
Por Pollyanna Xavier
Não faz muito tempo (edição 1390), o aQui previu que uma bomba, de efeito moral e destrutivo, explodiria na sede do Sindicato dos Metalúrgicos a qualquer momento. Na madrugada de quinta, 22, ela foi detonada, e estilhaços voaram por todos os cantos. O engraçado é que o ‘artefato’ foi acionado pelo próprio presidente do órgão, Edimar Miguel, que ‘resolveu’ provocar o Conselho Fiscal da entidade a cobrar informações do diretor financeiro, Alex Sandro Clemente, sobre 142 saques que teriam sido feitos na conta da empresa, no Banco Santander, no valor total de R$ 670 mil. A estratégia de Edimar acabou resultando na demissão do seu assessor jurídico, Tarcísio Xavier, que também prestava assessoria ao Sindicato. Há quem entenda que a denúncia de rombo foi um tiro no pé. Tem mais. Pode afastar da presidência, por 120 dias, o próprio Edimar Miguel.
O problema provocado por Edimar não foi exatamente o de ter pedido informações ao Conselho Fiscal sobre as contas do Sindicato, mas sim a publicidade dada ao pedido. Ou seja, foi ter ‘jogado para a plateia’ um assunto interno do Sindicato dos Metalúrgicos, que, segundo alguns, teria que ter sido apurado de forma sigilosa. Para piorar, a denúncia dos saques irregulares virou
folheto – tipo dos que se usa em campanhas para difamar alguém. Além de farta distribuição em pontos estratégicos, os folhetos com as denúncias de desvio de dinheiro foram parar nas redes sociais. E viralizaram, como era de se esperar.
Nas publicações, há trechos, na íntegra, do ofício que Edimar teria enviado ao Conselho Fiscal, pedindo análise e parecer sobre as denúncias e quais medidas deveriam ser tomadas contra o diretor financeiro do Sindicato, Alex Sandro Clemente. E mais. Deixou claro ter anexado ao ofício cópia dos extratos bancários, para que os conselheiros apurassem o suposto rombo. A medida pode ser interpretada, judicialmente, como uma clara violação à Lei Geral de Proteção de Dados e à privacidade de dados do Sindicato, com a quebra de sigilo bancário.
Ao tomar ciência das denúncias de desvio de dinheiro, Alex gravou um vídeo para as redes sociais (Instagram) afirmando que todas as movimentações financeiras do Sindicato (142 saques,
grifo nosso) teriam a anuência de Edimar Miguel, inclusive uma transferência no valor de R$ 9 mil para pagamento dos salários da mulher e da filha de Edimar, que ele jurou nunca terem trabalhado no Sindicato. No vídeo, Alex mostra os comprovantes de pagamento e fala de todos os encargos financeiros que a entidade tem com funcionários, fornecedores, contas fixas e serviços essenciais, como água, luz, internet. Tudo pago com o ok de Edimar.
Segundo uma fonte ouvida pelo aQui, com bom trânsito dentro do Sindicato, há fortes indícios de que Edimar estaria agindo com o apoio da CTB e do advogado Tarcísio Xavier, que acabou demitido do Sindicato no final da tarde de quinta, 22. A demissão, por ofício, foi assinada pelos seis diretores que integram a executiva da entidade, dentre eles, Edson Dias, até então o único diretor que estava ao lado de Edimar contra o G5, grupo de oposição instalado na sede da Getúlio Vargas.
Ao saber da demissão, Tarcísio gravou vários áudios para o grupo (de diretores) de WhatsApp do Sindicato, se dizendo vítima de pessoas que o traíram. “Vocês não imaginam a dor que eu estou sentindo (…) a decisão está tomada e quem tem poder de decisão são cinco pessoas (na verdade seis, grifo nosso) e elas é que se arvoraram no direito de decidir os nossos destinos”, lamentou Tarcísio, referindo-se ao fato de ter sido demitido pelos diretores que, para ele, teriam passado por cima do estatuto. Que, na verdade, não passaram. O Estatuto, conforme documentos a que o aQui teve acesso, permite essa postura por parte da diretoria executiva.
Em entrevista exclusiva ao aQui, Alex Sandro acredita ter sido vítima de uma conspiração. E de uma represália, pelo fato de ele ter apoiado a demissão da mulher e da filha de Edimar Miguel de cargos que ocupavam no Sindicato, situação que o líder sindical chegou a negar ao aQui. “Em minha opinião, todos esses ataques são uma retaliação contra o desligamento da esposa e da filha de Edimar do sindicato, aprovado pela diretoria administrativa, como forma de combater o favorecimento pessoal e o nepotismo”, destacou.
Alex lamentou ter sido envolvido em um escândalo como este, o que só enfraquece as bases do Sindicato e derruba toda a credibilidade do órgão diante dos trabalhadores. “Não queria fazer parte desse debate. O que queríamos,
eu e os demais diretores, era debater publicamente aquilo que realmente interessa para a categoria: PLR, reajuste salarial, melhores condições de saúde, segurança e de trabalho. Porém, diante do compromisso com a transparência e com a verdade, respondemos aos questionamentos do aQui”, disse, referindo-se às perguntas enviadas a ele, ao diretor jurídico, Leandro Vaz, e ao presidente Edimar Miguel, sobre o ocorrido. Leandro e Alex responderam em conjunto. Já Edimar não enviou qualquer resposta ao jornal.
A seguir, o aQui publica as perguntas e respostas enviadas por Alex Sandro.
aQui – Os saques foram feitos em que datas? Alex Sandro – Os saques são feitos de forma cotidiana, para atender despesas ordinárias do sindicato.
aQui – Os saques foram autorizados por quem? Alex Sandro – Os saques bancários são de responsabilidade do Secretário de Finanças e Administração, com plena anuência do Presidente e integral conhecimento por parte da Diretoria Administrativa. Além
disso, a tesouraria presta contas sobre todas as receitas e despesas da entidade.
aQui – Por que o Conselho Fiscal foi provocado por Edimar Miguel a notificá- lo para dar explicações sobre os saques?
Alex Sandro – Me parece que houve uma clara instrumentalização do Conselho Fiscal para me atacar politicamente. Isso vem confirmado por boletins distribuídos na base e postagens nas redes sociais, com difamações contra a minha gestão financeira. Não dá para esconder a mão de Edimar e da CTB por trás dessas iniciativas.
NOTA DA REDAÇÃO – Alex Sandro, Leandro e Edimar Miguel têm uma coisa em comum: os três não responderam à principal pergunta enviada a eles pela reportagem do aQui. Era a seguinte: “Este é o segundo ano da gestão Edimar Miguel. Quando a nova diretoria assumiu, Edimar disse que o Sindicato estava quebrado. Estava ou não? De onde surgiram esses R$ 670 mil?”, indagou o jornal. Se responderem durante a semana, a matéria será atualizada na próxima edição.

