domingo, maio 3, 2026
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Grampos

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Coincidência (I)

Pode até não ter nada a ver, mas desde que os GMs saíram às ruas para protestar contra o poder dos colegas da Semop (Secretaria de Ordem Pública), a Guarda Municipal de Volta Redonda voltou a ganhar status junto ao Palácio 17 de Julho. Tem sido até elogiada, e suas ações passaram a ter destaque. A Secretaria de Ordem Pública, vejam só, está cuidando até da reforma da sede da Guarda Municipal na Ilha São João. Já não era sem tempo. Enquanto as obras não ficam prontas, a GM passou a funcionar provisoriamente na Avenida Beira-Rio, 1.900, na Vila Mury.

Coincidência (II)

Só que as instalações provisórias da corporação não estão agradando aos próprios GMs. É que, segundo eles, o espaço tem um único banheiro, o alojamento não tem ventilação, a fiação está solta e o portão de entrada é escorado com madeira. “O local parece mais uma garagem”, disparou um guarda em contato com o aQui.

Coincidência (III)

Na terça, 24, quando a Guarda Municipal prendeu dois foragidos da Justiça com a utilização das câmeras da Ordem Pública, os GMs foram elogiados pelo coronel PM Luiz Henrique, titular da Semop. “O Ciosp é uma ferramenta fundamental para dar efetividade às ações da Guarda Municipal e de outras forças de segurança do município”, destacou. 

Semop

A alegria durou pouco. Em outra ação, Luiz Henrique destacou o uso de uma ‘equipe de inteligência’ da Secretaria Municipal de Ordem Pública que prendeu uma mulher de 35 anos, suspeita por receptação de um celular e um notebook furtados da Secretaria de Proteção e Defesa Animal. Fica a pergunta: alguém sabia que a Semop tinha uma equipe ou mais equipes de inteligência? 

Esgoto

O Saae-VR vai construir uma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) para atender o Hospital do Retiro. “Essa obra vai melhorar ainda mais a qualidade da unidade, que é referência em atendimento. Cuidar do saneamento resulta em mais qualidade de vida para a população”, destacou o prefeito Neto ao assinar o contrato da obra, ao lado do engenheiro Paulo Cesar, o PC, presidente da autarquia. O investimento será de R$ 2.389.000,00 – 28% a menos que o valor inicial, orçado em R$ 3.349.515,07, e a obra deverá ser concluída em dez meses. 

São João Batista

Por falar em hospital, o novo Centro Cirúrgico do Hospital São João Batista já recebeu o seu primeiro equipamento, instalado na sala híbrida do centro cirúrgico, que está sendo preparada para cirurgias robóticas e convencionais.

Libras

A Prefeitura de Volta Redonda está com inscrições abertas para o curso gratuito de Libras, que podem ser feitas pelo link cursodelibras.smpdvr.online/cadastro, até o dia 8 de março. As vagas são limitadas.

AVC

O Hospital São João Batista recebeu na quarta, 25, a placa da certificação internacional ‘Cidade Angels’ – categoria Platinum -, concedida a municípios que conseguem alcançar resultados positivos no atendimento ao AVC (Acidente Vascular Cerebral). Sebastião Faria lembra que Volta Redonda é a primeira cidade a receber tal certificação no estado do Rio. O Hospital do Retiro recebeu a mesma certificação. 

Bancos (I)

Quem é cliente de qualquer banco no estado do Rio deve, quando vai à agência para falar com um gerente, deve se arrepender profundamente, não é mesmo? A cada dia que passa, eles complicam mais a vida dos clientes, como se não ganhassem rios de dinheiro com os correntistas. Um dos maiores problemas é a demora no atendimento. No Santander da Amaral Peixoto, por exemplo, agora nem a senha é mais fornecida de forma impressa. Só sai por celular, como se todos fossem obrigados a ter um aparelho. Quem não tem fica na mão. Tem que pegar um papelzinho qualquer, anotar o número e esperar ser chamado. Tremenda sacanagem. 

