde de ontem, sexta, 4, para confirmar ou não a informação divulgada por Barra Mansa dando conta que o Hospital Regional não estaria mais atendendo novos pacientes de Volta Redonda com a Covid-19. Em uma nota enviada ao aQui, a SES não confirmou a informação oficial da prefeitura de Barra Mansa: “O hospital (Regional) está no sistema de regulação, então está disponível para todo o estado”, pontuou. Já a prefeitura de Volta Redonda, em nota, disse que não procede a informação sobre o Hospital Regional. “Alertamos ainda que, em contato com o Hospital Regional, foi informado à secretaria Municipal de Saúde que a regulação de pacientes segue normalmente”, informou, liberando o seguinte comentário do prefeito Samuca Silva: “Eu nunca vou mentir para a nossa população. A decisão de municipalizar a gestão dos hospitais foi acertada. O problema ocorreu no Retiro por conta de calote da OS. Neste momento de Covid-19, nossa taxa de mortalidade é baixa e estamos conseguindo controlar o vírus. O próximo presidente da Câmara, que tudo indica que assumirá a prefeitura, encontrará uma saúde organizada, sem a farra dos RPAs, e com um Centro Municipal de Saúde pronto para atender. A eleição passou, peço para me esquecerem e trabalharem”, ironizou.

Na nota, o governo já tinha disparado uma crítica às autoridades de Barra Mansa: “A Prefeitura de Volta Redonda informa que municipalizou os hospitais da cidade, rescindindo os contratos e que não há falta de atendimento na rede pública municipal. Mesmo com 40% do atendimento do Cais Conforto sendo, por exemplo, de moradores da Região Leste de Barra Mansa, que não possui a UPA aberta para sua população. Informamos ainda que a UPA Santo Agostinho está atendendo normalmente, já que foi municipalizada pela prefeitura de Volta Redonda”.

Tem mais. O governo Samuca lamentou a falta de dados no release de Barra Mansa: “Não foi apresentado qualquer dado ou comprovação de sobre-carga no atendimento por conta de pacientes de Volta Redonda, o que demonstra claramente o interesse político na divulgação do release, o que lamentamos imensamente, já que a população precisa, neste momento de pandemia, de ações conjuntas e efetivas da prefeita em exercício de Barra Mansa com o prefeito atual de Volta Redonda”.

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