domingo, maio 3, 2026
Casa Blog Página 60

Pagando pra ver

0

SAÚDE: Jari fiscaliza mudança de OS no Hospital Regional; em Barra Mansa, servidores protestam contra empresa que assumiu a Saúde do município  

Pagando pra ver 

O deputado estadual Jari Oliveira (PSB) esteve na quinta, 26, no Hospital Regional para saber detalhes da transição na gestão da unidade, que atende Volta Redonda e Barra Mansa, entre outras cidades. A Organização Social Ideas deixará a administração do hospital a partir de amanhã, domingo, 1º de março, quando a gestão passará a ser responsabilidade da Fundação Saúde, vinculada ao Governo do Estado.

Na visita, Jari aproveitou para cobrar garantias de que todos os profissionais que atuam no HR receberão integralmente as verbas rescisórias, além dos salários e benefícios eventualmente atrasados. O que, segundo uma fonte, dificilmente ocorrerá. “A empresa nunca pagou em dia os seus funcionários, e não será agora, que perdeu o contrato, que ela vai pagar todo mundo direitinho”, comparou. 

Jari também desconfia da mudança. Ele tem razão. Nos últimos meses, por exemplo, a situação piorou tanto que o parlamentar denunciou a OS Ideias ao Ministério Público do Trabalho, principalmente por atrasos salariais. Atualmente, segundo Jari, os médicos que atuam no Hospital Regional estão há quase dois meses sem receber salários, e os fornecedores da unidade estariam há quatro meses sem receber pelos serviços prestados ao HR. 

“Não podemos admitir que os profissionais da saúde, que se dedicam diariamente para salvar vidas, sejam prejudicados. Estamos aqui para fiscalizar, cobrar transparência e garantir que nenhum direito trabalhista seja desrespeitado”, disparou Jari. “A prioridade é assegurar que a transição ocorra sem prejuízo no atendimento ao público e com respeito aos profissionais. O hospital é referência para toda a região e precisa funcionar com estabilidade, planejamento e responsabilidade”, completou.

O que Jari não sabe é que a mudança tem tudo para não ser tranquila. Segundo uma fonte do aQui, que pede que seu nome não seja revelado, a Fundação Saúde estaria obrigando médicos e técnicos de enfermagem a aceitarem um novo contrato de trabalho. Detalhe: com redução de salários. “Os técnicos de enfermagem terão salários de R$ 1.350,00”, detalhou. “Isso é menos do que o salário mínimo!”, comparou a fonte. Tem mais. Os salários dos médicos também seriam reduzidos. A conferir. 

Barra Mansa

A área da Saúde em Barra Mansa já passou por uma grande mudança com a contratação, desde 2 de fevereiro, da OS Gnosis pelo governo Furlani. Assumiu os serviços que eram de responsabilidade da OS Cempes. Hoje, dois meses depois, as críticas começam a pipocar pelos corredores das unidades hospitalares do município, e muitos já defendem a realização de um ato de protesto. Motivo: os funcionários da UPA e demais unidades da área de Saúde, até o fechamento desta edição, ontem, sexta 27, ainda não teriam recebido o salário de janeiro, que são de responsabilidade da Cempes. E o mês de fevereiro termina neste sábado, 28, sem previsão do que poderá ocorrer.

“Atenção primária (postos de saúde), UPA, SAD, tá todo mundo sem receber”, contou um dos servidores. 
Vale lembrar que, no dia 13 de fevereiro, a Prefeitura de Barra Mansa chegou a divulgar uma nota oficial a respeito dos problemas. “A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Barra Mansa informa aos profissionais da rede municipal de saúde contratados pela Organização Social Cempes que foi impetrada a ação judicial nº 0016113-16.2026.8.19.0001, com o objetivo de obter autorização legal que viabilize o pagamento dos credores referente à competência de janeiro de 2026. Em razão de questões operacionais e técnicas nas contas bancárias da entidade, o repasse não pôde ser efetuado, permanecendo o recurso disponível no Fundo Municipal de Saúde”, informou.

Ou seja, a Prefeitura teria o dinheiro em caixa para repassar à OS Cempes para que então a empresa efetuasse o pagamento dos salários de janeiro –, mas não podia transferi-lo para a conta da empresa, que, por sua vez, não teria como liquidar a folha de pagamento da Saúde. O inusitado serviu para o governo Furlani relembrar uma antiga situação. “Ressalta-se que a situação difere de ocorrências registradas em gestões anteriores como em 2016, quando houve repasse à Organização Social então contratada, sem que os profissionais fossem devidamente pagos, o que resultou em significativo passivo e em problemas trabalhistas para o município e para os trabalhadores”, compara a nota.