Bancos (II)

Os idosos são os que mais sofrem. Na manhã de quarta, 25, o atendimento dos gerentes levava mais de 30 minutos. Teve idoso que ficou à espera por quase uma hora. Detalhe: tinha gerente de conta física de pernas para o ar, enquanto a fila de espera só aumentava. Tremenda sacanagem. 

Presidência (I)

Na segunda, 2, a Câmara de Volta Redonda vai decidir quem será o presidente da Casa em 2027. A vaga seria de Paulo Conrado, que faleceu em 8 de fevereiro. O vereador que quiser disputar a cadeira tem até às 17 horas da segunda-feira para inscrever sua chapa. Até o momento, apenas Luciano Mineirinho (UB) disse publicamente que deve disputar a eleição. Mas há quem garanta que o atual presidente, Neném, também pode disputar o pleito, sonhando em ficar dois anos seguidos à frente do Legislativo. Se o atual presidente disputar, vira favorito…

Vice

Com a morte de Conrado, a cadeira de vice-presidente da atual legislatura (ano de 2026) também ficou vazia. Mas essa situação já foi resolvida. Na segunda, 23, os vereadores aprovaram por unanimidade o nome de Francisco Novaes (PP) para assumir o cargo. 

Salário

O prefeito Neto vetou parcialmente a Mensagem 005/26, que aprova o aumento de 4,26% para todos os servidores públicos de Volta Redonda. O veto foi especificamente para cortar o aumento de salário do próprio prefeito. Neto não quis.

Veto

Por falar em veto, a Câmara de Volta Redonda derrubou o veto do prefeito Neto ao Projeto de Lei 148/25, que institui o botão do pânico nas unidades de saúde de Volta Redonda. O objetivo é o acionamento de forças de segurança em casos de agressão a profissionais da saúde. A proposta é de Paulinho do Raio-X (Rep).

Mal

O vereador Sidney Dinho teve que se ausentar, às pressas, da sessão da Casa de segunda, 23. O motivo: pressão alta. “Não estava me sentindo bem. Estou com pressão alta, muita dor de cabeça, vou pedir para me ausentar da sessão”, disse. Na terça, 24, e na quinta, 26, Dinho ficou de repouso.

Moção

O vereador Marquinho Motorista (Pod), que reassumiu a cadeira de parlamentar por conta da morte de Conrado, já chegou ao Legislativo agradando o Palácio 17 de Julho. Sua primeira medida foi apresentar uma Moção de Aplausos ao vice-prefeito, Sebastião Faria. O motivo: a condução do Hospital São João Batista.

Esporro

O presidente da Câmara, Neném, deu um, digamos, esporro no vereador Rodrigo Furtado (PL) durante a sessão de quinta, 26. É que Furtado, como bom neobolsonarista, usou o microfone na sessão para fazer críticas ao Governo Federal. “A gente precisa parar com isso. O vereador (Furtado) parou a sessão para falar de uma coisa que nada tem a ver com Volta Redonda. Pelo amor de Deus, gente”, disparou. Faz sentido. 

Contas

O deputado estadual Jari Oliveira (PSB) vai realizar um evento na próxima quinta, 5, de prestação de contas do seu mandato. Será no Clube de Bocha, na Vila, às 19 horas. “Essa é uma prática que tenho desde o período de vereador. É muito importante prestar contas para a sociedade, apresentando o que estamos fazendo e também ouvir as pessoas e suas demandas”, completou. 

Prefeita

O PL lançou oficialmente o nome do prefeito Márcio Canella, de Belford Roxo, como candidato ao Senado na eleição de outubro. Como o aQui já revelou, se isso acontecer, ele terá que renunciar ao cargo em abril. E, com isso, quem assume o governo de Belford Roxo é a advogada Mariana Malta, vice-prefeita, advogada e natural de Volta Redonda. 

Fantasma

Um ex-assessor parlamentar na Câmara de Volta Redonda anda bem irritado com seu antigo chefe. E, por onde vai, conta histórias que até Deus duvida do parlamentar. Em um dos casos, diz que o vereador tem 70 mil motivos para ficar preocupado com suas parcerias políticas. 

