SAÚDE: Jari fiscaliza mudança de OS no Hospital Regional; em Barra Mansa, servidores protestam contra empresa que assumiu a Saúde do município
Pagando pra ver
O deputado estadual Jari Oliveira (PSB) esteve na quinta, 26, no Hospital Regional para saber detalhes da transição na gestão da unidade, que atende Volta Redonda e Barra Mansa, entre outras cidades. A Organização Social Ideas deixará a administração do hospital a partir de amanhã, domingo, 1º de março, quando a gestão passará a ser responsabilidade da Fundação Saúde, vinculada ao Governo do Estado.
Na visita, Jari aproveitou para cobrar garantias de que todos os profissionais que atuam no HR receberão integralmente as verbas rescisórias, além dos salários e benefícios eventualmente atrasados. O que, segundo uma fonte, dificilmente ocorrerá. “A empresa nunca pagou em dia os seus funcionários, e não será agora, que perdeu o contrato, que ela vai pagar todo mundo direitinho”, comparou.
Jari também desconfia da mudança. Ele tem razão. Nos últimos meses, por exemplo, a situação piorou tanto que o parlamentar denunciou a OS Ideias ao Ministério Público do Trabalho, principalmente por atrasos salariais. Atualmente, segundo Jari, os médicos que atuam no Hospital Regional estão há quase dois meses sem receber salários, e os fornecedores da unidade estariam há quatro meses sem receber pelos serviços prestados ao HR.
“Não podemos admitir que os profissionais da saúde, que se dedicam diariamente para salvar vidas, sejam prejudicados. Estamos aqui para fiscalizar, cobrar transparência e garantir que nenhum direito trabalhista seja desrespeitado”, disparou Jari. “A prioridade é assegurar que a transição ocorra sem prejuízo no atendimento ao público e com respeito aos profissionais. O hospital é referência para toda a região e precisa funcionar com estabilidade, planejamento e responsabilidade”, completou.
O que Jari não sabe é que a mudança tem tudo para não ser tranquila. Segundo uma fonte do aQui, que pede que seu nome não seja revelado, a Fundação Saúde estaria obrigando médicos e técnicos de enfermagem a aceitarem um novo contrato de trabalho. Detalhe: com redução de salários. “Os técnicos de enfermagem terão salários de R$ 1.350,00”, detalhou. “Isso é menos do que o salário mínimo!”, comparou a fonte. Tem mais. Os salários dos médicos também seriam reduzidos. A conferir.
Barra Mansa
A área da Saúde em Barra Mansa já passou por uma grande mudança com a contratação, desde 2 de fevereiro, da OS Gnosis pelo governo Furlani. Assumiu os serviços que eram de responsabilidade da OS Cempes. Hoje, dois meses depois, as críticas começam a pipocar pelos corredores das unidades hospitalares do município, e muitos já defendem a realização de um ato de protesto. Motivo: os funcionários da UPA e demais unidades da área de Saúde, até o fechamento desta edição, ontem, sexta 27, ainda não teriam recebido o salário de janeiro, que são de responsabilidade da Cempes. E o mês de fevereiro termina neste sábado, 28, sem previsão do que poderá ocorrer.
“Atenção primária (postos de saúde), UPA, SAD, tá todo mundo sem receber”, contou um dos servidores.
Vale lembrar que, no dia 13 de fevereiro, a Prefeitura de Barra Mansa chegou a divulgar uma nota oficial a respeito dos problemas. “A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Barra Mansa informa aos profissionais da rede municipal de saúde contratados pela Organização Social Cempes que foi impetrada a ação judicial nº 0016113-16.2026.8.19.0001, com o objetivo de obter autorização legal que viabilize o pagamento dos credores referente à competência de janeiro de 2026. Em razão de questões operacionais e técnicas nas contas bancárias da entidade, o repasse não pôde ser efetuado, permanecendo o recurso disponível no Fundo Municipal de Saúde”, informou.
Ou seja, a Prefeitura teria o dinheiro em caixa para repassar à OS Cempes – para que então a empresa efetuasse o pagamento dos salários de janeiro –, mas não podia transferi-lo para a conta da empresa, que, por sua vez, não teria como liquidar a folha de pagamento da Saúde. O inusitado serviu para o governo Furlani relembrar uma antiga situação. “Ressalta-se que a situação difere de ocorrências registradas em gestões anteriores – como em 2016, quando houve repasse à Organização Social então contratada, sem que os profissionais fossem devidamente pagos, o que resultou em significativo passivo e em problemas trabalhistas para o município e para os trabalhadores”, compara a nota.
“A Prefeitura de Barra Mansa reafirma seu compromisso de que nenhum profissional ficará sem receber e informa que todas as medidas administrativas e jurídicas cabíveis estão sendo adotadas para a efetivação do pagamento. O governo municipal atua com responsabilidade e celeridade para que a solução ocorra no menor prazo possível, garantindo a quitação dos salários devidos a todos os profissionais”, encerrou.
Só que até hoje os funcionários não receberam os salários de janeiro. Pior. A nova OS responsável pela área de Saúde em Barra Mansa (a Gnosis) tem fama de má pagadora. Prova é que a empresa, segundo dados repassados por uma fonte, enfrenta 1.236 processos judiciais, sendo que 78% seriam de causas trabalhistas.
Nota da redação
Ontem, no fechamento desta edição, a Prefeitura de Barra Mansa voltou a informar que os recursos devidos à Cempes continuam disponíveis. “O recurso está disponível no Fundo Municipal de Saúde, aguardando regularização de questões operacionais e técnicas das contas bancárias da Cempes”, disse.

