terça-feira, abril 16, 2024

Piorou

Números da dengue fogem do controle, e Estado decreta Emergência em Saúde Pública

O cenário é parecido com o da covid, guardadas as proporções, claro. Mas a epidemia de dengue no estado do Rio tem provocado uma corrida de pessoas sintomáticas aos hospitais, postos de Saúde e UPAs. A situação saiu do controle, e o governo do Estado decretou situação de emergência em saúde pública. O decreto saiu na quarta, 21, e, a partir dele, as ações de enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti se intensificaram. Equipes técnicas do Estado, tanto da Vigilância Epidemiológica quanto da Sanitária/Ambiental, estão percorrendo as cidades fluminenses levando suportes e insumos. A vacina está prevista apenas para os municípios com mais de 100 mil habitantes.
O cenário epidemiológico no Sul Fluminense não é o pior dentre as demais regiões do Estado, mas pelo menos três cidades estão no radar desde janeiro: Resende, Itatiaia e Piraí. As três respondem pelo maior número de casos da região. Volta Redonda está começando a despontar neste cenário e a cidade do aço já tem quatro óbitos sob investigação e 2.084 casos prováveis até ontem, sexta, 23. Os dados constam no boletim da SES/RJ divulgado nesta sexta, e que a partir desta edição trouxe a estratificação do risco por meio das cores amarelo (alerta), laranja (perigo iminente) e vermelho (emergência em saúde pública). O Médio Paraíba inteiro está no laranja.
A classificação de risco do Médio Paraíba para o laranja foi impulsionada não apenas pelo aumento dos casos, mas pelo aumento na solicitação de leitos ao Estado. Ou seja, o número de pacientes que apresentaram dengue com complicações (hemorragia e outras variações clínicas) e que precisaram de internação aumentou. Os gráficos do boletim mostram que, na última semana, foram 23 pedidos de regulação, o que colocou o Médio Paraíba em terceiro lugar no ranking de solicitações de leito, atrás somente das regiões Metropolitana I (142 pedidos) e Noroeste (27 pedidos). De 1° de janeiro até o dia 23 de fevereiro, o Médio Paraíba inseriu 107 pedidos de regulação (busca de leitos) ao Sisreg.
Todos os municípios da região, inclusive, já acionaram seus planos de contingência para o enfrentamento da dengue, mas apenas Itatiaia e Resende decretaram emergência em saúde pública. Volta Redonda até poderia ter feito isto, porque o índice de casos na cidade ultrapassou a média de 300/100 mil. O cálculo é feito com base na população total da cidade e no número de notificações. Nesta equação, Volta Redonda ultrapassou a margem de 500/100 mil. Embora a cidade ainda não tenha oficializado o estágio de emergência, a prefeitura tem intensificado o combate com a realização de mutirões (força-tarefa) para remoção de inservíveis, distribuição de telas de caixa d’água, contratação temporária de agentes de endemias e instalação de salas de hidratação em determinadas unidades de saúde.
A Vigilância Sanitária de Volta Redonda chegou a anunciar que 80% dos focos de dengue estariam dentro das casas. O percentual, segundo a coordenadora de Vigilância Ambiental, Janaina Soledad, teria sido apurado durante o trabalho de campo feito pelos agentes, mas na verdade corresponde à alíquota divulgada pelo Estado e até pelo Ministério da Saúde, em relação ao volume de focos encontrados nas residências. “Entre 75 a 80% dos focos estão dentro das casas”, anunciou a ministra da Saúde, Nísia Trindade, no início de fevereiro. O apelo das autoridades é para que a população abra seus imóveis para a visita do agente e mantenha uma rotina semanal de vistoria nos quintais, varandas e até dentro de casa, para eliminação de focos.

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