Saliência

Moradores dos bairros Conforto, Rústico e 207 estão p… da vida com a Prefeitura de Volta Redonda, que liberou o alvará de funcionamento para um ‘night club’ na Rua Nossa Senhora da Conceição, antiga Rua 4, em funcionamento desde o dia 12 de fevereiro. Segundo um deles, a ‘boate’ tem ficado superlotada à noite, com carros em cima da calçada e muito barulho até o dia raiar. Lembram que moradores da São João enfrentaram problema idêntico, e tudo só foi resolvido quando a casa foi fechada.     

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Saindo

O prefeito Eduardo Paes (PSD) voltou a dizer o que os leitores do aQui já sabem: vai deixar a Prefeitura do Rio de Janeiro no próximo dia 20 de março para concorrer ao Governo do Estado nas eleições de 2026. O vice, infelizmente, não será Neto, prefeito de Volta Redonda, como muitos defendiam (Paes, inclusive). Nem Diogo Balieiro, ex-prefeito de Resende, o ‘Putin’ da região. Será Jane Reis, advogada, evangélica e irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias. 

O prefeito Neto e o deputado estadual Munir Neto estiveram com Ruas, já candidato ao governo do Estado, na manhã de quarta, 25, tratando de obras para Volta Redonda. A foto é bem sintomática, né?  
O prefeito Neto e o deputado estadual Munir Neto estiveram com Ruas, já candidato ao governo do Estado, na manhã de quarta, 25, tratando de obras para Volta Redonda. A foto é bem sintomática, né?  

2026

O PL definiu a chapa que vai disputar o governo do Rio com Eduardo Paes nas eleições de outubro. Ela será encabeçada pelo ainda secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas, que terá como vice o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP). Para o Senado, a legenda decidiu lançar a candidatura do governador Cláudio Castro e apoiar a do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil).
LEGENDA DA FOTO: O prefeito Neto e o deputado estadual Munir Neto estiveram com Ruas, já candidato ao governo do Estado, na manhã de quarta, 25, tratando de obras para Volta Redonda. A foto é bem sintomática, né?  

Renúncia

O acordão firmado entre PL, PP e União Brasil prevê que Cláudio Castro renuncie ao governo do Estado até o dia 4 de abril, conforme determina a legislação eleitoral. Com isso, os eleitores fluminenses vão assistir de camarote a uma eleição indireta na Alerj, que escolherá um governador-tampão, com mandato até o fim do ano. Se depender só de Castro, o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, será o escolhido. O nome de Ruas, entretanto, corre por fora. Motivo: como ‘governador’, Ruas poderá fazer campanha contra Eduardo Paes, com mais visibilidade e ‘controle da máquina administrativa’. Será recebido, por exemplo, pelos prefeitos – como Neto – como governador, e não mais como um secretário.  

Com Ruas (I)

Ruas, inclusive, já está falando em ‘visitar’ Volta Redonda. Ele esteve com Neto e com o deputado estadual Munir Neto na quarta, 25, quando trocaram alguns dedos de prosa para tratar de obras para a cidade do aço. Também participaram do encontro o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Sérgio Sodré, e o ex-deputado federal Deley de Oliveira. 

Com Ruas (II)

Neto e Munir aproveitaram o encontro com Ruas para tratar, por exemplo, da licitação do Parque da Pedreira, na Voldac. O projeto é tido como estratégico para ampliar as áreas de lazer, convivência e desenvolvimento urbano da cidade do aço, e a verba para as obras já estaria garantida por Ruas. 

Com Ruas (III)

O pré-candidato ao governo do Estado também prometeu iniciar o asfaltamento da Estrada União, que liga o Retiro à Fundação Beatriz Gama.
“Estamos investindo muito em todo o estado, muito na região Sul Fluminense, e aí podemos citar Volta Redonda como beneficiada com muitos projetos. Em breve estaremos na cidade para entregar o asfaltamento e lançar essa grande iniciativa que é o Parque RJ”, destacou Ruas, referindo-se à Pedreira da Voldac. 