“A Prefeitura de Barra Mansa reafirma seu compromisso de que nenhum profissional ficará sem receber e informa que todas as medidas administrativas e jurídicas cabíveis estão sendo adotadas para a efetivação do pagamento. O governo municipal atua com responsabilidade e celeridade para que a solução ocorra no menor prazo possível, garantindo a quitação dos salários devidos a todos os profissionais”, encerrou.
Só que até hoje os funcionários não receberam os salários de janeiro. Pior. A nova OS responsável pela área de Saúde em Barra Mansa (a Gnosis) tem fama de má pagadora. Prova é que a empresa, segundo dados repassados por uma fonte, enfrenta 1.236 processos judiciais, sendo que 78% seriam de causas trabalhistas.

Nota da redação

Ontem, no fechamento desta edição, a Prefeitura de Barra Mansa voltou a informar que os recursos devidos à Cempes continuam disponíveis. “O recurso está disponível no Fundo Municipal de Saúde, aguardando regularização de questões operacionais e técnicas das contas bancárias da Cempes”, disse. 

Fala.Br

0

A Secretaria de Planejamento, Transparência e Modernização da Gestão do governo Neto aderiu à Plataforma Fala.Br como canal para registro, acompanhamento e gestão dos pedidos de acesso à informação no âmbito do município. O acesso à ferramenta é feito por meio da conta Gov.br, garantindo mais segurança, autenticidade e rastreabilidade das demandas registradas.

Com a adesão, Volta Redonda passa a operar em um sistema digital padronizado nacionalmente, que possibilita registro eletrônico de pedidos de acesso à informação; acompanhamento em tempo real das solicitações; interposição de recursos administrativos em caso de negativa ou ausência de resposta; e controle automatizado de prazos legais.

A titular da pasta, Cora Peixoto, destaca que a iniciativa representa um avanço institucional importante para o município. “A adesão à Plataforma Fala.Br fortalece o compromisso da prefeitura com a transparência, a eficiência e o respeito ao cidadão. Estamos adotando uma ferramenta nacional, segura e padronizada, que amplia o controle social e facilita o acesso às informações públicas. Transparência não é apenas uma obrigação legal, é um princípio de gestão que orienta nossas ações”, afirmou.

A Lei de Acesso à Informação assegura que qualquer pessoa, física ou jurídica, pode solicitar dados e documentos produzidos ou custodiados por órgãos e entidades públicas, sem necessidade de apresentar justificativa. A norma estabelece ainda prazo de até 20 dias para resposta, prorrogáveis por mais 10 dias mediante justificativa formal.

Como acessar

Os cidadãos podem registrar suas solicitações por meio do Portal da Transparência de Volta Redonda, na aba “Ouvidoria e Serviços de Informação”, disponível em: https://transparenciavr.cr2.net.br/ouvidoria-e-servicos-de-informacao/ ou diretamente pela Plataforma Fala.Br no endereço: https://falabr.cgu.gov.br/web/home.

Guia do Usuário

Para facilitar a utilização da plataforma, a prefeitura também disponibilizará no Portal da Transparência um Guia do Usuário com orientações detalhadas e um passo a passo para a formalização de pedidos de acesso à informação, acompanhamento de prazos e apresentação de recursos.

A medida reforça o compromisso da administração municipal com a publicidade dos atos administrativos, a modernização da gestão e o fortalecimento da participação cidadã, pilares fundamentais da gestão pública democrática.

Riscos financeiros

0

CIDADE: Acidente em terminal de combustíveis pode reacender discussão fiscal e tributária envolvendo arrecadação do município 

Por Pollyanna Xavier

 A base da empresa Vibra Energia, na Vila Americana, segue interditada desde a última segunda, 24, depois que uma explosão em um dos tanques de combustível resultou na morte de dois trabalhadores. O acidente – na madrugada de domingo, 23 – também feriu seriamente um terceiro operário, que permanece internado em estado grave, com queimaduras em várias partes do corpo. A interdição foi determinada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e a empresa está impedida de movimentar produtos perigosos até nova autorização do órgão.

A explosão seguida de incêndio mobilizou mais de 30 homens do Corpo de Bombeiros de Volta Redonda e do grupamento de Operações com Produtos Perigosos do Rio. A Defesa Civil de Volta Redonda, fiscais do Inea e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, guardas municipais e policiais militares também foram acionados para dar suporte à operação. As equipes passaram mais de 24 horas no local, esvaziando o tanque avariado (ele continha cerca de 350 mil litros de etanol) para localizar os corpos dos dois funcionários, até então desaparecidos. Às 3h40min de segunda, 24, eles foram encontrados no fundo do tanque, sendo identificados como Oberdan Santos de Jesus, 28 anos, e Antonyel dos Santos Meneses, 27 anos. 

