Calma, gente!

Prefeitos se unem contra o Coronavírus; epidemia é iminente

Por Pollyanna Xavier

A nova doença que já matou mais de 5 mil pessoas em todo o mundo e infectou outras milhares em 121 países tomou conta das pautas dos prefeitos e secretários de Saúde de todas as cidades da região. Na quarta, 11, vários deles se reuniram em Volta Redonda para discutir o assunto. A expectativa não é das melhores. A epidemia que tomou conta dos países asiáticos e se estendeu pela Europa está chegando ao Brasil com força total. Segundo o último boletim da secretaria de Estado de Saúde, 78 casos já foram notificados em todo o estado do Rio de Janeiro e pelo menos 15 foram confirmados.

Ontem, sexta, 13, o prefeito Samuca Silva recebeu alguns prefeitos da região para traçar um plano de ação para o enfrentamento da doença na região. Precisa. Pra se ter uma ideia, apenas o Hospital Regional Zilda Arns está referenciado na SES para receber pacientes internados. E a unidade só conta com 80 leitos. Na reunião, foram acordadas ações integradas para atendimento a pacientes suspeitos, com a reserva de leitos nas unidades de saúde, manutenção das aulas nas escolas, monitoramento de eventos com grandes aglomerações e treinamento das equipes de saúde em todos os pontos da linha de cuidado (atenção básica, ambulatorial e hospitalar). “É fundamental alinhar as políticas públicas das cidades do Médio Paraíba, monitorando casos suspeitos e confirmados”, disse Samuca.

Algumas escolas da região, de forma precipitada (ou não), suspenderam as aulas nos três turnos de atendimento. É o caso dos institutos federais de Resende, Volta Redonda e Pinheiral. Ontem (sexta, 13) os alunos não tiveram aula e a previsão é de que voltem apenas depois do dia 17. A decisão partiu da reitoria e vale para todos os IFFs do estado do Rio. Até o fechamento desta edição, não havia informações oficiais da suspensão das aulas nas escolas das redes municipal e particular.

Nem o Palácio 17 de Julho confirmou a informação de que estaria prestes a cancelar a realização da feira livre no Aterrado (hoje, sábado, 14) e na Vila (amanhã, domingo, 15). “A possibilidade está sendo avaliada”, limitou-se a dizer o secretário de Comunicação do Palácio 17 de Julho diante da informação divulgada, com exclusividade, pelo programa Fato Popular na manhã de ontem, sexta, 13.

A secretaria de Saúde de Volta Redonda, levando em conta que as próximas duas semanas serão críticas, decidiu  suspender e não liberar qualquer tipo de evento que tenha aglomeração de pessoas durante os próximos 15 dias, sendo que o prazo poderá ser prorrogado ou não pelo mesmo período. As próximas ações começam a ser efetivadas a partir de segunda, 16. Alfredo Peixoto aproveitou para alertar que todos fiquem atentos diante das ‘fake news’. “Todas as informações oficiais serão divulgadas. Estamos atentos e traçando a melhor estratégia. Não há nenhum caso do coronavírus confirmado na cidade”, destacou.

Volta Redonda também está monitorando casos de coronavírus em cidades vizinhas, como Barra do Piraí, e deverá montar uma unidade referenciada de atendimento a casos suspeitos nos bairros Dom Bosco e São Luiz. “Fizemos essa parceria com a prefeitura de Barra do Piraí. Com isso, em caso de alguma suspeita de coronavírus na região da Califórnia, para evitar grande deslocamento até o centro de Barra do Piraí, o atendimento será feito em uma unidade referenciada de Volta Redonda”, anunciou o prefeito Samuca.  

O governador Wilson Witzel anunciou, em entrevista coletiva na tarde de ontem, 13, que todas as escolas e universidades, tanto da rede pública quanto da rede particular, deverão suspender as aulas por 15 dias, a partir de segunda, 16. Decretou ainda o cancelamento de todos os eventos e feiras, em locais fechados ou abertos, pelo mesmo período. Cinemas e teatros estão proibidos de funcionar. Em Volta Redonda, a medida deve suspender a realização da feira livre, que tinha sido negada pelo Palácio.  

Outras instituições a emitirem comunicados oficiais foram a Defensoria Pública da União e o Tribunal de Justiça do Estado. Em nota, o TJ-RJ proibiu o ingresso de qualquer pessoa ciente da infecção do vírus. Servidores, estagiários ou magistrados que retornarem de férias, afastamento ou licença no exterior, deverão ficar 14 dias em casa e só então retornar suas atividades laborais após este período. O serviço deverá ser feito em formato home office. As reuniões administrativas serão realizadas por webconferência e novos eventos coletivos nos auditórios estão suspensos pelos próximos 60 dias. Os eventos já designados foram cancelados.

Já a unidade da Defensoria Pública da União em Volta Redonda informou que só vai atender casos urgentes até 20 de março, a critério da chefia do núcleo. São considerados casos urgentes aqueles em que há risco à vida, à liberdade ou em que possa ocorrer perecimento de direito. Com a medida, a DPU mantém a prestação mínima de assistência jurídica gratuita enquanto colabora para evitar aglomerações de pessoas nos setores de atendimento e possíveis transmissões da Covid-19, doença relacionada ao novo coronavírus e recentemente classificada como pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O prazo de 20 de março poderá ser prorrogado, se constatada necessidade de saúde pública. A normativa não altera as demais atividades da instituição, como o recebimento de intima-ções e o comparecimento em audiências.

‘Vida Netflix’

Sônia Tomato (foto) é de Volta Redonda e mora em Tolmezzo, pequena cidade de 10 mil habitantes, localizada perto de Milão, onde explodiram os casos de coronavírus na Itália. Ela e todos os italianos da localidade estão obrigados a ficar em casa, só podendo sair às ruas para fazer compras em mercados existentes no povoado, desde que obedeçam à regra de entrar um por um e que, na fila, permaneçam afastados por um metro de distância.

“É quase uma cidade deserta”, conta a voltarredondense. “Só estão abertos os mercados, os postos de gasolina, bancos e farmácias. Nada mais. Não podemos sair de casa. Só podemos sair se for para compras e casos de saúde”, detalha.  “Minha vida se resume a ver filmes. É a vida Netflix”, brinca, contando que os italianos estão fazendo estoques de alimentos – ela também. “Ninguém, sabe até quando teremos que cumprir esse estado de quarentena”, justifica.

Assinante do aQui, Sônia Tomato diz que as regras determinadas pelas autoridades de Tolmezzo são as mesmas de todas as cidades italianas. “Até o dia 25 de março a quarentena vale para todos os habitantes. Para o comércio, é até segunda ordem. E as escolas e a universidade ficarão fechadas até o dia 3 de abril”, detalha, acrescentando que em caso suspeito ninguém deve procurar o hospital do município. “Em caso de suspeita, nós temos que ligar para a emergência e eles logo mandam uma equipe para fazer o teste do coronavírus”, disse.  “Nada de correr para o hospital”, disparou. O pior de tudo, para complicar a vida de Sônia, é que o marido dela, Sereno Tomato, também está em quarentena. Mas bem longe dela, no Marrocos, onde ele trabalha. “Ele viajou antes do vírus (casos) explodir e agora tem que cumprir quarentena lá no Marrocos”, revelou, sem perder a chance de mandar um recado aos brasileiros. “Torçam para que isso não aconteça aí em Volta Redonda. É muito chato ficar à toa, presa em casa, sem ter muito o que fazer. E sem o maridão”, brincou.   

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