TSE (I)

Apesar do otimismo de Castro, Ruas etc, tudo pode ir por água abaixo. A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Carmen Lúcia, pautou para o próximo dia 10 de março o retorno do julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) do caso Ceperj, que pode terminar com a cassação do mandato e a declaração de inelegibilidade do governador Cláudio Castro (PL).
O processo tramita na Corte desde 2022 e voltará à pauta após o ministro Antônio Carlos Ferreira devolver os autos ao plenário da Corte. Caso o TSE forme maioria pela condenação, Castro poderá ter o mandato cassado e ser declarado inelegível, o que inviabilizaria sua candidatura ao Senado em 2026. 

TSE (II)

Inicialmente, havia a esperança de que, ao devolver o processo, Ferreira votasse a favor do governador. Não votou. Para piorar, a ministra Estela Aranha (ex-CSN), que acaba de tomar posse no TSE, não estaria disposta a votar pela absolvição de Castro. Resta saber como vão votar Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Ação

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral que pede a cassação de Castro foi motivada pelo uso indevido da máquina pública na contratação de milhares de servidores temporários pela Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro), que teriam atuado como cabos eleitorais na campanha de 2022. Foi uma festa, e centenas de pessoas foram contratadas, por exemplo, em Volta Redonda e Barra Mansa, para fingir que trabalhavam no Ceperj. Recebiam em dia e na boca do caixa. 

DC

O Diretório Estadual do Democracia Cristã vai realizar, na próxima sexta, 6, às 16 horas, no Club Municipal da Tijuca, no Rio de Janeiro, com a presença do pré-candidato a Presidente Aldo Rebelo, um encontro para apresentar os seus pré-candidatos às eleições de 2026. Além de Rebelo, o ato contará com o presidente estadual da sigla, Ronald Ázaro, e o prefeito de Magé, Renato Cozzolino. O DC garante que vai lançar candidaturas em todas as esferas: deputado estadual, federal, senadores e presidência da República. Em Volta Redonda, o DC não conta com nenhum vereador; em Barra Mansa , também não. 

Cafezinho

O deputado estadual Jari Oliveira não brincou no Carnaval. Muito pelo contrário. Aproveitou para visitar as cidades da região e conversar com eleitores, vereadores e ex-vereadores. Em Volta Redonda, Jari trocou vários dedos de prosa com o popular ‘homem-bomba’, o ex-vereador Maurício Batista. Detalhe: até prova em contrário, o ‘homem-bomba’, que não será candidato nas eleições deste ano, está fechado com o deputado estadual Munir Neto. 

Estrada

A recuperação da Estrada Francisco Vilela Arantes, que liga o Roma, em Volta Redonda, ao distrito de Getulândia, em Rio Claro, está próxima do fim. Segundo a empresa contratada pelo Governo do Estado, já foram aplicados 5,9 quilômetros de novo asfalto no trecho que passa pelo município, que tem uma extensão total de 6,7 quilômetros. O investimento é de cerca de R$ 7 milhões, e a obra está sendo fiscalizada pela Secretaria de Obras de Volta Redonda. “Além do novo asfalto, a empresa responsável pela obra também iniciou a pintura da sinalização da parte já asfaltada. Em breve, teremos uma viagem ainda mais rápida e segura”, adiantou Jerônimo Telles, secretário de Obras. É bom que Jerônimo dê uma olhada com mais rigor no asfalto da estrada. Já tem até alguns buracos aparecendo, por conta, possivelmente, da qualidade do material usado.  

Buracos

Aliás, Jerônimo tem que tomar uma atitude radical contra a empresa que trocou o asfalto na Rua Dr. Francisco Castro, de acesso ao Jardim Normândia e Village Santa Helena. Já existem cinco crateras, algumas cheias de água, como mostra a foto. O asfalto (uma casquinha) não dura nada.

Nova lei sobre sepultamento de pets em jazigos familiares

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Por Juliana Sato*, psicóloga especializada em luto pet e comportamento humano

O estado de São Paulo sancionou uma lei que autoriza o sepultamento de cães e gatos em campas e jazigos familiares, quando a concessão pertence à família do tutor. O texto também deixa claro dois pontos práticos: a regulamentação será definida pelos serviços funerários de cada município e cemitérios particulares podem estabelecer regras próprias, respeitando a legislação vigente. Ou seja, a lei abre a possibilidade, mas o funcionamento vai depender de como cada cidade e cada cemitério vai operacionalizar.