A operação impactou também cerca de 120 moradores do entorno do terminal, que precisaram ser retirados de suas casas até que todos os focos de incêndio fossem controlados. As investigações sobre as causas do acidente estão sob a responsabilidade dos órgãos competentes, com acompanhamento do governo Neto. O terminal da Vibra Energia já pertenceu à Petrobras e, desde a gestão da estatal, o local armazena etanol e outros derivados e sempre foi considerado uma instalação própria para armazenagem e distribuição.

A estação, que até 2019 pertencia à Petrobras, foi privatizada e a empresa Vibra Energia comprou o depósito. Suspeita-se que a manutenção obrigatória estaria deficiente, tanto que a interdição da ANP atingiu os tanques de armazenamento e demais equipamentos de segurança da unidade operacional. A agência nacional quer saber o que provocou a explosão e se a Vibra tinha condições técnicas para fazer os reparos necessários. A informação extraoficial é de que o acidente teria ocorrido por uma falha grave (de segurança) na manutenção nos tanques. 

O que quase ninguém sabe é que, além da tragédia envolvendo três funcionários da Vibra – dois deles mortos –, a explosão ocorreu em uma estrutura que, desde a privatização da antiga base da Petrobras, também passou a integrar um debate econômico sobre perdas milionárias na arrecadação municipal. Segundo apurado pelo aQui, a venda do terminal teria resultado em uma redução da ordem de R$ 500 milhões por ano no repasse de ICMS para o município. Um valor que a Prefeitura de Volta Redonda nunca mais recuperou. Pior. Deixou de investir em infraestrutura urbana e de suporte, até para garantir apoio para acidentes como este. 

A explicação para a suposta queda está relacionada à mudança no regime tributário após a privatização do terminal: a Vibra Energia passou a operar sob enquadramentos fiscais diferenciados, o que impactou diretamente o chamado Valor Adicionado Fiscal (VAF). Trata-se de um índice que mede o quanto de riqueza (valor em dinheiro) uma cidade gerou a partir das atividades (e aqui inclui produção e prestação de serviços) de uma empresa sujeita ao ICMS. Aliás, é o VAF o principal indicador que o Estado usa para dividir o ICMS entre os municípios. Com a venda do terminal da Petrobras, o regime tributário da Vibra mudou, impactando negativamente no VAF para Volta Redonda. 

A questão fiscal, embora não tenha relação direta com o acidente ocorrido na madrugada de domingo, 23, faz parte de um contexto que reflete as mudanças no modelo de gestão após a privatização. Prova disso é que os três funcionários envolvidos no acidente eram terceirizados, e as condições de trabalho e segurança para eles podem ter sido precárias, comparadas ao período em que o terminal era operado pela Petrobras. 

Seja como for, os tanques e os equipamentos envolvendo o acidente seguem interditados pela ANP. A empresa deverá apresentar um relatório do sinistro nos próximos dias, que será juntado à apuração dos órgãos fiscalizadores. O monitoramento da empresa continua até que toda a apuração esteja concluída. Quanto aos operários mortos, eles eram de Sergipe e estavam em Volta Redonda há pouco mais de quatro meses. Até o fechamento desta reportagem, na quinta, 26, o terceiro trabalhador seguia internado e seu estado de saúde era delicado. Ele teve queimaduras em várias partes do corpo, inclusive na traqueia, o que dificultou a intubação – ele chegou ao hospital inconsciente e precisou de ventilação mecânica. Em nota, a Vibra lamentou as mortes e disse que está dando todo o suporte necessários às três famílias.  

Em relação à queda de ICMS, vale ressaltar que Volta Redonda perdeu receita com a privatização do terminal e, ao mesmo tempo, enfrenta impactos ambientais, riscos industriais e mobilização da estrutura pública em situações de emergência, como a de domingo. A Defesa Civil, a Secretaria de Meio Ambiente e a Guarda Municipal foram acionadas para dar suporte ao trabalho dos bombeiros. Essa mobilização pode reacender o debate sobre as contrapartidas públicas, especialmente entre o risco e o retorno fiscal. É uma oportunidade para a Prefeitura pedir ao Estado uma revisão do VAF e tentar uma reavaliação do atual regime tributário. A hora é agora. 

Nota da redação

A Prefeitura de Volta Redonda foi procurada para falar sobre as supostas perdas de arrecadação e, em cima do questionamento, o prefeito Neto determinou um levantamento completo da situação. 

Seja bem vindo!
Enviar via WhatsApp