Como psicóloga especialista em luto pet, eu vejo todos os dias o que essa discussão toca de verdade: não é sobre “onde enterrar”. É sobre o que a sociedade permite que as pessoas sintam. O luto por um animal ainda é frequentemente tratado como exagero, drama ou “apego demais”. E isso tem um custo emocional alto. Quando a dor não é reconhecida, a pessoa se isola, se envergonha, duvida de si e tenta “voltar ao normal” antes da hora. O nome disso é luto não reconhecido: a perda existe, o vínculo existe, mas o entorno faz de conta que não existe.

Por isso, para muita gente, a possibilidade de despedir-se do pet no jazigo familiar não é capricho. É a forma mais coerente de dar dignidade a um vínculo que foi vivido como família. Ritual e lugar de memória não apagam a dor, mas organizam a experiência. Ajudam o cérebro a entender o que aconteceu e ajudam a família a atravessar a perda com menos sensação de irrealidade. Não é sobre “prender o luto”. É sobre dar contorno a um amor que continua existindo mesmo depois da morte.

Ao mesmo tempo, é importante ser realista: se essa lei virar um “autorizado, mas ninguém sabe como”, ela pode gerar frustração em um momento em que as pessoas estão especialmente vulneráveis. Luto não combina com improviso institucional. Uma despedida atravessada por burocracia, respostas contraditórias e constrangimento aumenta sofrimento. É por isso que a regulamentação municipal e a comunicação dos serviços precisam ser objetivas, acessíveis e respeitosas.

Essa lei também toca o ecossistema PetVet de forma indireta. Veterinários e equipes lidam com morte e luto diariamente, muitas vezes sem acolhimento e com pouca margem para conversar sobre perda com calma. Quando a sociedade reconhece melhor o luto pet, o ambiente ao redor da decisão muda: há menos julgamento, menos conflito e mais espaço para cuidado. Isso não resolve tudo, mas reduz a violência emocional que tantas famílias e profissionais vivem no momento da despedida.

No fim, o ponto é simples: esta lei fala de sepultamento, mas o que ela escancara é a necessidade de amadurecimento coletivo. Perder um pet não é perder “só um animal”. É perder rotina, identidade, história e um tipo de amor que, para muita gente, foi uma das relações mais consistentes da vida. Se a legislação começa a acompanhar isso, a sociedade também precisa acompanhar.

*Juliana Sato é psicóloga graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, com pós-graduação em Distúrbios Alimentares pela Unifesp. Desde 2024, faz parte da diretoria da Ekôa Vet – Associação Brasileira em Prol da Saúde Mental na Medicina Veterinária. Para ajudar pessoas que buscam equilíbrio emocional e crescimento pessoal, criou o canal VibeZenCast, no qual compartilha conteúdos sobre saúde mental, autocuidado e bem-estar. É também uma das organizadoras do livro “Luto Pet no Contexto da Medicina Veterinária”, pela Editora Lucto. Saiba mais acessando o site julianasatopsicologa.com.br ou o perfil no Instagram @jusatopsicologa.

 

A normalização da violência começa no silêncio

Por Nanda Raupp*

A violência contra a mulher no Brasil não é um problema distante, restrito a manchetes de jornais ou às estatísticas dos relatórios oficiais. Ela acontece todos os dias, em casas parecidas com as nossas, em famílias que, muitas vezes, acreditavam estar protegidas. Os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmam uma realidade dolorosa: a maioria das agressões e dos feminicídios ocorre dentro de relações íntimas, onde deveria existir cuidado, respeito e afeto.

Casos extremos, como o de mulheres arrastadas por carros ou assassinadas após anos de ameaças, nos causam indignação momentânea. Mas, quando o choque passa, fica a pergunta que poucas vezes fazemos com profundidade: como chegamos até aqui? Em muitos desses relatos, há um padrão que se repete, sinais ignorados, agressões minimizadas, frases como “é só ciúme”, “foi um momento de raiva” ou “isso é coisa de casal”.

“Eu achava que precisava aguentar”, relatou uma mulher ao procurar ajuda após anos de violência. Essa frase, simples e devastadora, revela o quanto aprendemos desde cedo, conceitos distorcidos sobre relações, poder e afeto. Dentro de casa, ensinamos muito mais do que imaginamos, pelo que dizemos, pelo que toleramos e, principalmente, pelo que silenciamos.

Falar sobre a violência contra a mulher não é promover polêmica, mas assumir responsabilidade coletiva. É entender que esse tema diz respeito a todos: famílias, escolas, empresas e governo. Começa inclusive na forma como educamos nossos filhos. Ensinar meninos a lidar com frustrações sem agressividade e meninas a reconhecer sinais de abuso é um passo essencial para romper ciclos de violência. Mostrar, pelo exemplo, que conflitos podem ser resolvidos sem gritos, humilhações ou agressões.

Também é papel da família acolher, ouvir e acreditar. Muitas mulheres desistem de denunciar porque temem não serem levadas a sério. Por isso, divulgar canais como o Ligue 180 e reforçar que pedir ajuda não é fraqueza pode significar a diferença entre a vida e a morte.

A violência contra a mulher não nasce de um dia para o outro. Ela é construída, aos poucos, em ambientes onde o abuso é normalizado. Combater esse ciclo exige mais do que leis, exige empatia, educação e engajamento social. Somente quando entendermos que esse é um problema de todos nós, será possível transformar estatísticas em histórias de sobrevivência, dignidade e respeito.

 *Nanda Raupp é administradora e autora do livro “Memórias de um passado”, romance inspirado em relatos reais de mulheres e experiências de silenciamento

Foto: Aline Marques

 

O Carnaval como ensaio geral de uma vida mais inteira

Por Renata Seldin*

Ah, o Carnaval no Brasil. Por aqui, o Carnaval é só calor, suor que cola na pele, fantasia que mais revela do que esconde, samba que nasce no pé antes de chegar ao ouvido, o batuque dos tambores chamando o corpo para existir sem tradução. É desejo circulando livre no ar, risos fáceis, beijos sem história e histórias sem amanhã, com a sensação rara de poder fazer tudo sem consequência, como se o mundo tivesse suspendido por alguns dias a memória, o julgamento e o depois.

É no Carnaval que as mulheres experimentam versões de si que passam o resto do ano sob vigilância. Saem com mais de uma pessoa, usam aplicativos sem culpa, flertam sem promessa, colecionam encontros, histórias e possibilidades. Não porque estão sozinhas, mas porque estão vivas. Durante alguns dias, “ser mulher” não precisa ser explicado, não vira caráter, não vira diagnóstico, nem sentença. O Carnaval mostra desejos que não cabem na rotina, no crachá, no currículo ou no roteiro de “boa mulher, profissional de sucesso, cuidadora dedicada”.

A pergunta incômoda, que vem depois da Quarta-feira de Cinzas, é: por que essa liberdade só é tolerada como exceção?

Na carreira, acontece algo parecido. Mulheres que investigam novos caminhos, testam áreas, mudam de direção ou recusam trajetórias lineares (moldadas por uma forma masculina) ainda são vistas como instáveis, sem talento, pouco profissionais. Como se maturidade fosse sinônimo de engessamento e enquadramento, e não de escolha consciente.

E se o Carnaval fosse só um ensaio do que a vida plena pode ser? Um espaço seguro para experimentar versões possíveis de si, encontrar seu propósito, o que te traz brilho nos olhos e autonomia para escolher nem leque amplo de opções profissionais que um dia foram ocupadas apenas por homens?

Fica aqui a proposição (ou provocação): aproveite o embalo do Carnaval e teste as suas versões possíveis. Com planejamento, estrutura e um pouquinho de coragem, talvez o ano inteiro possa ser assim.

* Renata Seldin é mentora de carreiras e doutora em Gestão da Inovação, com mais de 24 anos de experiência como executiva em consultoria de gestão.

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